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terça-feira, 28 de julho de 2009

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (27/07/2009)

Pesadelo século XXI

freddy

Cada um tem o recolucionário que merece. Em 1984, o cinema vivia a plena era de ouro do terror slasher, com Jason Vorhooes (Sexta-Feira 13) lançando sua quarta investida nos cinemas em quatro anos e Michael Myers (Halloween) tirando umas férias do terceiro capítulo de sua saga, nem tão bem-sucedido quanto os anteriores. Foi então que o mundo observou a mente criativa de Wes Craven, futuro criador da bem-sucedida série Pânico, ganhar o primeiro crédito de sucesso com um certo assassino cínico, de rosto queimado e senso de justiça torto, que buscava vingança por uma morte lenta e dolorosa infringida pelos pais e avôs dos adolescentes de Illinois, estado americano, que vêem seus sonhos invadidos pela cruel, cínica e grotesca criatura. Freddy foi um sucesso porque era engraçado e assustador ao mesmo tempo, e não dá para negar que sua presença de espírito foi o que garantiu a validade dos outros seis episódios de sua saga, todos lançados no curto intervalo de tempo de uma década. Além de um êxito comercial, porém, Freddy foi um revolucionário porque tinha um motivo além da própria psicopatia para marcar. Era cruel e repulsivo, sim, mas acima de tudo era um homem destruído em busca de vingança. Nada que os músculos de um Schwarzenegger ou um Stallone já não oferecesse ao público na época, mas dessa vez éramos obrigados a temê-lo. De uma forma quase indecifrável, Freddy era um anti-herói. Eternizado na pele do ator Robert Englund, que fez questão de representar o personagem em absolutamente todas as suas encarnações, Freddy ressurgiu para toda uma nova geração enfrentando seu célebre colega em Freddy Vs. Jason, o sucesso metteórico que talvez seja o maior responsável pela recente onda de remakes de filmes de terror clássicos. A recepção do público a nova empreitada foi o bastante para a produtora Platinum Dunes, que tem os créditos pelo novo Sexta-Feira 13 e por mais um punhado de remakes recentes, colocar em movimento o antigo projeto de dar um novo começo a mitologia do personagem para uma nova e mais exigente geração de espectadores de terror. A proposta não foi o bastante para interessar Craven, que recusou se envolver no remake, exemplo no qual foi seguido por Robert Englund, que abriu mão das luvas de metal do personagem pela primeira vez desde que se tornou o símbolo de uma geração em 1984. Sem nada para se apoiar, Wesley Strick (Casa de Vidro) foi chamado para arrumar a casa e redigiu um roteiro descrito como um retorno as raízes assustadoras do assasino, deixando as piadas em segundo plano em favor de uma jornada mais visceral pela mente de um psicopata que ataca suas vítimas em meio a vulnerabilidade do sono. O segundo passo foi chamar Samuel Bayer, estreante em terrenos cinemtaográficos com um currículo extenso no mundo dos videoclipes, para assumir as câmeras de um genuinamente novo A Hora do Pesadelo. E ele começou com o pé direito, reunindo uma turma de jovens talentos da televisão para servir de lixa de unha para o assasino, que será interpretado por Jackie Earle Haley, indicado ao Oscar pelo pedófilo de Pecados Íntimos. Entre as novas vítimas do senhor dos sonhos estarão Thomas Dekker (Sarah Connor Chronicles), Kyle Gallner (Smallville) e Katie Cassidy (Supernatural). Agora, é só esperar Abril de 2010 para conferir o resultado final. Até lá, é melhor pensar suas vezes antes de deitar a cabeça no travesseiro.

Quebrando o gelo

Hollywood pode ser uma terra cruel com quem se aventura dentro de seus limites, mas a essa altura do campeonato eu, você e mais meio mundo já deve estar cansado de ouvir essa mesma ladainha. O que de fato intriga e permanece e segredo são as razões de tal crueldade de investimentos garantidos e lucro acima de ambição artística. Afinal, para quem está de fora do esquema, o que corre pelos corredores e salas impecáveis dos grandes estúdios continua um absoluto mistério. Não raro, somos deixados esperando por uma produção que ascende nosso instinto de cinéfilo e logo depois ficamos sabendo que o estúdio resolveu adiar a estréia sem nenhum motivo aparente. Alguns, no fim, nem conseguem chegar aos cinemas e acabam aportando sem escala nas prateleiras das locadoras. Destino tão “desonroso” não deve ter o suspense de ação Whiteout, que parece finalmente ter conseguido uma data definitiva de estréia, marcada para Outubro desse ano, quase um ano mais tarde do que foi a princípio prometido pela Warner, major americana que bancou a distribuição do filme do estúdio Dark Castle, dono dos créditos por recentes sucessos como o terror adolescente Casa de Cera e ação debochada RocknRolla, do diretor Guy Ritchie. Se na própria produção o filme já ganha pontos para um investimento de bilhereria, a garantia só sobre para outro nível quando a trama é toda baseada em uma história em quadrinhos, no caso uma minissérie em quatro partes lançada em meados de 2005 com roteiro de Greg Rucka e arte de Steve Lieber. Por fim, o filme ainda contou desde o começo com a presença da atriz Kate Beckinsale, conhecida como a estrela da série Anjos da Noite, que pode não estar no melhor momento de sua carreira, mas continua sendo um nome de peso para estampar o topo de um cartaz. Isso sem contar a coadjuvância de um até então ilustre desconhecido Gabriel Macht, que em março último se tornou o novo astro da terra do cinema ao protagonizar o suceso The Spirit na pele do herói-título. Assim a produção seguiu, com elenco completo pelos esquecidos Tom Skerritt (Brothers & Sisters) e Columbus Short (Poder do Ritmo). O roteiro inicial da dupla Jon e Erich Hoeber, que só tem a ação criminal Montana no currículo, passou por uma revisão pesada de outros dois irmãos, Chad e Carey Hayes, esses mais experientes no suspense da trama, tendo assinado o script do terror Colheita do Mal. A missão de filmar na imensidão branca da Antártida, onde ocorre a trama de assassinato e investigação, foi assumida por Dominic Sena, que não pegava em uma câmera desde 2001, quando lançou a ação cool Swordfish. As coisas pareciam bem, o primeiro pôster anunciava o filme para 2008, mas algo deve ter feito as coisas mudarem de figura na Warner, que resolveu adiar o filme para Abril de 2009 e, depois, para Outubro. Com trailers e fotos lançadas, resta esperar que a nova decisão seja mesmo definitiva. 

Girls. Bond Girls.

bond. james bond 

Quando o britânico Daniel Craig assumiu, no urbano e violento Cassino Royale, o papel do espião da rainha mais famoso do mundo e ainda assumiu que estava lá para atualizar o personagem e trazê-lo de vez para um século dominado pelo brutal, instintivo e acima de tudo muito lucrativo Jason Bourne, ninguém, e me inclua nesse balaio, conseguia apostar no sucesso da empreitada. Mais ainda, os fãs todos pegaram seus piquetes e protestaram contra a escalação de um Bond loiro, de charme tosco e tendências violentas, argumentando que a produção havia passado dos limites ao descaracterizar o personagem pensando apenas no lucro. Na internet chegou a surgir um site que atraiu toda a atenção da mídia, dividiu opiniões e acabou fechado. O Daniel Craig is Not Bond foi reaberto recentemente como uma fonte de notícias que serve bem aos fãs revoltados e aos que queiram ver um outro lado a chuva de elogios que desceu sobre o reboot da série e sua recente e acelerada continuação, Quantum of Solace. O fato é que a crítica em massa aprovou o novo James Bond, assim como o público, que fez dos dois últimos filmes da série os maiores sucessos do personagem em solo americano. Enquanto isso, o vindouro 23º filme do personagem começa a ganhar seus rumores e suas confirmações, preparando-se para um lançamento em 2010, sinal de que a série voltou a produção constante. Depois de Marc Forster, diretor de Quantum of Solace, pular fora do comando do novo filme e o rumor sobre a contratação de Danny Boyle, recém-oscarizado por Quem Quer Ser um Milionário, ter sido desmentido, a bola da vez é a contratação de um novo roteirista para a série, para se juntar ao veterano Paul Haggis, que não larga o osso desde que assumiu o texto do espião em Cassino Royale. Quem deve co-escrever a nova trama é o premiado Peter Morgan, o homem por trás de A Rainha e Frost/Nixon, nome que atiçou os nomes mais badalados da terra do cinema a cavar seu lugar na nova aventura. Os sempre presentes rumores sobre as garotas de Bond no novo filme tiveram início no nome de Freida Pinto, a musa de Quem Quer Ser um Milionário, e seguiram com a declaração clara de interesse por parte de Angelina Jolie e Jennifer Aniston, que teriam que disputar lugar com o suposto retorno da personagem Camille, representada pela atriz Olga Kurylenko em Quantum of Solace. Por fim, a última a entrar na acirrada disputa foi Megan Fox, que pelo jeito pretende sair direto das filmagens de Jennifer’s Body para a participação na aventura, ao lado de Michael Sheen (Frost/Nixon), única presença quase confirmada na pele do vilão da vez, que pode ou não ser o velho conhecido Blofeld, um dos maiores inimigos do espião, que tem sete participações ao longo dos vinte filmes da série e ainda foi a inspiração para Mike Myers criar o vilão Dr. Evil dos filmes de Austin Powers. Sheen é um velho parceiro do roteirista Morgan, que tem presença garantida pelo menos em outros dois vindouros filmes de sua autoria, A Special Relationship e The Damned United.

Especial: O primeiro teaser do Alice de Tim Burton

Pouco a pouco, quase como quem não quer nada, Alice no País das Maravilhas vai se tranformando no que pode ser o filme de fantasia mais carregado de expectativa desde que o mundo interiro viu o final da jornada de Frodo e seus amigos em O Retorno do Rei. Se não bastasse a visão única de um artista como o cineasta Tim Burton sobre uma das maiores histórias infanto-juvenis de todos os tempos, o filme ainda me reúne um elenco fora de série que combina velhos parceiros do diretor e novos integrantes da gangue de forma espetacular e por fim ainda divulga artes conceituais e caracterizações que prometem se tornar mais do que clássicas. Aliás, marque bem cada palavra quando eu digo que Alice estará na maioria das categorias técnicas, se não em mais algumas das principais, do Oscar 2011. Por fim, toda a espera que acaba de começar é coroada por um teaser como esse logo aí em cima, que não precisa mostrar muito para se tornar o um minuto e meio mais sensacional da história recente do cinema. É bem verdade que vemos só o bastante para nos deixar com água na boca, mas é impossível não se pegar vendo e revendo o bendito videozinho, tudo na vã esperança de pegar algum detalhe a mais ou uma nuance das breves atuações que veremos na íntegra em Abril do próximo ano, quando o filme estreará no que vem se tornando cada vez mais um grande evento. O clima de conto-de-fadas sombrio e pitoresco a um só tempo é evidente desde o primeiro take, mostrando a atuação de uma promissora Mia Masikowska, mera desconhecida com papéis pequenos em filmes como Um Ato de Liberdade antes de assumir os holofotes do novo filme do diretor. Logo em seguida, direto ao assunto, o trailer nos mostra o que todos nós já sabemos, com a queda de Alice pelo buraco do coelho, impressionante nos efeitos especiais, ela tomando o que quer que seja e diminuindo de tamanho, tudo de prelúdio para enfim entrarmos no País das Maravilhas. A narração é clara, ainda que quase idílica: “Há um lugar como nenhum outro na Terra, uma terra cheia de encantamento, mistério e perigo. Alguns dizem que para sobreviver é preciso ser tão maluco quando um chapeleiro… o que, felizmente, eu sou”. Introdução esperta para um Johnny Depp que leva mais uma vez ao limite sua própria caracterização, surgindo na tela como um grande e brilhante holofote, interpretando um Chapeleiro Maluco que pode e vai se tornar um ladrão de cenas melhor que qualquer outro. Enquanto isso, ainda vemos os primeiros flashes do comediante Matt Lucas sob maquiagem e efeitos especiais como os gêmeos bizarros Tweedle-Dee e Tweedle-Dum, e de Michael Sheen igualmente coberto por píxels na pele do simbólico Coelho Branco que conduz Alice pelo começo de sua viagem. Também aparecem frações de segundo das performances de Anne Hathaway como a Rainha Branca, de sua irmã Rainha de Copas, representada por Helena Bonham-Carter, e até do ator Stephen Fry, promissor mesmo sem mostrar o rosto como o Gato. É com toda essa expectativa que a gente espera por mais dolorosos nove meses para entrar na toca do coelho.

Bom, pessoal, e por hoje é só. Depois dessas quatro notícias, mais dois trailers para gente ficar esperando pelo resultado final, só me resta agradecer como sempre a todos os comentários e desejar os melhores filmes para todos vocês! Até mais!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Quantum of Solace – A polêmica vingança de Bond. James Bond.

007 – Quantum of Solace (Inglaterra/EUA, 2008)

De: Marc Forster

Com: Daniel Craig, Judi Dench, Olga Kurylenko, Mathieu Almaric

106 minutos

James Bond é invencível. Na ativa a quarenta e sete anos, desde que o mundo conheceu sua classe de lord inglês com a face e a interpretação impecável de Sean Connery (“A Liga Extraordinária”) no clássico “Dr. No”, o espião inglês do MI-6 faz parte daquele rol de personagens atemporais e eternos, cujos estigmas são capazes de se adaptar a qualquer realidade limitada e encantar qualquer geração. Afinal, a beleza do mistério e da adrenalina sempre foram uma atração inevitável para o homem. Astros vão e vem, ídolos passam e envelhecem, mas Bond é uma constante irremovível que simplesmente não pode deixar de existir porque sobrevive no inconsciente coletivo mundial. É uma daquelas coisas que conhecemos sem conhecer e nos fascinamos quando olhamos mais de perto. Testemunhar um filme de James Bond se realizando é, sem exageros, como assistir a um evento histórico de perto e posição privilegiada. Não é uma má bilheteria ou críticas duras que vão derrubar alguma coisa assim. Personagens tão eternos não desaparecem da noite para o dia e não importa o quanto lhe digam mal, ninguém vai deixar para trás a oportunidade de ver um filme de James Bond. Reflexões e fatos a parte, toda a repulsão da crítica por “Quantum of Solace”, nova investida do espião em terreno cinematográfico e guardião de uma série de inovações para a franquia, foi extremamente exagerada. Talvez fosse a expectativa alta que o elogiado Cassino Royale havia deixado em 2005, mas “Quantum of Solace” passa longe de ser um filme ruim, que dirá o pior filme da história de Bond. O espião já passou por fases bem mais negras e nem por isso perdeu prestígio ou expectativa dos fãs e curiosos. Que o filme, que prometia revolucionar como a primeira continuação direta de um filme de 007, deixa a dever para quem esperava ansioso não há dúvida. Ao contrário de seu predecessor, que resolveu reinventar o personagem e rendeu uma trama essencialmente emocional, “Quantum of Solace” é mais brutal e direto, tentando sempre criar adrenalina e saindo-se bem na m aioria das vezes. Mas, acima de tudo, o novo filme de Bond é sobre vingança. A vingança de um espião frio e elegante que não sabe até onde é capaz de ir e não mede esforços ou escrúpulos para conseguir o que deseja. Ver o espião na busca por retaliação pode não ser a viagem mais recompensadora da série, e muito menos a mais divertida, mas pelo menos não se afoga na própria ambição. Pecado do qual, diga-se de passagem, “Cassino Royale” passou raspando.

Da última aventura do espião, além do elenco, o único denominador comum é o trio de roteiristas, que triunfaram ao renovar o protagonista e trazê-lo para uma realidade mais atual e agora tentam estabilizá-lo em um nível um pouco mais ambicioso, como a própria trama exigia. É bom saber que, ao contrário da maioria dos filmes do espião, não seria nada prejudicial dar uma revisada em “Cassino Royale” antes de conferir “Quantum of Solace”. Isso porque, habilidosa e oportunamente, os escritores escolheram dar continuidade as conseqüências finais da última aventura para construir toda uma nova jornada. A bem da verdade, basta lembrar que Vesper Lynd (Eva Green), a única mulher que James Bond jamais amou de verdade, foi assassinada por uma organização incógnita responsável também pela morte do vilão do filme, Le Chiffre (Mads Mikkelsen). Nos últimos minutos de “Cassino Royale”, Bond não hesita em desferir um tiro na perna de Mr. White (Jesper Christensen), executor e espião da tal organização. Quando “Quantum of Solace” começa, Bond está sendo perseguido com White preso no porta-malas, rumo a cidade italiana de Siena, onde o agente se encontra com M (Judi Dench) apenas para descobrir que a organização tem homens infiltrados onde menos se espera. A partir daí, começa uma interminável caçada que tem como figuras centrais Dominic Greene (Mathieu Almaric), um bem-feitor de fala mansa que comanda na surdina operações anti-democráticas em países na América do Sul, e Camille (Olga Kurylenko), a ambígua amante do vilão, que logo se revela com motivos mais interessantes e se une a Bond na busca por uma vingança comum. Mesmo com a identificação inevitável que há entre os dois, o roteiro de Paul Haggis (“Crash – No Limite”) ao lado da dupla Neal Purvis & Robert Wade (“Johnny English”) é habilidoso ao deixar mais do que claro que, mesmo ausente, Vesper ainda é naquele momento a mulher da vida de Bond. Para além desse e de outros acertos na sutileza, nem sempre o script funciona, especialmente nos momentos mais práticos da trama, e ainda que a tensão seja imposta a todo tempo e a linha narrativa seja carregada com perícia, em alguns momentos o roteiro de “Quantum of Solace” carece de ritmo e regularidade. Não por acaso, tais momentos menos inspirados acabam influenciando na direção do alemão Marc Forster (“Mais Estranho Que a Ficção”), que só consegue sair aprovado de sua primeira experiência com um filme de ação porque possui um domínio narrativo impressionante, talvez igualado na Hollywood de hoje apenas por Christopher Nolan (“Batman – O Cavaleiro das Trevas”).

Outro elemento que contribui bastante para “Quantum of Solace” funcionar apesar dos erros é a surpreendente familiaridade com que Daniel Craig (“Invasores”) encara o protagonista já pela segunda vez. Nas mãos do inglês, conhecido por papéis em filmes britânicos com mais conversa do que ação como o confuso “Nem Tudo é o Que Parece”, Bond ganha uma espécie de classe ambígua que acrescenta ao personagem uma estranheza inédita na interpretação dos outros astros da série ao longo das décadas. Craig tem a aristocracia que o personagem exige, mas sabe como se tornar brutal e inflexível quando é exigido, ou seja, durante boa parte do tempo em “Quantum of Solace”. Aqui, Bond não é o agente submisso que passou pelas telas tantas vezes e tampouco o conquistador desenfreado que aprendemos a observar. Seus diálogos com M são de igual para igual e a batalha de interpretações entre Craig e Dench é empolgante de se observar. Não são poucas as vezes em que não há como apontar um vitorioso. Isso porque, do alto de seus 75 anos, Dench não se deixa ficar para trás e parece tão habituada a encarnar a chefe do espião que se tornou parte indissociável de sua aparência e personalidade. Com ela em cena, M deixa de ser uma alegoria para se tornar alguém que vale a pena observar e um acontecimento quase sobrenatural que se mostra na tela maior do que na memória. Em resumo, Dench dá um show de atuação que é capaz até mesmo de ofuscar a boa encarnação de Olga Kurylenko (“Hitman”) para a nova e obsessiva bondgirl. Presente por boa parte da projeção, Camille em algum momento deixa de ser coadjuvante para se tornar protagonista de sua própria história e a atriz encanta tanto pela beleza quanto pela determinação com que encarna esse papel. Ela faz da história de Camille uma que valha a pena ser ouvida. Completando o quarteto principal, o francês Mathieu Almaric (“Munique”) absorve com gosto cada traço da personalidade de Dominic Greene e o joga na tela como um retrato vibrante que brilha desde o segundo inicial até o último momento de glória antes de ser jogado em meio a adrenalina eficiente do clímax. Pode ser que nem todas as cenas de ação convençam e pode ser que os clichês tenham sido usados com ênfase demais, mas a verdade é que “Quantum of Solace” tem qualidades e acertos o bastante para valer a pena ser visto. Não que James Bond precise, disso, é claro. Afinal, elegante ou não, é sempre bom se divertir um pouco com um terno de agente secreto. Até a próxima, Bond.

Nota: 7,5

terça-feira, 3 de março de 2009

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (03/03/2009)

Moby Dick por trás das cortinas

Há quem diga que todo artista tem sua inspiração, que cada obra é resultado de uma espécie de colagem de referências que pode funcionar ou não aos olhos do espectador ou leitor. Publicado em 1851 como um criticado romance do já consagrado americano Herman Melville, “Moby Dick” foi aos poucos ganhando status de clássico entre a literatura norte-americana, tendo sido adaptado ao cinema cen tenas de vezes, a mais conhecida em 1956 sob a direção de John Huston (“O Tesouro de Sierra Madre”). Naquela oportunidade, Gregory Peck (“Cabo do Medo”) era o intérprete do Capitão Ahab, um lobo-do-mar com direito a perna de pau e todo o resto da parafernália, obcecado por uma baleia gigante que teria atacada um barco em que era marujo, muitos anos atrás. Ahab seria capaz de dar a própria vida para capturar Moby Dick, e é esse dilema dele e de seus marujos que a história se alimenta até caminhar, é claro, para um final trágico. Ao que parece, até mesmo Melville teve sua fonte de inspiração, o caso de um navio baleeiro que naufragou em 1820 após ser quebrado ao meio por um cachalote. Mesmo abandonados a deriva, os mais de vinte marinheiros encontraram tempo para jogarem-se aos barcos salva-vidas e navegar até chegarem a uma ilha. Depois de muito tempo, a maioria decidiu prosseguir viagem e tentar retornar para casa. Reza a lenda que apenas oito homens foram encontrados, e eles diziam que haviam chegado ao extremo de praticar o canibalismo e decidir na sorte quem seria o desafortunado da vez. Se Edward Zwick (“Diamante de Sangue”) pretende fazer um filme de terror, acertou na escolha. O inglês embarcou no projeto como diretor e roteirista ao lado de Marshall Herskovitz (“O Último Samurai”) para o filme, cujo título provisório é “The Heart of Sea” e deve começar a ser filmado ainda esse ano.

Dos tabuleiros para as telas

E a Hasbro pretende mesmo fundar de uma vez o gênero (se é que se pode chamar assim) de jogos de tabuleiro levados para o cinema. Como se não bastasse o anúncio muito próximo do potencialmente bizarro “Ouija”, baseado no ritualístico jogo de um copo sobre a mesa formando palavras supostamente ditadas por espíritos, a companhia de produção de brinquedos também já disse que pretende levar outros de seus três jogos mais conhecidos para as telas. O primeiro a sair deve ser “Banco Imobiliário” (conhecido como “Monopoly” em terras americanas e lançado recentemente por aqui com esse nome), e desde o final de 2007 já havia surgido a possibilidade do envolvimento do mestre inglês Ridley Scott (“Blade Runner – O Caçador de Andróides”) no projeto, já que ele se pronunciou dizendo que “o universo do jogo é fantástico, divertido e direcionado para a família”. Notícias recentes deram conta do roteirista Pamela Peter (“A Noiva-Cadáver”) redigindo o roteiro, que provavelmente deve ganhar referências a crise mundial. Apesar das poucas esperanças, o produtor Brian Goldner, também presidente de Hasbro, se declarou recentemente muito animado com o projeto. Segundo ele: “Ridley Scott consegue construir grandes mundos de imaginação. Combine isso com um ótimo roteiro que Pamela está escrevendo sobre pessoas reais em uma versão de verdade do “Banco Imobiliário” – não o jogo do tabuleiro – e você pode ter uma idéia de como a história pode fazer sentido”. Os outros projetos ainda não receberam muitas confirmações, mas se basearão nos jogos “Detetive” (“Clue”, em inglês), que aliás já foi adaptado para o cinema em 1985 em um filme que recebeu o título de “Os Sete Suspeitos” no Brasil, e “Batalha Naval”.

Confusão dos anos

Das duas, uma. Ou Terrence Malick (“Além da Linha Vermelha”), que nunca foi a pessoa mais equilibrada do mundo, enlouqueceu de vez ou a ganância dos estúdios engoliu-o definitivamente. Como a primeira hipótese é muito mais provável no caso de um homem considerado gênio nos anos 1970 com apenas dois filmes (“Cinzas do Paraíso” e “Terra de Ninguém”) que passou quase vinte anos sem filmar e continua impondo dolorosos intervalos entre suas realizações, é melhor esperar que a loucura dê certo. Quatro anos depois de seu último filme, “O Novo Mundo” (que por sua vez foi feito sete depois do anterior), parece que “Tree of Life”, anunciado já há algum tempo, está pronto para entrar em processo de pós-produção. E das pesadas, embora isso não seja normal para um diretor tão naturalista quanto ele, conhecido por seus longos planos contemplativos e construídos como quadros instantâneos da natureza a volta de seus personagens. Mesmo com toda a aura de mistério em torno do filme, o especialista em efeitos especiais Mike Fink, um dos encarregados da pós-produção, deixou escapar em uma entrevista que está trabalhando em seres jurássicos para a produção. O estranho é que, além de não ser adepto de efeitos extravagantes, a sinopse de “Tree of Life” não parece exigir tal feito. Afinal, como diabos dinossauros se encaixariam em uma trama sobre um jovem do meio-oeste americano que se torna um adulto desiludido e tenta encontrar seu lugar no mundo e na existência humana? Tudo isso na década de 1950! É claro, há sempre a possibilidade do imprevisível Malick ter mudado o projeto e “esquecido” de avisar a imprensa, que já levanto u a hipótese do diretor estar revivendo um velho sonho: “Q”. Desde que completou “Cinzas do Paraíso” em 1978 que ele tenta realizar o filme, descrito na época como “um drama de vários personagens ambientado no Oriente Médio durante a Primeira Guerra”, que teria um período pré-histórico aludindo a ficção de Kubrick em “2001: Uma Odisséia no Espaço”. Se de fato for verdade, os nomes de Brad Pitt (“Benjamin Button”) e Sean Penn (“Milk”) continuam envolvidos e o sexagenário Charlie Bluhdorn, consultor de efeitos de filmes como “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”, deve sair da aposentadoria.

Bond volta a moda

Algumas semanas depois das polêmicas declarações de Judi Dench, a M dos filmes de “James Bond” sobre o quanto seria ótimo ter alguns personagens de volta para o terceiro filme de Daniel Craig (“Invasores”) como o protagonista e a concordância enfática do mesmo (para quem não sabe, estamos falando do Q de John Cleese e da famosa secretária Monneypenny), parece que o “Bond 23”, que ainda não tem nem mesmo uma data de lançamento acertada, virou o projeto da vez para os nomes mais badalados do mundo do cinema. Ainda que esteja em filmagens da comédia “The Baster” ao lado de Jason Bateman (“Hancock”), Jennifer Aniston, recém-afirmada como boa atriz no drama cômico “Marley & Eu”, declarou que o grande sonho de sua vida é ser uma Bond-girl. Até aí, nada demais, mas leia bem e reflita um pouco sobre as palavras da atriz: “Adoraria fazer um filme de ação. James Bond! Glamour! Daniel Craig! Seria muito divertido”. Alguém reparou que ela fez referência direta ao atual intérprete do agente 007, e afinal essas palavras não soam como um oferecimento tentador? Afinal das contas, não seria nada mal ver Jennifer como a paixão da vez do agente, e ela ainda já mostrou ter talento o bastante para continuar a tendência de complexidade imposta por Eva Green (“Cassino Royale”) e Olga Kurylenko (“Quantum of Solace”). Boato um pouco mais fundado é o que dá conta de um recém-premiado com o Oscar para a direção do 23º filme do espião de Vossa Majestade. Segundo o tablóide inglês The Sun, o candidato da vez seria Danny Boyle, recém-saído do multipremiado “Quem Quer Ser um Milionário”. Ainda segundo a publicação, a produtora Barbara Broccoli, guardiã dos direitos da obra de Ian Fleming após a morte de seu pai, teria se interessado pelo trabalho do diretor por achar que “poderia funcionar perfeitamente para o novo visual de Bond”.

Bom, pessoal, e por hoje, é isso… bom, eu ganhei mais um selo hoje (estou explodindo de orgulho, acreditem), mas como há algum tempo estava devendo um dia completinho para vocês, resolvi deixar para amanhã a publicação dele, certo? Mais uma vez, obrigado a todos os comentários e até a próxima! Ah, e só os melhores filmes para vocês, é claro!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Boletim Cinéfilo - As Notícias do Dia (30/01/2009)

Abram alas para o Gato!

Quando o Gato de Botas munido com a voz retumbante de Antonio Banderas conquistou o mundo com um olhar de piedade em "Shrek 2", não era difícil imaginar o enorme potencial que o personagem tinha. Pois parece que a DreamWorks também não deixou passar a popularidade do gatuno, e depois de muitos rumores e poucas notícias, "Puss in Boots", filme-solo do personagem e primeiro spin-off da bem-sucedida série do ogro, já está marcado para estrear em 2010 como uma espécie de prévia de "Shrek Goes Fourth". Antonio Banderas, que já declarou se orgulhar muito do personagem, já assinou para repetir a dose no novo filme, enquanto os roteiristas David Steinberg ("American Pie 2") e Jon Zack ("Nota Máxima") trabalham no script. Embora nada esteja confirmado, o desconhecido Tom Wheeler pode ser o diretor do filme.

As Viagens de Jack Black

Mantido em absoluto sigilo pela Fox (prática comum em adaptação de obras de domínio público), a nova versão de "As Viagens de Gulliver", baseado no clássico da literatura de Jonathan Swift, aos poucos ganha um elenco estrelado e diretor badalado. Para começar, parece que o personagem-título, um viajante de espírito livre que vai de uma terra de gigantes a um vale de pessoas extremamente pequenas, deve cair nas mãos de Jack Black, mais conhecido por seus papéis cômicos em filmes como "Trovão Tropical", mas que já demonstrou muito potencial dramático em "King Kong". Enquanto isso, a inglesa Emily Blunt ("O Diabo Veste Prada") deve viver a princesa do tal vale, amor platônico do camponês Horatio, que deve ser interpretado pelo comediante Jason Segel, conhecido como coadjuvante de filmes como "Ressaca de Amor" e "Ligeiramente Grávidos". Prestes a lançar a animação em 3D "Monstros VS. Aliens", o diretor Rob Letterman pode ser o comandante da aventura.

Que Greyskull nos ajude

Que atire a primeira pedra aquele que nunca se divertiu nas manhãs de fim-de-semana com o desenho animado "He-Man e os Mestres do Universo" ou mesmo se pegou assistindo um pedaço do filme estrelado por Dolph Lundgreen nas Sessões da Tarde da vida. Tudo bem, charme trash e ícone pop é uma coisa, mas será que alguém ainda acha que Greyskull tem espaço na briga dos blockbusters do verão americano? Das duas, uma: ou o produtor Joel Silver ("Matrix") pretende se aposentar prematuramente, ou ele é terrivelmente esperto. Em meio a febre de nostalgia dos anos 80, o produtor anunciou o diretor John Stevenson ("Kung Fu Panda") para comandar a nova adaptação live-action de "Masters of the Universe", roteirizada pelo desconhecido Justin Marks. Ainda não há protagonista definido. Quer mais notícias bizarras de Silver? Ele está em uma parceria com a Warner para o filme da linha de brinquedos "Hot Wheels".

Depois da extinção
Três filmes e 370 milhões de dólares depois, a franquia "Resident Evil" está a um passo de se tornar mais famosa no cinema do que nos games, onde tem uma duradoura série de mais de uma dezena de jogos para todas as plataformas imagináveis. Com o recorde de bilheteria de "A Extinção", ano passado, parece que é a hora de um novo capítulo ser acrescentado as aventuras de Alice (Milla Jovovich), que continua sua luta contras as aberrações da ambiciosa Umbrella Corporation. Embora alguns rumores tenham dado conta de Claire Redfield, interpretada por Ali Larter ("Heroes") no terceiro capítulo, como a protagonista da nova aventura, o produtor Jeremy Bolt e o roteirista Paul W.S. Anderson ("Alien VS. Predador") declararam recentemente que não há planos para a troca de protagonista. Ainda assim, as negociações com Jovovich ainda não chegaram a um acordo e o filme ainda não tem um diretor ou título definitivo.

Direto do inferno
Criticado em seu lançamento, a versão do anti-herói "Motoqueiro Fantasma" pelo diretor Mark Steven Johnson ("Demolidor") conquistou o público e ultrapassou a marca de 100 milhões de dólares apenas nos EUA. E parece que Nicolas Cage, intérprete de Johnny Blaze no primeiro filme, pretende salvar sua carreira, que anda mal depois de "Perigo em Bangkok" e "O Vidente", com a continuação das aventuras do homem cuja alma pertence ao diabo. Segundo o próprio, a seqüência pode ser ambientada na Europa. Em entrevista promovendo seu último filme, Cage disse que teve “uma ótima reunião com o estúdio há três meses, e conversamos sobre levar o personagem para uma viagem internacional pela Europa”. O astro ainda disse que a história do personagem pode cruzar o caminho da Igreja católica. Apesar das declarações de desinteresse de Eva Mendes, par romântico do herói no primeiro filme, a Columbia já está a procura de um roteirista para o longa.

Drácula Begins

“Drácula não é um cara mau”. A declaração, saída da boca de Gary Oldman, intérprete do vampiro mais famoso do universo em "Drácula de Bram Stoker", parece ter surtido efeito nos aspirantes a roteiristas e fãs de vampirismo. Depois da humanização e do sucesso de "Crepúsculo", o próximo lançamento com caninos avantajados será "Dracula Year Zero". O roteiro, assinado pelos estreantes Matt Sazama e Burck Sharpless, remonta a origem do personagem, mostrando-o como um herói falho em uma trágica história de amor situada em uma era sombria para a humanidade. Trabalhando no projeto desde o fim de 2007, o diretor Alex Proyas ("Eu, Robô") recentemente declarou que “o roteiro mistura a vida do príncipe Vlad, inspirador da criação do personagem, com a obra escrita por Bram Stoker”. Enquanto os fãs mais radicais esperam apreensivos, o filme ganhou uma improvável data de estréia: 31/12/2010.

Meu nome é Fleming, Ian Fleming

Depois da recente e bem-sucedida reinvenção com "Cassino Royale" e "Quantum of Solace", a franquia do espião mais famoso do planeta pode ganhar nova popularidade ao investir em um projeto paralelo que os fãs esperam já há algum tempo. "Fleming", cinebiografia do lendário criador de 007, Ian Fleming, ainda não tem diretor nem data de estréia definidas, mas promete ser uma versão mais realista das aventuras de James Bond. Segundo as publicações especializadas, o filme deve focar em como a experiência do autor no mundo da espionagem o influenciou a criar o agente secreto do MI-6. Aos poucos as notícias relacionadas ao filme chegam aos ouvidos dos fãs. Para começar, Leonardo DiCaprio assinou para viver o escritor, e chegou tomando conta do projeto. O astro contratou outro roteirista, John Orloff ("O Preço da Coragem"), para trabalhar em cima do script do estreante Damien Stevenson. No momento, DiCaprio está rodando sua nova parceria com Martin Scorsese, "Shutter Island".

Bom, pessoal, e por hoje é só mesmo... como sempre agradeço por todos os comentários em mais esse dia de cinéfilo... esse blog está tomando boa parte da minha vida, e o mais surpreendente e que eu estou adorando! Bons filmes para todos e até amanhã!