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sexta-feira, 27 de março de 2009

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (27/03/2009)

Quando astros colidem

 

No ano passado, o mundo viu a maior colisão de astros da história do cinema mundial produzir uma obra fraca demais para o talento de ambos. Robert DeNiro, Al Pacino e seu morno “As Duas Faces da Lei” podem ter decepcionado aos críticos e ao fiel público que compareceu para ver como os dois se sairiam juntos, mas esse pequeno percalço não foi o bastante para Hollywood começar a temer a concentração de grandes nomes em um só filme. Em momentos diametralmente opostos, atriz e diretor podem se encontrar pela primeira vez em um elenco estreladíssimo. Ainda sem título, o novo projeto britânico de Woody Allen, que vem fresquinho do superestimado “Vicky Cristina Barcelona” deve contar com um elenco gigantesco em tamanho e fama. O destaque, até agora? Nicole Kidman. Depois de naufragar com a retomada da parceria com Baz Luhrmann (“Moulin Rouge!”) no ambicioso “Austrália” e ainda sem a possível repercussão do musical “Nine”, ela embarcou no projeto de Allen sem hesitar e se juntou a um elenco já bem estrelado. Ao lado dela estarão Josh Brolin (“Milk”), Anthony Hopkins (“Beowulf”), Antonio Banderas (“A Lenda do Zorro”) e Naomi Watts (“King Kong”), além da indiana Freida Pinto, musa do papa-prêmios “Quem Quer Ser um Milionário”. Outro projeto que também continua sem título oficial e pode reunir uma boa quantidade de astros é a comédia romântica em que Tom Cruise (“Operação Valquíria”) e Cameron Diaz (“As Panteras”) retomarão a parceria selada no fracassado “Vanilla Sky”. Além dos dois atores, o filme vai reunir o roteirista Scott Frank (“Marley & Eu”), um dos nomes mais fortes da área na Hollywood de hoje, e o diretor James Mangold (“Johnny & June”), um dos líderes da nova e versátil geração de cineastas.

Baseado em vidas reais

 

Americanos. Escritores. Quase uma centena de adaptações para cinema e TV cada um. Ainda assim, ler a escrita de um e de outro não poderiam ser duas experiências mais díspares. Ernest Hemingway é muito provavelmente o autor americano mais apreciado e estudado pelos intelectuais do mundo inteiro. Nascido em Illinois no derradeiro ano do século XIX, ele se tornou a lenda que é hoje graças a ao romance mais apreciado da literatura americana, “O Velho e O Mar”. Cheio das características viagens filosóficas da idílica escrita do autor, o livro foi publicado em 1952 e a primeira versão tinha em suas modestas 114 páginas um conteúdo que ninguém jamais lera até então. O que inspirou um detalhismo tão despreocupado e uma trama tão complexamente simplista ninguém sabe até hoje. Ou quase isso. Como estava instalado em Cuba na época em que escreveu o romance e não escondia de ninguém sua amizade com um certo pescador local, não foram poucos os que tomaram Gregorio Fuentes como a representação em carne e osso do personagem principal da obra. Sem dirigir desde “A Cidade Perdida”, Andy Garcia pode voltar para trás das câmeras com a missão de desmitificar a história em “Hemingway & Fuentes”, cujo roteiro ele também redige ao lado da sobrinha do escritor, Hillary. Obcecado pelo escritor, o astro Anthony Hopkins agarrou a oportunidade com unhas e dentes e deve interpretar seu ídolo enquanto a seletiva Annette Bening (“Querida Júlia”) deve encarnar a quarta e última mulher do escritor, a jornalista Mary Welsh. Em tom um pouco mais fantasioso (como não poderia deixar de ser), “The Strange Adventures of H.P. Lovecraft” pretende fazer todos os piores pesadelos do escritor de terror mais perturbado da história virarem realidade. Literalmente. Conhecido pela inconstância de humor e pela vida misteriosa, Howard Phillips Lovecraft se tornou uma espécie de figura mística para os fãs de literatura fantástica e motivo de culto para qualquer um que queria saber porque os contos de terror são como são hoje. Ron Howard (“Frost/Nixon”) deve dirigir o pesadelo em forma de filme.

Ilusão perigosa

Responda rápido: quantos filmes você já viu sobre o mágico Harry Houdini? Talvez você não tenha ligado o nome ao personagem ou mesmo achasse estar vendo apenas mais um filme de ilusionismo. Mas Houdini existiu de verdade e foi provavelmente a primeira grande celebridade ianque de que se têm notícia. Figura icônica com seu estilo único, feitos incríveis e aura quase mitológica, o mágico até cinema fez. Entre 1919 e 1923 foram cinco filmes entre aventura e mistério que apenas aumentaram o status social (e a conta bancária, é claro) desse húngaro naturalizado norte-americano que viveu uma curta vida de 52 anos. Do original “Houdini” até o recente “Atos Que Desafiam a Morte”, foram-se cinqüenta anos, treze atores diferentes em treze projetos entre filmes, produções para televisão e participações em séries de TV. Até na fantasia “O Encanto das Fadas” ele deu as caras, com a face de Harvey Keitel (“A Lenda do Tesouro Perdido”). Quando vistos em conjunto, os filmes se completam em um quebra-cabeças imperfeito das múltiplas personalidades de um homem fascinante que fez muito na vida que vale a pena ser contado. Embora o assunto parecesse esgotado, os escritores William Kalush e Larry Sloman foram fundo na pesquisa sobre a personalidade do mágico e tiraram de lá o livro “The Secret Life of Houdini: The Making of America’s First Super Hero”. Como o título expõe logo de cara, a trama se concentra em uma faceta diferente do famoso mágico. Segundo os autores, Houdini seria um espião inglês infiltrado na América, teria sido convidado para ser conselheiro do último czar russo e atuava nos bastidores como um desenganador, ou seja, alguém que desmascarava pessoas tentando simular o sobrenatural. Além de tudo isso, a obra levanta polêmica por narrar a morte do mágico como uma cilada armada por um grupo espiritual extremista. Toda essa revolução deve vir para as telas do cinema em breve pelas mãos da produtora Summit Entertainment, responsável pela saga “Crepúsculo”.

Ao infinito e além

Sim, a nova continuação de “Toy Story” está marcada para estrear em 18 de Junho de 2010, mas não é sobre isso que essa nota vai falar. A famosa frase do brinquedo-astronauta Buzz Lightyear dublado por Tim Allen (“Soltando os Cachorros”) nos filmes da série animada bem que poderia ser aplicada para os planos a longo prazo que a Marvel Studios já começa a organizar para os personagens que continuam sob seus cuidados. Depois de organizar as estréias de “Homem de Ferro 2” (30/04/2010), “O Poderoso Thor” (20/02/2011), “Capitão América” (22/07/2011) e “Os Vingadores” (04/05/2012) para os próximos três anos, o recém-criado estúdio continuou no embalo e anunciou os heróis que podem ganhar aventuras cinematográficas depois do grande evento reunindo os super-humanos mais poderosos da Terra. O presidente de produção Kevin Fiege disse que os principais pensamentos nessa direção são para personagens menos conhecidos, para torná-los mais familiares ao público e figurinhas garantidas para uma segunda grande aventura reunindo os personagens. Na mira primária estão seis heróis. O Pantera Negra, monarca de uma região africana que vive independente do resto do mundo mas ao mesmo tempo um Vingador eventual. Cable, o filho dos X-Men Jean Grey e Scott Sommers (o Ciclope), que foi mandado ao futuro para curar uma doença e voltou mais velho que os pais e com poderes tele cinéticos. Doutor Estranho, o mago supremo do mundo da editora, um personagem misterioso e esotérico que hora é tratado como herói, hora como um quase-vilão indiferente a tudo e a todos. Punho de Ferro, um personagem extremamente coadjuvante dentro das histórias da editora, um daqueles poderes que passam através das eras de pessoa para pessoa. Visão, o andróide dotado de sentimentos que chega a ter um caso com a Feiticeira Escarlate, um dos principais membros dos Vingadores. E por fim o Falcão Noturno, um milionário que decidiu se tornar um super-vilão e mais tarde trocou de lado para se juntar aos Defensores, grupo formado na editora apenas depois dos eventos da “Guerra Civil”.

Bom, pessoal, e por hoje é isso… nenhuma notícia bombástica, é verdade, mas alguns filmes que podem e vão despertar o interesse dos cinéfilos de plantão… queria agradecer como sempre a todos os comentários, que fazem desse trabalho aqui no blog algo que vale a pena ser feito. Obrigado demais! E, é claro, os melhores filmes para todos vocês. Até amanhã!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (26/02/2009)

Vilões em foco

Não é fácil interpretar as coisas em Hollywood. Por exemplo, o que dizer de um roteiro que roda a terra do cinema a procura de um estúdio anos a fio, é deixado na gaveta e ressuscitado de uma hora para a outra por uma major como a Warner Bros.? A história nos mostra que pode ser tanto sinal de um material fraco (“Os Reis da Rua”) quanto de potencial revolucionário demais (“Hancock”). Uma das duas coisas está acontecendo com “Suicide Squad”, adaptação da série em quadrinhos underground da DC que começou a ser publicada há exatas cinco décadas, em 1959. Com um ren ovador foco em um grupo de vilões, formado por um ex-presidiário e seis outros sujeitos que ele conheceu através de um grupo de ajuda a suicidas. Eles planejam roubar uma corrida de cavalos da forma mais violenta que puderem encontrar. O estudo, espécie de “Watchmen” dos super-vilões, promete ser interessante, mas é difícil dizer com tantas mudanças de diretrizes que aconteceram desde 2004, quando o comediante de palco Christopher Dean Johnston entregou o primeiro tratamento para a Working Title Films (“Queime Depois de Ler”). A produção foi engavetada, mas ressuscitou recentemente na Universal, onde o script recebeu a revisão dos estreantes Matt & Billy Eddy e passaram de comédia de ação para aventura dramática com toques irônicos, a ser comandada pelo inusitado nome de Seth Gordon (“Surpresas do Amor”). O diretor sobreviveu na função, mas além de roteirista o projeto mudou ainda de estúdio, agora sob a tutela da Warner e reescrito uma vez mais pelo mais adrenalinesco Justin Marks (“Street Fighter: The Legend of Chun-Li”). É esperar para ver o resultado de uma equação tão complexa.

A Sessão da Tarde do futuro... direto do passado

A confusão do título é digna dos paradoxos temporais mais intrigantes da terra do cinema, mas a situação na verdade nem é tão difícil de explicar. Um dos clássicos mais infelizmente esquecidos da Sessão da Tarde, a fantasia alemã e sucesso-supresa dos anos 80 “A História Sem Fim” marcou tanta presença nas sessões vespertinas e na infância de tanta gente que, é claro, não poderia ficar de fora do intenso revival oitentista que Hollywood tem marcado para os próximos anos. A nova adaptação da densa novela de Michael Ende veio para engrossar uma série de filmes revivendo a magia familiar dos grandes filmes de duas décadas atrás, um grupo que já inclui filmes tão esperados quanto “Tron 2.0”, “Os Caça-Fantasmas III” e “Esquadrão Classe A”. O projeto ainda está em fase de negociações entre a Appian Way, produtora do astro Leonardo DiCaprio e nome por trás do recente “O Curioso Caso de Benjamin Button” e a Warner Bros., detentora dos direitos sobre o material de origem e os filmes já feitos, integrantes de uma trilogia bastante criticada por deixar muitos detalhes da novela de fora. O plano é reparar os erros que começaram já no filme original, carta de entrada de Wolfgang Petersen (“Poseidon”) na terra do cinema. O filme, lançado em 1984, teve duas continuações em 1990 e 1994, sob a batuta de Chris Miller (“Happy Feet – O Pingüim”) e Peter MacDonald (“Legionário”), cujos trabalhos desagradaram profundamente os fãs e passaram longe da fama do original. Nada está certo ainda, mas caso o acordo for fechado logo, a refilmagem da história do garoto submergindo num mundo literário deve chegar aos cinemas em 2011.

Momentos eternos de uma lente enterrada

Entre os fotógrafos profissionais ou mesmo admiradores mais dedicados a arte da fotografia, não existe nome mais famoso que o de Robert Capa. Nascido na Hungria sob o nome de André Friedmann, ele se tornou com o nome artístico a personalidade mais venerada entre os profissionais do meio, especialmente por suas solenes imagens da Guerra Civil Espanhola e Segunda Guerra Mundial. Ele foi um dos poucos fotógrafos presentes no Dia D, onde eternizou o desembarque dos soldados na Normandia e ainda documentou a libertação de Paris no fim da Guerra entre o nazismo e os países aliados. Capa morreu em 1954, em decorrência de um passo descuidado e a explosão de uma mina enquanto registrava a Guerra da Indochina. Além do lado profissional, a vida pessoal do húngaro causou grande inte resse na época, especialmente graças ao relacionamento com a atriz Ingrid Bergman (“Casablanca”). Com um breve resumo de vida como esse, não é difícil imaginar que grande filme sairia dessa história, e parece que nós não fomos os únicos a perceber. Pierce Brosnan, “laureado” recentemente com o Framboesa de Ouro pela cantoria em “Mamma Mia”, já trouxe o projeto da biografia para a sua produtora, a Irish Dreamtime (“Encurralados”) e ainda fisgou o talentoso diretor Paul McGuigan (“Xeque-Mate”) para o comando do projeto, a ser financiado em parceria com a MGM. Não se sabe se Brosnan desempenhará um papel no elenco da biografia, mas o fato é que o projeto sobre Robert Capa foi um substituto para outra história real da qual ele iria participar, a biografia de James Miranda Barry, uma mulher que precisou se passar por homem para entrar no exército. Esse último projeto foi sabotado pela crise econômica.

Mais Bush, mais traição e mais espionagem no cinema

Recém-concluída, a desastrosa administração de George W. Bush como presidente dos Estados Unidos já rendeu o polêmico e pouco notado “W.”, do sempre politizado Oliver Stone (“Nixon”). Agora é a vez de um ataque mais  direto e da rede de intrigas tecidas em um dos casos mais marcantes da administração do texano. Em 2003, um escândalo foi armado pela imprensa quando uma coluna do jornalista Robert Novak trouxe em suas linhas a revelação da identidade de uma espiã da CIA . O que isso tem a ver com o governo? Valerie Plame (na foto), a tal espiã, era esposa do embaixador Joseph Wilson, notório desagrado e adversário político do mentor e assessor político de Bush, Karl Rove. A suposta vingança do figurão foi relatada pela própria Valerie no explosivo “Fair Game: My Life as a Spy, My Beatrayal By the White House” (“Jogo justo: minha vida como espiã, minha traição pela Casa Branca”, sem tradução para português), uma denúncia em forma de livro que provocou polêmica ao ser lançado apenas dois anos depois do caso, quando Bush filho continuava no cargo máximo da nação. Um pouco mais cautelosa, Hollywood decidiu aproveitar o potencial cinematográfico da história apenas depois da saída do presidente, e já acertou os ponteiros para que o abreviado “Fair Game” chegue aos cinemas logo no início de 2011. O roteiro já foi escrito, pelos irmãos Jez & John Butterworth, dupla responsável pelo morno pseudo-épico arturiano “A Última Legião”. Já a direção anima um pouco mais os fãs de adrenalina e conspirações: Doug Liman, um homem que já provou que entende de ação (“Jumper”), mas também sabe tecer intrigas governamentais (“A Identidade Bourne”). No elenco, por enquanto apenas o casal principal está definido, reunindo pela primeira vez Naomi Watts (“King Kong”) e Sean Penn (“Milk – A Voz da Igualdade” ).

Bom, pessoal, e por hoje é só isso mesmo… notícias de ótimos filmes para o futuro, uma crítica que deu o que falar sobre as virtudes (ou defeitos) da Hollywood atual… um dia bom, eu diria, muito bom… como sempre agradeço a todos os comentários e desejo só os melhores filmes para todos vocês. Até a próxima!