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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Harry Potter e o Enigma do Príncipe – Luz e trevas, morte e vida… fã e espectador de um fenômeno que começa o fim de sua jornada

Harry Potter e O Enigma do Príncipe (Harry Potter and The Half-Blood Prince, Inglaterra/EUA, 2009).

De: David Yates.

Com: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Ganbon, Tom Felton, Bonnie Wright, Jim Broadbent, Alan Rickman, Jessie Cave, Evanna Lynch, Helena Bonham-Carter.

153 minutos.

Se vocês me permitirem o intrometimento e talvez até a repetição, adoraria poder lhes contar uma pequena e simplória história sobre o nascimento de um fã. O ano era 2002, e este escriba que voz fala ainda não havia descoberto nem sequer todas as belezas da sétima arte, que dirá o maravilhoso mundo da informação virtual. Quando aquele garoto entrou no cinema em 22 de Novembro para ver Harry Potter a Câmara Secreta, porém, não podia imaginar que daquele dia nasceria uma paixão que me levaria, sem sombra de dúvida, até onde estou hoje. O segundo filme da série, mais uma vez dirigido por Chris Columbus (Esqueceram de Mim), era uma aventura de andamento próprio, único e não menos do que encantador, carregada por uma trama de suspense apoiada por evidências sutis, apresentadas de forma quase ao acaso. Embora eu com certeza não tenha notado na época, era quase como assistir a uma adaptação de Agatha Christie com uma boa dose a mais de diversão, pirotecnia hollywoodiana e, a longo prazo, personagens que de uma forma ou de outra marcariam para sempre a memória e o coração de muita gente. A partir do momento que eu saí daquele cinema, havia me tornado muita coisa que não era quando entrei. Era um cinéfilo agora, era mais um entre muitos fãs do maior fenômeno literário jovem do século e me tornaria também um leitor por prazer, como imagino que muitos mais se tornaram após a intervenção da britânica Rowling, autora desses livros que misturavam aventura, magia literal e mistério dos mais envolventes para produzir, como em uma produtiva aula de poções a cada página, a pura essência do encantamento. Rowling trouxe a sutileza de volta a voga na literatura, e pelo menos nas duas primeiras investidas cinematográficas da sua criação, parecia que faria o mesmo com o cinema. É claro, a partir daquele momento uma sessão de qualquer Harry Potter para mim e penso que para muitos outros, era uma experiência dividida entre a visão de cinéfilo que podia entender certas escolhas de roteiro e direção, e a de fã, que era capaz de gritar de revolta ao ver sua obra preferida mutilada. Eu sei que parece egoísta, mas quem é fã deve saber bem do que eu estou falando, porque para começar quem verdadeiramente ama esse trio de ouro que compõe o trivial de qualquer aventura da série, não há filme perfeito e não há adaptação que não seja passível de uma ou outra correção. É em momentos como esses, sentado confortavelmente em uma sala de cinema sem conseguir evitar de ver cada cena de minha série preferida com uma lente de aumento, que renovam a fé de que a imaginação humana é mesmo algo único e misterioso da forma como deveria ser. Na tela nada ou quase nada acontece da forma como nossa mente projetou ao ler as frases do livro, e de alguma forma impossível de evitar aquela nova visão, a do diretor ou do roteirista, cai como uma luva ligeiramente apertada ou folgada demais. Por melhor que seja a cena, e somos capazes de notar isso apesar dos que dizem os críticos mais entendidos, não é da forma como queríamos, e nunca será. O filme é produto conjunto de mentes e pensamentos que não são os nossos, e quando nossa imaginação projeta algo que marca tão profundamente em nossa memória e sentimento, não há como não sentir uma espécie de revolta, mesmo que culpada. Sexta e antepenúltima aventura em terras cinematográficas dos bruxos, Harry Potter e o Enigma do Príncipe soa como um produto de cinema válido, quase notável, mas é simplesmente impossível de digerir de forma completa para quem foi apresentado ao tratamento único da autora dos livros a um tempo de névoa e guerra que marca o mundo dos bruxos e dos humanos “normais” na sexta aventura em papel. A sutileza é jogada para o alto em favor da brutalidade, e talvez seja isso mesmo que sirva melhor ao cinema do novo século, mas não poderia ter havido pecado maior para um fã do que esse.

De fato, é quase admirável as mudanças e esforços empreendidos pelos produtores para tentar recuperar a confiança dos fãs de longa data desses personagens, ainda mais a luz da chuva de críticas que desceu sobre Michael Goldenberg (Peter Pan) quando o inglês estreou na batuta do roteiro da série em A Ordem da Fênix já deixando de fora diálogos considerados sagrados pelos fãs e de fato essenciais para o desenvolvimento de uma então subtrama que se tornaria mais do que essencial no decorrer da aventura dos livros posteriores. Para o novo filme a Warner tornou a chamar Steve Kloves, o inconstante responsável pelos quatro filmes anteriores e pelo aplaudido texto da dramédia Garotos Incríveis, dessa vez na adaptação de uma trama extrema e perigosamente pessoal para os fãs, ansiosos para assistir o já noticiado primeiro namoro de seu herói e as complicações nos romances entre os personagens que todos tanto amam. Eliminado o elemento surpresa que impregna todo o sexto livro da série nas palavras sempre acertadas de Rowling, a missão de Kloves era ainda mais complicada ao corresponder as expectativas de pelo menos duas platéias. Uma, fanática pelos livros que queria fidelidade e sentir aquele arrepio correr pela espinha nos momentos mais grandiosos, especialmente no clímax da trama, o mais emocionante da série até então, e outra, de críticos empolgados com todo o clima político do quinto filme, que queriam mesmo é ver a guerra entre o lado negro e o lado iluminado da magia explodir em tela antes da hora. O resultado de tanta pressão, ainda mais ao lado da expectativa acumulada devido a polêmica decisão do estúdio em adiar em quase um ano a estréia do novo filme, é um texto que não agrada integralmente a nenhum dos lados, mas tem seus acertos e sua soluções inteligentes. De forma muito mais notável no começo do filme, Kloves consegue montar a guerra já esperada sem com isso irritar os fãs, gerando interesse em ambos os lados da batalha, resumidos com sabedoria em uma série de cenas rápidas e impressionantes. Porém, quando decide deixar para trás certos momentos decisivos para o desenvolvimento da personalidade de alguns personagens cujos traços seriam reforçados no sétimo livro, já anunciadamente dividido em dois filmes a serem lançados em 2010 e 2011, Kloves erra e produz cenas que não marcam tanto quanto as descritas pelas palavras da autora. No clímax, aliás, sem querer estragar um par de surpresas, é mais do que oportuno observar que o roteiro corta pelo menos duas das frases mais marcantes de toda a série em favor de um par de efeitos especiais impressionantes que, apesar da maestria técnica da super-produção, não conseguem emocionar e envolver da forma como fariam estudos tão intensos de dois personagens que se tornarão elementos-chave na trama derradeira. Mais uma vez a trama nos leva de volta a Escola de Magia de Hogwarts, não antes de deixar bem claro que o mundo dos humanos “normais” também não está imune a guerra que começa a se desenrolar nos domínios bruxos. Nesse clima de paranóia e opressão somos levados de novo ao mundo de magia que a série sempre ofereceu ao espectador, dessa vez com um clima de suspense mais acentuado e focado no até então apenas irritante Draco Malfoy (Tom Felton), que finalmente recebe sua Marca Negra e uma missão perigosa para desempenhar a mando do bruxo das trevas mais poderoso de todos os tempos. Enquanto isso, temos Rony Weasley (Rupert Grint) ganhando seu lugar na equipe de quadribol e arranjando uma namorada que rende momentos bem engraçados, Lilá Brown (Jessie Cave). É curioso que, para o filme que antecede uma trama tão focada em seu principal personagem quanto Relíquias da Morte, essa sexta aventura tem poucas cenas de fato marcantes para Harry, mais uma vez interpretado por Daniel Radcliffe. É bem verdade que temos a primeira namorada do herói, Gina Weasley (Bonnie Wright), mas a forma como o roteiro trata o romance é tão menos focada que a do livro que de envolvimento de verdade temos muito pouco enquanto o passado do vilão Lord Voldemort nos é revelado de forma fascinante por meio de lembranças bem mixadas ao restante da trama, nas aulas particulares do protagonista do o diretor Dumbledore (Michael Ganbon), mais sábio e importante do que nunca no contexto da trama.

Com tantos erros e acertos pesados em uma trama que deveria e termina sendo quase espontaneamente tão marcante, é fato que não raro o elenco de peso reunido pela série precisa segurar as pontas das cenas mais indecisas. Da parte jovem da lista temos um Daniel Radcliffe um tanto perdido em meio a um foco tão fraco no personagem que interpreta, tentando segurar as pontas e conseguindo dar a Harry a sensação de deriva e confusão que impregna todos os pensamentos do protagonista no livro. Se Radcliffe se mostra desenvolto mesmo em meio a alguns erros, seu par não pode ser parabenizado da mesma forma. Pela primeira vez mais destacada na pele de Gina Weasley, a graciosa Bonnie Wright não consegue evidenciar toda a personalidade que marcou a personagem nos livros e acaba criando mais um par quase inexpressivo para um protagonista que, sem ter no que se apoiar, acaba soltado ao vento em algumas cenas. Ao menos temos um ponto a favor das garotas com Emma Watson, que dá seu maior show na série até agora tendo que lidar com as primeiras evidências mais claras de uma paixão pelo amigo Rony e injetando bastante emoção a pelo menos um trio de cenas que poderiam passar quase despercebidas. No final, numa das mais bonitas e marcantes cenas criadas com precisão cirúrgica por Kloves, a câmera em um close na interpretação de Emma resume tudo aquilo que cada espectador deve estar sentindo naquele momento. Quem também sai ganhando é Evanna Lynch, mais uma vez a encarnação quase literal da excentricidade de Luna Lovegood e uma das mais carismáticas e marcantes figuras do filme, ainda mais quando salva o herói de uma situação complicada no início e o acompanha em um dos momentos mais engraçados do filme, quase na metade da projeção. Luna e Evanna são a dupla perfeita que, não raro, concedem um pouco de alma e ingenuidade a uma trama de tamanho perigo, suspense e expectativa. Isso ao lado de Rupert Grint, carismático da cabeça aos pés ao encarar algumas das mais marcantes e divertidas cenas do filme, seja lidando com não uma, mas duas tramas de romance, seja segurando bem as pontas nos momentos cômicos e dramáticos de Rony, que cresce muito ao olho do espectador no novo filme. Aliás, no extremo oposto da trama mas também num momento de puro crescimento está Tom Felton e seu juvenil vilão Draco Malfoy, que passa sem escalas de adolescente irritante para ameaça mais do que sólida e se torna um personagem de complexidade impressionante na atuação que não raro é a que mais arranca sentimentos de verdade do espectador comum. Isso porque, é claro, há todo um novo sabor no Dumbledore de Michael Ganbon para quem conhece a importância do personagem na série e na trama, e o ator não decepciona, finalmente encarnando de verdade o diretor da escola mais famosa do mundo da magia e se tornando o elo emocional mais forte com o espectador. Mais por causa dele do que pelo roteiro ou pela direção, o final é aterrador, triste e faz a realidade cair como uma pedra na mente e no sentimento do espectador. Guerra é morte, e se há uma encarnação para ela em Enigma do Príncipe essa encarnação é Belatriz Lestrange, levada com sabedoria por Helena Bonham-Carter em uma interpretação acertadíssima que vai além da loucura demonstrada nas poucas cenas do quinto filme para se tornar o puro símbolo da maldade que a bruxa má é nos livros. De novidade mesmo só o Horácio Slughorn de Jim Boradbent (Moulin Rouge!), dono de pelo menos uma cena impressionante, mas que não cumpre a promessa de ladrão de cenas que carregava das palavras de Rowling e dos produtores do filme. Quem rouba o show mesmo é Alan Rickman, mais uma vez a encarnação literal e magnífica de Snape e a única razão pela qual o corte de uma das frases mais marcantes do personagem (“Não me chame de covarde!”) não fazer assim tanta falta. Atuação, aliás, que só deixa mais forte o trabalho sólido de câmera empreendido por David Yates, o homem por trás do visual mais sombrio e realista que a série já teve, que já assinou contrato para as duas partes derradeiras da série. Ele sabe quando ser detalhista e filma as melhores e piores cenas do roteiro de Kloves com sabedoria e clima variável, num trabalho daqueles de se admirar pela adequação de gênero. Em meio a ângulos acertados, palavras que nem sempre soam como deveriam e um elenco muito mais do que essencial, porém, Enigma do Príncipe é um competente interlúdio para a guerra de verdade, sombria e alucinante, a ser assistida no fim da série. Por enquanto, é o bastante de Harry e sua turma. Até o ano que vem.

Nota: 8,0

domingo, 31 de maio de 2009

Posters na Parede – Os Novos Cartazes

Tudo Pode Dar Certo (2009)

whatever works

Que Woody Allen merece um capítulo a parte na história do cinema não deve ser novidade para ninguém, mas é fato que o cineasta e roteirista nova-iorquino gosta de remar contra a maré. Em tempos de importação hollywoodiana de diretores europeus, Allen precisou respirar os ares do Velho Mundo para encontrar renascimento criativo depois de uma série de filmes mal-recebidos pela crítica e pelos fãs. Dessa safra recente do diretor saíram o suspense Match Point, a comédia Scoop, e o excêntrico Vicky Cristina Barcelona. Agora, estabelecido e adorado por lá, Allen nos aparece com uma volta para casa. A amada Manhattan que serviu de cenário para impressionantes três dezenas de filmes do diretor entre 1977 e 2004 voltou com brilho para a câmera sempre observadora de Allen em Tudo Pode Dar Certo, tradução otimista de Whatever Works. A nova obra passou primeiro pela aprovação do exigente público do Festival de Tribeca, que acontece desde 2002 em uma das vizinhanças mais devastadas pelos ataques do 11 de Setembro em Nova York, o que motivou a Sony Classics a adiantar a estréia comercial do filme para Junho. A história soa como uma versão mais otimista e cômica do dramático Vênus estrelado por Peter O’Toole (Lawrence da Arábia) em 2006. No filme de Allen, Larry David (Seinfeld) encarna Boris Yellnikoff, um excêntrico nova-iorquino que decide deixar a vida elitista para experimentar mais da boemia. Na noite da cidade ele conhece uma garota do interior e sua família adorável, um encontro que gera confusões e complicações para ambos os lados. O papel da garota por quem, na verdade, Boris se apaixona, ficou para Evan Rachel Wood (O Rei da Califórnia), uma das jovens atrizes mais alogiadas e talentosas da nova geração, que conquistou até uma indicação ao Globo de Ouro pelo desempenho em Aos Treze, de Catherine Hardwicke (Crepúsculo). O elenco sempre estrelado de Allen aparece mais comportado em Whatever Works, talvez pela vontade de injetar realismo a uma típica história de Manhattan. Além da dupla de protagonistas, o filme conta apenas com o rosto conhecido de Patricia Clarkson, que já havia trabalhado com o diretor em Vicky Cristina Barcelona.

American Teen (2008) e Religulous (2008)

american teen

Essa história preconceituosa de “documentário é uma coisa chata” ficou completamente ultrapassada no cinema-verdade do século XXI. Só nos três últimos ganhadores do Oscar da categoria, tivemos um relato poético e emocionante de uma jornada natural (A Marcha dos Pingüins), um registro instigante e importante de uma palestra sobre o maior problema que teremos em nossas mãos nos próximos anos (Uma Verdade Inconveniente) e até uma obra tensa e carregada de perigo palpável (O Equilibrista). Dois dos mais bem cotados para entrarem nessa lista na próxima edição do prêmio da Academia também prometem passar longe do tédio que é comumente ligado ao gênero documental. O primeiro, American Teen, passou arrasando pelos festivais do circuito americano, faturando o prêmio de melhor documentário no prestigiado Sundance. O trabalho da nova-iorquina Nannette Burstein, conhecida pela biografia O Show Não Pode Parar, compilou em sua nova obra a vida de cinco jovens tipicamente americanos, daquele tipo de estereótipo que vive fazendo a graça das comédias ianques. Com uma diferença: eles são de verdade. Hannah Bailey é a rebelde, Colin Clemens é o atleta, Geoff Haase é o nerd, Megan Krizmanich é a rainha do baile e Mitch Rainholt é o garanhão. Todos os cinco na mesma escola, com vidas separadas, dramas diferentes que tomam proporções inimagináveis mesmo partindo de pequenos erros. A figura central é justamente a rebelde que desafia os rótulos e tenta ser ela mesma em meio a pessoas que usam máscaras e disfarces para serem “populares”. No Brasil, o filme deve chegar em salas de cinema seletas por volta de 22 de Maio. Bem mais explosivo e menos pessoal deve ser Religulous, desde já candidato sério ao prêmio de melhor documentário do ano. A começar pelo diretor, Larry Charles, que chocou o mundo com a hipocrisia americana na comédia Borat estrelada por Sasha Baron Cohen (Sweeney Todd). Ele, dessa vez, foi um mero observador para as estripulias de Bill Maher, um apresentador de TV britânico que fala sem papas na língua sobre a função da religião e de Deus na nossa sociedade. Ao discutir o assunto com centenas de pessoas ao redor do mundo, Maher e Charles formaram um explosivo, instigante e irônico retrato da religiosidade no mundo. E não, não deve ser chato.

 religulous

Pandorum (2009)

pandorum

Não raro, a ficção científica é um gênero potencialmente perturbador. E talvez não exatamente por seguir uma cartilha clássica do suspense de verdade, mas por freqüentemente explorar o medo mais enraizado de qualquer ser humano. O medo do desconhecido. Porque, tão sem motivo, tememos o que não entendemos completamente? Talvez porque queremos ter controle sobre tudo e ter a certeza de que estamos sozinhos, reinando soberanos ante ao universo, que apenas nos espera para explorá-lo. E se, de repente, acordássemos sem saber onde estamos, sem saber quem somos, sem saber para onde vamos, e descobríssemos que o mundo que conhecíamos como nosso ficou para trás? Assim é a premissa de Pandorum, que se junta a Moon no posto de ficção científica mais promissora dos próximos meses. O slogan estampado nos posters de divulgação da produção e no trailer recém-lançado diz tudo em uma frase: “Não tema o fim do mundo. Tema o que acontece depois”. Dois tripulantes acordam em suas câmaras criogênicas sem saber quem são e o que fazem naquela nave espacial. Seguindo o instinto natural humano, tentam lembrar dos fatos que os levaram até lá e, no caminho, encontram mistérios ligados a sobrevivência da humanidade e descobrem que não estão sozinhos. Os rumores em torno do destino de uma premissa tão instigante e potencialmente apoteótica começaram a esquentar em meados do ano passando, quando a dupla de protagonistas foi escalada pelo produtor Paul W.S. Anderson (Resident Evil). O primeiro a embarcar no projeto foi Dennis Quaid (O Dia Depois de Amanhã), que anda em um momento de reformulação da própria carreira. Ao lado dele, o jovem e talentoso Ben Foster (30 Dias de Noite) completa a dupla de protagonistas que deve monopolizar todo o tempo de tela sob a vigilância da câmera confinada do alemão Christian Alvart (Anticorpos) e seguindo o roteiro de Travil Milloy (O Sorriso de Mona Lisa). O apocalipse deve chegar as telas em 04 de Setembro.

A Era do Gelo 3 (2009)

ince age 3 

Há algo de diferente em A Era do Gelo. Em 2001, quando a corrida dos estúdios pelo monopólio da animação digital dava sua emocionante largada, a Blue Sky Studio chegou correndo por fora e trazendo a aventura diferenciada desses animais pré-históricos tentando salvar uma criança humana. Era uma trama divertida, cheia de boas tiradas cômicas, com um visual impressionante e excepcionalmente bem trabalhado, mas acima de tudo era a história do nascimento de uma família. Pode parecer piegas, mas como é possível negar os laços fraternais que unem os protagonistas depois de um deles ganhar uma companheira fiel na bem-sucedida continuação? Tudo bem, ainda estamos falando de um produto de estúdio, de um filme feito para estourar nas bilheterias, mas ao menos de um com alma e emoção. De repente, aqueles não são mais animais, mas estranhos seres humanos metidos em uma jornada de riscos e perigos, em um mundo que está mudando, mas permanecem juntos. Três anos depois de passarem pela provação do início do derretimento das geleiras, eles retornam com A Era do Gelo 3. A opção de manter o mesmo time era quase óbvia, uma vez que o segundo exemplar da franquia beirou os 200 milhões de dólares apenas em solo americano, e por isso aqui estamos com mais uma obra de Carlos Saldanha, o orgulho nacional. Ou ao menos deveria ser. Fazendo o jogo dos estúdios ao mesmo tempo em que constrói uma carreira sólida e talentosa, o brasileiro volta ao comando da saga dos amigos para acrescentar mais alguns elementos “familiares”. Para começar, o casal de mamutes  Manny e Ellie se prepara para a chegada de um bebê e passa por todas as neuroses desse período. Enquanto isso, o tigre Diego passa por uma crise de identidade, cansado de ser tratado como um animal de estimação e vendo o caçador dentro de si ressurgir aos poucos. Sid, a prequiça, por sua vez, tenta formar uma família para si mesmo mas mexe no lugar errado ao roubar o ovo de um dinossauro. É partindo dessas premissas que os heróis, mais o hilário Scrat, se vêem enfrentando dinossauros em um bizarro mundo subterrâneo. A novidade do ano? O filme, que deve ser o mais grandioso da série, será exibido em 3D. Boa sorte em 1º de Julho.

 ice age 3

 A Mulher Invisível (2009)

mulher invisível

O que o cinema brasileiro precisa é a ambição de ser menos arte e mais entretenimento. Afinal, a gigantesca indústria americana já bem nos ensinou que são os grandes eventos, os filmes feitos para dar lucro, que sustentam as obras de arte. E além do mais, não há nada de errado com a ambição de divertir. Veja a Conspiração Filmes, por exemplo. Acusada diversas vezes de ser uma produtora de “filhinhos de papai” querendo fazer cinema, a produtora vem crescendo muito no panorama cinematográfico nacional, combinando obras com pretensão mais alternativa ou artística com filmes direcionados a um público mais popular, mais ao acaso. Enfim, ao freqüentador médio de cinema no Brasil. Nessa linha, se destacou em 2004 o inclassificável Redentor, a estréia promissora do cineasta Cláudio Torres em longas-metragens. Elogiado pela crítica, o filme teve um papel importante na história do cinema brasileiro por introduzir efeitos especiais mais ousados no arsenal de armas dos cineastas tupiniquins, e ainda saiu da brincadeira com uma boa bilheteria para os padrões brasileiros. Em A Mulher Invisível, Torres retorna a direção repetindo os elementos de fantasia e abusando da visibilidade de um dos atores cinematográficos com mais credibilidade na atual produção brasileira. O nome, é claro, é Selton Mello, recém-saído das internacionais filmagens de Jean Charles e do posto de herói da crítica pelo independente O Cheiro do Ralo, um cara inteligente e talentoso que retorna ao seu ambiente primário ao estrelar a nova comédia romântica de Torres. Ele é Pedro, um romântico incurável que nunca perde a esperança de encontrar a mulher perfeita, ainda que todas suas prévias tentativas tenham terminado de forma bastante trágica. Apenas quando é mais uma vez desiludido e deixaod sozinho que ele encontra o que procurou a vida toda na pessoa de Amanda, sua vizinha linda, simpática e atenciosa. As coisas ficam um pouco mais complicadas quando ele descobre que ela não pode existir fora de sua imaginação. Uma pena quando estamos falando de Luana Piovani, é claro, mas há quem diga que a atriz nunca esteve tão graciosa e contundente quanto no papel de Amanda. O elenco de apoio é de peso: Fernanda Torres (Os Normais), Maria Luísa Mendonça (Jogo Subterrâneo), Paulo Betti (A Casa da Mãe Joana) e Vladimir Brichta (A Máquina). Todos eles estreiam em 05 de Junho.

Harry Potter e o Enigma do Princípe (2009)

hp6 

A magia negra tomou conta da Warner Bros em meados de 2008. Ou ao menos foi o que, eu asseguro, todos os fãs do maior fenômeno literário e cinematográfico do século pensaram ao receberem a nóticia de que o novo exemplar de sua série preferida havia sido adiado… em quase um ano. Admito que eu mesmo não me conformei com a notícia por algum tempo, mas hoje até compreendo. Não resta dúvidas de que se tratou de um ato desrespeitoso com os fãs, mas é claro que, em uma análise mais puramente técnica, a decisão do estúdio foi acertada. Acompanhe comigo: você já tem o maior sucesso do ano na bagagem, com hype de Oscar aparecendo por todos os lados e elogios rasgados até dos críticos mais exigentes. Sobre o ano seguinte, o comentário geral é que será profundamente afetado por uma crise econômica e ainda terá seca de grandes blockbusters graças a uma greve de anos atrás. Você não tem nenhum grande filme para esta época. Sinceramente, qual seria sua decisão? A Warner seguiu o caminho mais curto e mais lógico, por mais que isso tenha enfurecido fãs indignados. E ponto. Agora vamos falar do que realmente importa, no final das contas: o filme. A começar pelo retorno do britânico David Yates, que já havia comandado o filme anterior da série, A Ordem da Fênix, e recebeu elogios pelo clima político que imprimiu a uma obra que tinha essa ambientação também em papel. Agora, a história é outra. O Enigma do Princípe, todo bom fã sabe, é o livro que contém todas as informações importantes para o desfecho magistral que J.K. Rowling orquestrou no sétimo exemplar de sua série. É também o tomo que define as relações entre os personagens de forma mais marcante, inclusive deixando para trás boa parte da ação da série, que neste capítulo se concentra bastante no final apoteótico. Ainda assim, e talvez mais importante, O Enigma do Príncipe é palco da morte mais melancólica e definidora da série. Não vou estragar a surpresa de quem não leu, mas basta dizer aos fãs que o retorno do roteirista Steve Kloves deve garantir ao menos uma tratamento digno para essas e outras passagens tão marcantes. Das sempre abundantes novidades do elenco, o destaque do momento é Jim Broadbent (Moulin Rouge!), que vem para encarnar o Slughorn que todos os fãs sonharam, e Hero Fiennes-Tiffin, o filho estreante de Voldemort em pessoa, Ralph Fiennes (Na Mira do Chefe), que encarna o vilão furante a infância, em uma das lembranças mais adoradas pelos fãs da série. Também entram no barco Helen McCrory (A Rainha) como Narcissa Malfoy, e Dave Legeno (Alex Rider) na pele do lobisomem Fenrir Greyback. A aventura já aconteceu. Resta a nós, pobres trouxas, esperar até 15 de Julho para conferi-la.

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Bom, pessoal, primeiro devo algumas explicações a vocês. Os Boletins andam bem atrasados, mas é tudo pela boa causa daquele especial que eu falei para vocês há algum tempo. Garanto que ele está em fase final. Também tenho algfumas críticas para serem escritas, mas tenho deixado-as para depois. Finalizei esse post para tentar remediar um pouco essa ausência, e provavelmente até terça-feira nosso especial estará por aqui. Tudo bem? Obrigado como sempre pela compreensão. Por enquanto, os melhores filmes para todos vocês e até mais!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (11/03/2009)

Ela, a Amazona

Quando a expressão “a mulher mais desejada de Hollywood” aparece em qualquer texto, dos mais baratos aos mais sofisticados, o nome que vem a seguir é invariável: Scarlett Johansson. Ela, que passa longe de ser burra, já usou os encantadores atributos físicos para conquistar gente de respeito como Woody Allen, que nos últimos anos parece simplesmente incapaz de filmar sem Johansson em cena. Do genial “Match Point” ao divertido (e nada além disso) “Scoop – O Grande Furo”, passando pelo inovador “Vicky Christina Barcelona”, a nova-iorquina de origem dinamarquesa figurou em todas as produções do diretor em sua recente fase européia. E até os críticos ela já conquistou, angariando quatro indicações ao Globo de Ouro, incluindo uma indicação simultânea em 2004, por “Encontros e Desencontros” e “Moça com Brinco de Pérola”. Se com tamanho charme em serviço de dramas densos e comédias irresistíveis a beldade de 25 anos já conquistou tanto espaço, imaginem todos esses atributos (físicos e artísticos) emprestados para uma guerreira amazona. Na mitologia grega, elas eram bravas guerreiras, mulheres fortes e poderosas que muitas vezes garantiam a segurança da nação em batalhas épicas. Para aqueles que preferem os quadrinhos as aulas de história, a Mulher-Maravilha talvez seja a amazona mais conhecida da atualidade. Será que podemos esperar trajes apertados por parte da atriz no vindouro “The Amazon Warrior”? Com as poucas informações liberadas, é impossível deduzir, mas o fato é que a idéia de um épico com as guerreiras teria sido idéia da própria atriz, que entregou para Dirk Blackman & Howard McCain (“Outlander”) desenvolverem o roteiro. Nas palavras dela: “Já fiz treinamento para armas, já pulei de um prédio de quase 20 metros de altura e aprendi a cavalgar para O Encantador de Cavalos, mas nunca fiz um filme de ação inteiro, será divertido”.

A todo vapor

De uma hora para a outra, a entrada de Kenneth Branagh (“Frankenstein de Mary Shelley”) na direção de “Thor” parece ter dado o impulso que faltava para a Marvel Studios transformar o projeto do deus do trovão de possibilidade distante para prioridade absoluta. Faz menos de um mês que o britânico embarcou no projeto, coberto dos elogios dos produtores e detendo toda a confiança dos administradores do estúdio da editora, que anda as voltas ainda com as idas e voltas de “Homem de Ferro 2”, um projeto muito mais complicado do que a primeira vista pareceria. Enquanto Tony Stark não se decide sobre temas, vilões, aliados e até mesmo direção (há pouco tempo o cargo de Jon Favreau parecia ameaçado), Branagh trabalha a toda potência para produzir o que pode ser o épico celestial mais espetacular de todos os tempos. Cerca de uma semana atrás, o filme, oficialmente batizado de “O Poderoso Thor”, ganhou uma data de estréia surpreendente. Ao invés da previsão anterior, que datava o filme para o final de 2011, o anúncio oficial adiantou o filme em um ano e alguns meses, jogando-o diretamente no disputado verão americano de 2010. Mais especificamente, 16 de Julho. Poucos dias depois, o site LatinoReview publicou notícias um tanto infundadas para o provável ocupante do cargo de protagonista. Segundo eles, Alexander Skarsgard, conhecido pelo trabalho na série “True Blood”, era o mais cotado a assumir o papel. Como “provas”, o site publicou fotos de Branagh almoçando em um restaurante em Los Angeles ao lado de Alexander e do pai, Stellan Skarsgard (“Piratas do Caribe”). Embora não seja oficial, a notícia faz sentido com o perfil soltado na Internet oferecendo o modelo de ator desejado por Branagh para seu protagonista. Enquanto o protagonista pode ser representado por um semi-desconhecido, o vilão da trama deve ter um nome mais familiar nos créditos. Embora nem mesmo a participação de Loki esteja garantida, os rumores mais recentes dão conta de Josh Hartnett (“30 Dias de Noite”) encarando seu primeiro vilão como o deus da trapaça que provocou a primeira reunião dos Vingadores.

Fraude cinematográfica

Um homem funda uma rede de lojas de eletrodomésticos, anuncia preços impossíveis na televisão, implanta uma promoção diferente a cada semana e se espalha pelo país como uma praga. Meses depois, é acusado de fraude e passa seis longos anos encarcerado. Nada de fantasticamente incomum nos dias de hoje, mas imagine tudo isso tomando lugar nos ainda pouco modernizados anos 70. Eddie Antar foi um inovador para sua época, criou o sistema de vendas que todos conhecemos e criticamos hoje, foi pioneiro em abrir uma loja de eletrodomésticos popular. Depois da acusação, sem controle da própria rede de lojas, o homem viaja a Israel, para onde havia encaminhado alguns milhões de dólares e vive um par de anos tranqüilos até ser descoberto e extraditado, cumprir pena até 1999 e pagar 150 milhões de dólares em multas para os clientes enganados por seus acordos pouco convencionais. Uma vida que daria um filme. Como sempre, Hollywood não a deixou passar por muito tempo. “Crazy Eddie” já é estranho em seu próprio nascimento. Para começar, o roteirista Peter Steinfield (“Quebrando a Banca”) não teve biografias para se basear para escrever o roteiro, e quando este estava pronto, foi obrigado a adquirir os direitos... sobre a vida de Eddie! Soa como algum tipo de arranjo ilegal? Ainda bem que o mundo ainda crê em coincidências. De qualquer forma, Steinfield já conseguiu um valioso apoio na procura de um estúdio para produzir o filme. Há algum tempo que o nome de Danny DeVito (“Batman – O Retorno”) não é sinônimo de sucesso, mas pelo menos atrás das câmeras a última experiência do diminuto ator, a comédia “Duplex”, estrelada por Ben Stiller (“Com a Bola Toda”) e Drew Barrymore (“As Panteras”), se deu bem nas bilheterias. Não por acaso, ele está envolvido apenas com a direção de “Crazy Eddie”, que empresta o título do nome da rede de lojas de Antar, que deve colaborar com a produção para um retrato mais fiel da própria vida.

Sinal de aproximação

Essa não é uma notícia fria, puramente informativa. A dissertação que você verá abaixo foi formada com as palavras de um fã (este autor que vos fala), e provavelmente soará um tanto tola para quem não compartilha da condição de fanatismo peculiar a determinado universo mágico que vem conquistando o mundo desde 1999. Pronto, está avisado. Desta frase adiante você está por sua conta e risco. Ainda aqui? Então aqui vamos nós. Uma legião aguarda, silenciosa ainda mais pronta a explodir a qualquer momento. Guardando a energia para o esperado 17 de Julho que deveria ter sido 21 de Novembro, uma das decisões mais controversas do último ano. É claro, os cinéfilos bem informados já captaram que o assunto aqui é “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”. E além, é claro. Sim, porque independente de atrasos ou remarcações, estaremos lá para conferir cada passo de nosso eterno herói se aproximando cada vez mais do fim que todos nós conhecemos. Eu espero, pelo menos. 17 de Julho chegará, 17 de Julho passará, e o que virá depois para nós, pobres fãs? Um tortuoso e desencontrado ano de espera até que a primeira parte de nosso momento máximo aporte nas salas de cinema do mundo todo. “Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte I”, promete quebrar recordes de bilheteria para a série e para o cinema em geral. Mas ainda está muito distante. 19 de Novembro de 2010 parece tempo demais para esperar com a mesma escassez de notícias que enfrentamos antes do adiamento de Enigma do Príncipe. Mas, não percam a esperança! A Warner parece finalmente ter acordado e se dado conta do quanto dinheiro nossa série preferida rende para eles, e mesmo com mais de um ano até a estréia da (primeira parte da) última aventura da saga, as primeiras fotos já foram liberadas para os jornais do mundo inteiro. Tudo bem, não é a coisa mais empolgante e reveladora do mundo, mas pelo menos dá uma primeira noção de como deve ser uma das cenas mais esperadas pelos fãs (quem leu sabe do que estou falando). E, é claro, evidencia que o sinal começa a se tornar verde para que o bruxo de raio na testa (sempre odiei esse termo, mas tudo bem) invada os cinemas de uma vez por todas. Eu já estou na fila.

Bom, pessoal, é só isso mesmo… quero como sempre agradecer a todos os comentários que eu recebi depois dessa volta ao trabalho… é bom perceber que estou ganhando visitantes regulares. Bom, como sempre, os melhores filmes para todos vocês e até a próxima!

segunda-feira, 2 de março de 2009

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (02/03/2009)

Mais risadas filosóficas com Reitman

Para o filho de um diretor consagrado entre as comédias descompromissadas (Ivan Reitman, mais conhecido por “Caça-Fantasmas”), Jason Reitman tem embarcado em projetos que, apesar de não abandonarem o lado cômico, encontram grande repercussão ao discutir temas relevantes. Primeiro foi a indústria assassina do tabaco no contundente “Obrigado por Fumar”, e em seguida ele mirou sua cr ítica a falta de compromisso dos jovens com o doce e encantador “Juno”. Ao que parece, agora é a vez de Reitman dar sua visão sobre o conformismo e a mediocridade. “Up in The Air” conta a história de um daqueles homens de classe média que se contentam com pequenas realizações em uma vidinha medíocre e entediante. Esse é Ryan Bingham, um profissional que ganha a vida assessorando empresas na hora de demitir seus funcionários, um emprego deprimente que ele deixa para trás para mergulhar em um misterioso novo trabalho na Austrália, procurando chegar a sua meta de vida maior: acumular 1 milhão de milhas áreas viajadas em toda a sua vida. Assim como fez com sua estréia na direção, Bateman não apenas movimenta as câmeras desta adaptação de um best-seller de Walter Kirn (“Impulsividade”) como também escreve o roteiro, que já atraiu alguns astros para os complexos papéis do escritor. O personagem principal deve ser interpretado por George Clooney, saído outra adaptação, “Fantastic Mr. Fox” (baseado na novela de Roald Dahl, o mesmo de “A Fantástica Fábrica de Chocolates”), e o politizado astro contracenará com gente do calibre de Vera Farmiga (“Os Infiltrados”) e o comediante Jason Bateman, que trabalhou com o diretor em “Juno” e contracenou com Will Smith no divide-opiniões “Hancock”. “Up in The Air” deve sair ainda no final desse ano.

Monstro duradouro

“Cloverfield”, mesmo depois de um ano de seu comentado lançamento, continua sendo o filme mais cult do nosso século. Um cult planejado, é verdade, e minuciosamente. Afinal, quem poderia resistir a tantos mistérios e tão poucas respostas de verdade, um modo de filmagem tão “revolucionário” (ainda que “A Bruxa de Blair” o tenha usado uma década atrás) e a idéia de um “Godzilla” americano, um filme de monstro para mobilizar e representar o país no gênero? E a receita ainda incluía o melhor dos efeitos especiais hollywoodianos, usados com tanto cuidado que seria impossível não aplaudir de pé! A receita deu certo para o diretor estreante Matt Reeves e para o produtor J.J. Abrams (“Lost”), que viram seu filme ser destrinchado na Internet meses antes do lançamento e o resultado final ultrapassar a barreira da centena de milhões de dólares apenas em terras americanas. Nesse meio tempo, o formato virou moda adotada por gente do calibre de Brian DePalma (“Redacted”) e George Romero (“Diário dos Mortos”), e a partir daí não é preciso ir muito longe para imaginar que “Cloverfield” já ganhou continuação garantida. Os primeiro nome confirmado, é claro, foi o do produtor, que acertou com a Paramount para a distribuição da seqüência produzida por seu próprio estúdio, o Bad Robot. Ao que parece, o acerto é mais complicado para o diretor Matt Reeves, que tenta negociar um salário para um contrato único dando conta de dois filmes. Além da continuação, Reeves dirigiria “The Invisible Woman”, descrito como “um thriller hitchcockiano sobre o desespero de uma mulher ao ver sua família ameaçada”. Mas assim que o contrato for fechado Reeves assumirá o comando do roteiro, mais uma vez escrito por Drew Goddard (“Buffy”), que disse ter idéias para uma continuação pouco convencional, que se cruzaria com a história do original em poucos pontos apenas para mostrar o destino dos personagens que sobreviveram.

Menina-prodígio

Considerada por muitos a mais talentosa do trio de protagonistas da série “Harry Potter”, a parisiense (acreditem ou não, ela só se mudou para a Inglaterra aos seis anos) Emma Watson, intérprete da prodigiosa Hermione Granger nos filmes da série, parece ter herdado a inteligência excepcional que marcou sua personagem entre os fãs. Perto de completar dezenove anos neste 15 de Abril e dona já de dois créditos como atriz fora da série (o televisivo “Ballet Shoes” e a animação “O Ratinho Desperaux”), os últimos meses foram de estudos para a atriz, que já se declarou indecisa sobre seu futuro como atriz. Por via das dúvidas, ela resolveu usufruir da riqueza garantida pelos até agora cinco filmes da série e fez sua inscrição para a prova qualificatória nas inglesas Harvard e Cambridge, além das americanas Yale e Brown, algumas das mais conceituadas do mundo. Mesmo prestando para o concorrido curso de direito, os primeiros retornos das faculdades foram positivos, e justamente nas duas mais difíceis da lista. Aceita em Yale até ela já admitiu que foi, em seu Twitter, mas os rumores dizem que até mesmo a conceituadíssima universidade Cambridge se impressionou pelos resultados da garota, que estaria em um dilema mortal entre duas das mais difíceis e respeitadas faculdades do mundo. Yale, é claro, tem seus atrativos a mais, principalmente para alguém envolvido na área do cinema. Foi lá, na acadêmica cidade de New Heaven, em Connecticut, que se graduaram gente como Meryl Streep (“O Diabo Veste Prada”), Jodie Foster (“O Silêncio dos Inocentes”), Sigourney Weaver (“Alien – O Oitavo Passageiro”) e Edward Norton (“O Ilusionista”).

Direto da gaveta

O projeto parecia morto e enterrado, e não havia poça gente dando graças a Deus por isso. Afinal, será que o pobre Alfred Hitchcock não havia sido profanado o bastante quando Gus Van Sant (“Gênio Indomável”) manchou seu nome com a equivocada refilmagem de “Psicose”, um fracasso de crítica e público? Afinal, será que era preciso mesmo mais uma refilmagem? Ao que parece, a Universal acha que sim e está decidida a refazer mais um dos clássicos absolutos do mestre do suspense. O alvo agora é a visão do alemão dos filmes de monstros, o perturbador “Os Pássaros”, lançado em 1963 quando o nome de Hitchcock já era o mais falado no mundo de Hollywood. As primeiras notícias eram um pouco encorajadoras pelos nomes envolvidos, mas não havia santo que convencesse alguém com o mínimo de bom senso de que algo de bom poderia sair dali. Quase um ano sem notícias e projetos paralelos de todos os envolvidos foi o bastante para que os cinéfilos dessem o assunto por encerrado e os sites de cinema retirassem seus arquivos sobre a refilmagem, provavelmente com um grande sorriso no rosto. Mas eis que Brenna Lee Roth, filha do roqueiro David Lee Roth e atriz de um par de filmes de terror trash tirou o roteiro de dentro da gaveta e fez a refilmagem voltar as notícias após dar uma entrevista dizendo que “havia conversado com os produtores” e descoberto que eles pretendiam realizar o projeto em 3D, a tecnologia do momento. Ao que parece, o novo filme pode ser uma adaptação mais fiel do conto de Daphne Du Maurier, de onde o diretor tirou sua inspiração. Os nomes de Martin Campbell (“007 – Cassino Royale”) para a direção e George Clooney (“Conduta de Risco”) e Naomi Watts (“King Kong” ) no elenco continuam envolvidos.

Bom, pessoal, e por hoje é isso… um par de notícias bombásticas nessa segunda-feira calorenta, outras duas nem tanto, mas é isso aí… obrigado como sempre pelos comentários e pelo selo, é claro, mais uma vez. Bom, então os melhores filmes para todos vocês e até amanhã!