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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (18/05/2009)

Psicopata escondido

 

Hollywood pode ser cruel. Apesar de isso não ser novidade para ninguém, em alguns momentos chega a impressionar a quantidade de rótulos, estigmas e interferências que a capital do cinema impõe aos bravos marinheiros que tentam desbravar seus mares. Veja o caso de Casey Aflleck, por exemplo. O sobrenome não esconde o parentesco estelar. Irmão mais novo do astro Ben Affleck, ele só teve sua chance para brilhar da forma que seu talento merecia quando o irmão encontrou o desastre Contato de Risco pelo caminho e passou alguns anos escondido atrás de pequenas produções e alguns vôos mais ambiciosos que invariavelmente davam errado. Enquanto isso, Casey cresceu como coadjuvante de filmes como Onze Homens e Um Segredo até alcançar o estrelato completo (e uma indicação ao Oscar) com a performance brilhante em O Assassinato de Jesse James e se estabilizar como ator sério ao ser dirigido por, veja só, o próprio irmão, em Medo da Verdade. Agora, três anos depois, enquanto Ben caminha devagar os degraus de volta a seu lugar de destaque no mundo do cinema, Casey prepara sua volta as telas protagonizando o que promete ser um dos faroestes modernos mais badalados dos próximos anos. The Killer Inside Me promete muita pressão psicológica para desenrolar a tensa história de um xerife do oeste do Texas que aos poucos é revelado como um assassino psicótico. O romance de onde a história veio, de autoria de Jim Thompson (Os Imorais), é descrito como o pioneiro no estilo “noir western” na literatura. Se no cinema o gênero teve seu ponto de partida com Onde os Fracos Não Têm Vez, de dois anos atrás, é sinal que o trabalho do diretor Michael Winterbottom (O Preço da Coragem) será dobrado para fazer o público esquecer o trabalho genial dos irmãos Coen (Queime Depois de Ler) e se envolver em uma trama que promete tanto ação de primeira linha do gênero quanto um estudo profundo de um personagem mais ambíguo impossível. O que, por si só, já é um desafio para Casey, acostumado a interpretar personagens de conduta bem definida e movidos por uma força de obsessão muito forte. Não que ele esteja mal-acompanhado, é claro. Para lhe fazer frente, Simon Baker (The Mentalist) será o advogado responsável pela acusação do protagonista, e Jessica Alba (Quarteto Fantástico) toma mais um papel arriscado ao viver a prostituta que é testemunha-chave para o caso. O elenco ainda conta com a presença sempre iluminada de Kate Hudson (Um Amor de Tesouro), fora de seu ambiente cômico para interpretar a namorada do xerife, uma professora insatisfeita com seu trabalho. O filme tem roteiro de John Curran (O Despertar de Uma Paixão) e Robert D. Weinbach, que saiu da aposentadoria trinta anos depois de Estranhas Mutações.

De volta a terra

Fernando Meirelles? Walter Salles? José Padilha? Tudo bem, talvez eles tenham ido bem mais longe que a esmagadora maioria dos cineastas brasileiros jamais sonhou, mas é fato que o posto de diretor tupiniquim mais bem-quisto na capital do cinema não pertence a nenhum deles. Este cargo atualmente é ocupado por um animador de nome pouco conhecido, rosto menos ainda, mas cujas criações com certeza estão entre as mais adoradas do mundo. O nome é Carlos Saldanha, um carioca de quarenta e um anos que começou a carreira ao lado do parceiro nova-iorquino Chris Wedge no curta-metragem Bunny, de 1998, e de lá aproveitou a carona do amigo para se tornar co-diretor de uma das animações mais famosas do novo século. Estamos falando, é claro, de A Era do Gelo, a produção que colocou o Blue Sky Studios no mapa das produtoras de animação americanas. Depois de permanecer como coadjuvante no menos bem-sucedido (e nem por isso ruim) Robôs, Saldanha tomou o holofote principal ao ver o parceiro partir para novos vôos e deixar a direção de A Era do Gelo 2 integralmente em suas mãos. O resultado? A continuação não só igualou o original em termos de bilheteria como também ganhou elogios rasgados da crítica ao redor do mundo, algo que havia acontecido com algumas ressalvas em relação a primeira produção. Três anos depois, prestes a lançar a segunda continuação da série, onde os amados personagens se deparam com um caçador de dinossauros e problemas típicos de uma família, Saldanha já tem um novo projeto pronto para decolar. E dessa vez não vai haver quem reclama da suposta “falta de patriotismo” do diretor. Afinal, como o próprio nome diz, Rio é quase todo passado na cidade onde Saldanha nasceu e cresceu. A trama é um tanto suspeita para uma animação, mas em todo o caso é melhor ler e tirar suas próprias conclusões. Rio acompanha uma arara nerd e impopular que sai do conforto de sua gaiola em uma pequena cidade do Minnesota, em terra americana, e parar no Rio de Janeiro. O filme carrega a importância de ser a primeira produção oficialmente feita na recente parceria integral entre a Blue Sky e a 20th Fox, cujo setor de animação andava mal das pernas desde o fracasso de Titan, quase uma década atrás. A estréia de Rio está inicialmente marcada para 08 de Abril de 2011.

Clássico tardio

“O céu sobre o porto era da cor de uma televisão sintonizada em um canal morto”. A frase aí atrás pode não ser exatamente poética, mas não deve ser surpresa para os fãs de ficção científica saber que ela marcou o início de uma era. Quando William Gibson lançou Neuromancer em 1984, o cenário literário passava por revoluções em todos os gêneros, deixando as noções românticas para trás e tentando cada vez mais se aproximar de uma visão realista, e ainda assim escapista, do mundo cheio de falhas que víamos ao nosso redor. Na ficção científica, o movimento que provocou essa mudança ficou, por acaso, conhecido como cyberpunk, e o romance de Gibson foi o marco zero desse movimento. Neuromancer não foi o primeiro a mostrar uma visão distópica e, porque não, pessimista em relação ao futuro da humanidade, mas sem dúvida foi o primeiro a radicalizar esse conceito e usá-lo para uma história de proporções crescentes. Tudo começa quando Henry Case, um trambiqueiro de baixo nível em uma futurística cidade japonesa. Especialista em crimes virtuais e um talentoso hacker para quem pague seu preço, Henry vê sua vida virar de cabeça para baixo quando é pego roubando seu mais recente empregador. Em punição, ele tem seu sistema nervoso central danificado por um poderoso veneno, deixando-o desabilitado para realizar os trabalhos no cyberespaço. Sem emprego, drogado e com pensamentos suicidas, Henry é salvo por Molly Millions, uma autodenominada “samurai das ruas” e uma mercenária a serviço do obscuro ex-oficial do exército Armitage. Ele é quem oferece a Henry a possibilidade da cura em troca de um serviço mais complicado que o regular. É claro, o preço a pagar por tal acordo é bem mais alto do que qualquer um deles poderia prever. Comentada já há algum tempo, a adaptação cinematográfica do romance ganhou mais espaço quando o produtor Peter Hoffman (Sem Risco Aparente) precisou procurar um projeto para ocupar o atraso de The Winter Queen, projeto de Paul Verhoeven (Instinto Selvagem) que foi adiado graças a gravidez da protagonista Milla Jovovich (Resident Evil). Neuromancer foi o escolhido pelo produtor, que colocou o projeto nos trilhos e chamou Joseph Kahn (Fúria em Duas Rodas), mais conhecido pelo trabalho em videoclipes, para dirigir a adaptação. Isso dois anos atrás. Agora, a novidade é a escalação de Hayden Christensen (Jumper) como o protagonista e Liv Tyler (O Senhor dos Anéis) para o papel de Molly. O filme, porém, ainda não tem data de estréia.

Drama importado

brothers

Não é de hoje que Hollywood anda em crise de novas idéias. Seja adaptando livros ou games, refazendo clássicos de outros tempos, revivendo séries já postas como mortas e enterradas ou produzindo continuações em ritmo alucinante, o fato é que a grande maioria das produções da capital do cinema é baseada em uma premissa que, de alguma forma, já foi vista antes. É claro, como tudo nesse mundo e especialmente no cinema, há um lado bom e um lado ruim. O último não é preciso nem citar, afinal, se cinema é feito de idéias, é melhor se preparar para uma grave crise nos anos que virão. O primeiro é um pouco mais difícil de compreender, mas é inegável que observar uma visão diferente da mesma idéia pode se tornar uma experiência fascinante. Além do mais, a culpa não é de Hollywood se a esmagadora maioria dos apreciadores ocasionais de cinema dão preferência aos filmes ianques. Veja Brothers, por exemplo. Legítimo representante do festejado novo cinema dinarmaquês, a obra de Susanne Bier (Coisas Que Perdemos Pelo Caminho) passou arrasando por Cannes e Sundance e ainda assim acabou encontrando o destino das prateleiras de locadoras espalhadas pelo Brasil. Isso porque há uma certa noção nos cinemas brasileiros de que um drama pesado não atrai público a não ser que tenha astros estampando o topo dos cartazes ou um par de indicações para o Oscar. Brothers, a refilmagem, tem um dos fatores garantidos e uma boa possibilidade de figurar na lista da Academia no ano vindouro. Alguém é capaz de culpar um produtor de continuar produzindo refilmagens? De qualquer forma, sem entrar no mérito da questão aí atrás, o fato é que Brothers tem tudo para ser um grande filme. Comentada desde 2006, a refilmagem mantém ao menos a premissa do original, que contava a história de, é claro, dois irmãos. Um é o típico homem de classe média cujo estigma é incapaz de mudar no mundo inteiro. Quando este é convocado para Guerra do Afeganistão, é o irmão trambiqueiro que é deixado com a responsabilidade de cuidar de si mesmo e da família. Dado como morto, o primeiro retorna anos depois, traumatizado com a experiência de cativeiro que passou na guerra, e descobre que nada mais é o mesmo em casa. A direção do remake tem a marca de Jim Sheridan (Em Nome do Pai), que andou tentando se tornar mais popular para os cinéfilos do novo século e escalou Tobey Maguire (Homem-Aranha) e Jake Gyllenhaal (O Dia Depois de Amanhã) para atuar no roteiro de David Benioff (O Caçador de Pipas). Ao lado deles, Natalie Portman retorna aos dramas familiares após a pequena aparição em O Expresso de Darjeeling. O filme deve chagar aos cinemas em 4 de Dezembro.

Num piscar de olhos

Para toda regra há uma exceção. Pode parecer sem propósito essa frase aí atrás no começo de uma nota, assim como pode soar como reflexão inútil as passagens que vem a seguir, mas a verdade é que tudo vai fazer sentido no final. Assim como a escrita, a mente humana funciona bem melhor quando é forçada a tomar decisões repentinas e talvez essas terminem sendo até mais acertadas do que aquelas analisadas e pesada excessivamente. Porque, quando piscamos, não precisamos pensar? Malcolm Gladwell queria a resposta e passou anos pesquisando para publicar o arrasador e instigante Blink: The Power of Thinking Without Thinking, um livro que combina psicologia com auto-ajuda e puro jornalismo instintivo para destilar fatos e casos de pessoas que ganham a vida para pensar... sem pensar. O livro, lançado em 2005, recebeu elogios rasgados da crítica especializada, que trataram Gladwell como o escritor mais esperto, ligeiro e talentoso da nova geração. Houve quem descrevesse Blink como uma experiência frustrante mais recompensadora, mas o inegável é que o livro é capaz de provar até para o ponderador mais experiente o quanto pode ser proveitoso deixar as decisões fluírem do mais puro instinto. Um conteúdo cheio da esperteza que os críticos de cinema aprenderam a tento valorizar nos filmes americanos, e um ponto para provar que Hollywood não poderia deixar para trás. É claro, não se trata de uma adaptação fácil. Desde que o livro se tornou best-seller, em 2005, Stephen Gaghan (Syriana) vem trabalhando no roteiro, tentando extrair o melhor das dezenas de pequenos casos que Gladwell conta em sua obra, deixando a briga financeira para ser resolvida entre a produtora Appian Way do amigo Leonardo DiCaprio (O Aviador), a Warner Bros e Universal. Na época protagonista do filme, o astro tentava vender os direitos do livro para um dos estúdios, mas pedia uma quantia absurda de 5 milhões. As negociações se estenderam por meses até a Universal aceitar a proposta e revelar mais detalhes do roteiro escrito por Gaghan. O que se sabe é que o filme será baseado em um capítulo do livro, onde Gladwell narra a história de um sujeito que tem o dom de ler a expressão facial das pessoas e é instigado pelo pai a usar a habilidade na loucura de Wall Street. O que não se sabe até agora é se DiCaprio continua envolvido no projeto, mas Blink ganhou força com o nome de Al Pacino (As Duas Faces da Lei) jogado ao vento para uma participação.

Estreante de sorte

Talvez o nome Madeleine Stowe não seja familiar aos cinéfilos da nova geração, mas sem dúvida desperta algumas boas lembranças naqueles que acompanhavam a produção cinematográfica mais de perto nos anos 1990. Nova-iorquina, a atriz foi revelada sob o comando de Michael Mann (Colateral) no épico O Último dos Moicanos, em que atuava no papel da grande paixão platônica do protagonista, vivido por Daniel Day-Lewis (Sangue Negro). Daí em diante, o que se viu na época foi uma ascensão quase tão alucinante quanto a queda. Depois de fazer seu nome e construir uma filmografia sólida e respeitada sob o comando de gente do calibre de Tony Scott (em Vingança), Robert Altman (Short Cuts) e Terry Gilliam (Os Doze Macacos), ela viu-se presa a pequenas produções televisivas e eventuais papéis coadjuvantes em filmes de baixo orçamento que precisavam de algum nome vagamente conhecido para estampar o topo do cartaz. Quase uma década depois de protagonizar sua última grande produção, Stowe pode voltar ao centro dos holofotes, ainda que por outro ângulo. Desde 1993, quando ela ainda era uma atriz recém-revelada, corre por Hollywood o roteiro de Unbound Captive, um drama familiar e aventuresco sobre uma mulher que tem o marido assassinado e os filhos seqüestrados por uma tribo indígena norte-americana durante um ataque no fim do século XIX e é resgatada por um guarda noturno. A história, de autoria da própria Madeleine, seria primeiramente produzida pela Fox, que ofereceu a quantia de 3 milhões pelos direitos sobre o texto, oferta que meses de negociação depois subiu para os 5 milhões. Boa parte dos cinéfilos foram deixados com água na boca quando Stowe recusou a proposta do estúdio, que pretendia entregar o filme para Ridley Scott (Falcão Negro em Perigo) dirigir e seu parceiro Russell Crowe (Gladiador) estrelar. O motivo? Segundo ela, a Fox não garantiu sua participação em nenhuma outra área do projeto a não ser o roteiro, e Stowe planejava participar do elenco da produção. Agora, quinze anos e muita água rolada depois, Stowe ressuscitou o projeto com toda a pompa que merece, seguindo o conselho de seu amigo, o produtor Gil Netter (Marley & Eu), e assumindo a direção pela primeira vez. Segundo ela: “Gil me fez perceber que não existirá ninguém que poderá fazer o longa da forma que eu quero”. Ela está bem acompanhada para uma primeira viagem, aliás. A começar pelo fotógrafo John Troll, marinheiro experiente de outros épicos como O Último Samurai e Coração Valente. Mas o que mais impressiona é o trio de protagonistas. Hugh Jackman (Wolverine) entra para o papel que seria de Russell Crowe quinze anos atrás. Ao lado dele, Rachel Weisz (Fonte da Vida) tem a missão de desempenhar o papel que a própria diretora almejava, enquanto Robert Pattinson (Crepúsculo) dá vida a um dos filhos seqüestrados. Unbound Captive ainda não tem data de estréia.

Bom, pessoal, e por hoje é isso… publiquei até mais cedo porque preparei rápido para suprir os outros dias sem Boletim… sei que me desculpar não vai ser o bastante, mas não tenho mais nada a fazer senão isso. Obrigado pela paciência e pela compreensão. Os melhores filmes para todos vocês e até mais!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Boletim Cinéfilo Especial – As Notícias do Feriado

Chapéu de feiticeiro

nic cage

Há algum tempo que rola por Hollywood o rumor de que uma versão live-action e adaptada para atualidade de “Aprendiz de Feiticeiro”, famoso média-metragem da Disney, eternizado nas sinfonias do clássico “Fantasia”, de 1940. Protagonizado pelo símbolo do estúdio, o camundongo Mickey, a trama o colocava como o tal aprendiz do título, que tenta usar seus pouco precisos poderes mágicos para cumprir a dura tarefa deixada por seu mestre, a limpeza do castelo. É claro, as coisas não dão muito certo. Como essa premissa deve chegar aos cinemas de uma forma plausível e com atores de verdade é uma incógnita, mas o fato é que o produtor mais esperto da Hollywood de hoje, Jerry Bruckheimer (“Piratas do Caribe”) colocou a produção em sua agenda e já acelerou o andamento da carruagem contratando o diretor Jon Turteltaub (“A Lenda do Tesouro Perdido”), que por sua vez trouxe a reboque o astro Nicolas Cage (“Presságio”) como o mestre do protagonista e produtor executivo do projeto. A produção aos poucos foi ganhando detalhes e o número de nomes no elenco foi crescendo. Primeiro foi o jovem comediante Jay Bucharel, um dos soldados/atores de “Trovão Tropical”, que embarcou para o estrelato completo ao aceitar o papel do protagonista. Sorte a dele, afinal não é todo dia que se faz par romântico com uma beldade como Teresa Palmer (“Um Verão Para Toda a Vida”), que embarcou como o interesse do protagonista quase ao mesmo tempo em que Alfred Molina (“Homem-Aranha 2”) assinava para ser o vilão de mais uma superprodução. Elenco definido e produção encaminhada, a Disney tratou de colocar sua aposta para uma data no mínimo explosiva: 16 de Julho de 2010, em rota de colisão com o esperado suspense “Inception”, nova obra de Christopher Nolan (“Batman – O Cavaleiro das Trevas”). Enquanto a produção crescia de tamanho e de expectativa entre os fãs dos clássicos animados do estúdio, as primeiras fotos do set foram divulgadas pelo site Just Jared (a imagem de Nic Cage caracterizado você vê aí em cima) e outro jovem talento, o britânico Toby Kebbell (“RocknRolla”) entrava para o jogo como o ilusionista comparsa do vilão.

Convergência de astros

nine

Trevas e adrenalina, juntas. A princípio, não faz muito sentido, mas o resultado de verdade só vai poder ser visto em 09 de Setembro em terras americanas e sabe-se lá quando no território brasileiro. Em produção desde 2005, “9” ou “Nine”, o filme em questão, é o fruto de uma das parcerias mais improváveis dos últimos tempos. Primeiro, melhor explicar do que se trata. Ganhador do prêmio de melhor curta de animação no Oscar 2006, o “9” original contava a história de um cachorro raivoso contratado para enfrentar um demônio que tem aterrorizado um bairro inteiro roubando a alma das pessoas. Com direção do estreante Shane Acker, o curta-metragem agradou tanto que surgiu aquela vontade de expandir aquele universo fantástico maior e mais ambicioso. Embora a idéia já tivesse surgido na mente do diretor, o primeiro a adotar o projeto e se dispor a bancar a brincadeira foi Tim Burton (“A Noiva-Cadáver”), o homem capaz de transformar trevas em algo vendável e bem-sucedido. Com a moral do diretor na terra do cinema empurrando o projeto, Acker desenvolveu o novo roteiro ao lado de Pamela Pettler (“A Casa Monstro”) e a dupla ainda convenceu Burton a abandonar a técnica stop-motion que costumava em todas as suas produções animadas em virtude de um visual mais sofisticado e feito por computador. Foi quando entrou na equação o nome do russo Timur Bekmambetov, diretor de “Guardiões da Noite” e “O Procurado”, que se juntou a Burton na produção e atraiu de uma vez por todas atenção para o projeto. A partir daí, “9”, o longa-metragem, ganhou um elenco estrelado como poucos no ramo da animação. E quem duvida da capacidade comercial de um filme que nomeia seus personagens com números e nada mais? Agora, ainda o cão guerreiro do curta é trocado por um humano parecido com um boneco de pano, e a ameaça íntima é substituída por uma mais global. É a sobrevivência de uma humanidade a beira da extinção que está nas mãos de 9, o protagonista, a ser dublado pro Elijah Wood (“O Senhor dos Anéis”). Ele recebe a missão de escavar a Terra e encontrar a fonte de um misterioso mal que tem atingido o povo. Ao lado dele, o veterano de guerra 1 com a voz de Christopher Plummer (“A Casa do Lago”), o inventor 2 dublado por Martin Landau (“Cine Majestic”) e a guerreira 7 vivida por Jennifer Connelly (“O Dia em que a Terra Parou”). É esperar e rezar para que os cinemas brasileiros não considerem “alternativo demais”.

O céu não pode esperar

the lovely bones

Fala-se a tanto tempo de “Uma Vida Interrompida”, o novo filme de Peter Jackson, que a adaptação já se tornou uma espécie de lenda urbana do século XXI nas fileiras da terra do cinema. Antes mesmo da estréia da versão do diretor de “O Senhor dos Anéis” para o clássico “King Kong”, o rumor era que o neozelandês apostaria em um clima mais intimista para adaptar o best-seller de Alice Sebold publicado em 2002. Algo mais próximo de “Almas Gêmeas” do que da trilogia aventuresca. Antes mesmo da estréia de “O Retorno do Rei” o nome do diretor estava atrelado ao projeto, abandonado as moscas quando este preferiu realizar o sonho de sua vida ao refazer o filme do gorila gigante. Estrado, aplaudido, esquecido, “King Kong” passou e Jackson se disse mais uma vez interessado em dirigir a história de uma garota de 14 anos que é brutalmente assassinada e passa os anos seguintes observando a forma da família lidar com seu pesar, de seu paraíso particular. A expectativa do visual montado por Jackson para tal locação era de dar água na boca, mas o diretor não se importou com a ansiedade dos fãs e construiu aos poucos seu filme enquanto resolvia a encrenca judicial com “O Hobbit” e a New Line. Em 2007, o elenco foi escalado e já contava com Saoirse Ronan (“Desejo e Reparação”) e Rachel Weisz (“A Múmia”), respectivamente como a protagonista e sua mãe, além da sempre eficiente coadjuvância de Stanley Tucci (“O Diabo Veste Prada”) na pele do vizinho da família e principal suspeito do crime. Outra que embarcou na época foi a veterana Susan Sarandon (“Speed Racer”) como a avó da protagonista e Michael Imperioli (“The Sopranos”) na pele do investigador policial do caso. Já o papel do pai da protagonista foi, digamos assim, mais polêmico. Primeiro, era Ryan Gosling (“Um Crime de Mestre”) o escolhido do diretor, mas parece que as famigeradas “diferenças criativas” tiraram o ator do projeto, sendo substituído por Mark Wahlberg (“Max Payne”). Uma série de adiamentos depois e algumas declarações controversas do elenco, o filme foi finalmente agendado para 22 de Janeiro de 2010 no Brasil, com o novo título de “Um Olhar do Paraíso”. Muita confusão? A primeira foto do esperado paraíso de Jackson aí em cima faz valer a pena. Nos vemos em Janeiro, Senhor Jackson!

Monstros adiantados

Hollywood não deixa passar nenhuma mania para fora de suas fronteiras. Foi só a literatura adolescente ressuscitar (de novo) com “Crepúsculo”, suas continuações e seus filhotes, e a terra do cinema já lançou o olho grande na seu pedaço do bolo de dólares que anda saindo do forno dessa receita. Veja a própria saga vampiresca originada dos livros de Meyer, por exemplo, que anda em um ritmo de produção frenético dentro da Summit Entertainment, que busca desesperadamente aproveitar enquanto a moda não fica para trás. “Crepúsculo”, o primeiro da franquia, acabou de aportar nas locadoras depois de uma carreira vitoriosa nos cinemas americanos e mundiais e já vem com toda uma bagagem de expectativa para as continuações. “Lua Nova” já está bem adiantado para estrear em Novembro desse ano, e vem com a direção de Chris Weitz (“A Bússola Dourada”) para capitanear alguns novos nomes do elenco. Com Dakota Fanning (“Guerra dos Mundos”) confirmada há algum tempo, na última hora a produção ganhou a adesão de Michael Sheen (“Frost/Nixon”) e Cameron Bright (“Obrigado por Fumar”) e entrou em processo de pós-produção. Enquanto isso, “Eclipse”, a terceira parte da saga, continua com sua epopéia de diretores cogitados e confirmados... como possibilidades. O cargo já passou perto do espanhol Juan Antonio Bayona (“O Orfanato”) e do americano Paul Weitz (“Tudo Pela Fama”), mas parece que agora é oficial. David Slade, que tem experiência com vampiros no brutal “30 Dias de Noite”, deve comandar o terceiro filme da série, que chegará aos cinemas em 30 de Junho de 2010. Mas o ataque de Hollywood a literatura de suspense teen não para na série de livros escrita por Stephenie Meyer. Anunciado há algum tempo, “Beastly” ganhou as primeiras novidades no elenco e no cargo de direção essa semana. Baseado no livro de Alex Flinn, o filme é descrito como “uma versão moderna de A Bela e A Fera” e se concentra em Kyle Kingsbury, um adolescente de 17 anos considerado o par perfeito pela maioria das garotas de seu colégio, que causa uma confusão maior do que esperava ao dispensar uma delas, na verdade uma bruxa. Transformado em uma criatura bestial, ele deve encontrar o amor verdadeiro para quebrar o feitiço... e sem a ajuda do MySpace. É de se sorrir com uma premissa dessas. Agora resta confiar no diretor e roteirista Daniel Barnz (“Phoebe in Wonderland”) para comandar o espetáculo, a ser interpretado por Alex Pettyfer (“Alex Rider Contra o Tempo”) e Vanessa Hudgens (“High School Musical”).

O outro lutador

Não foi por acaso que Darren Aronofsky seguiu o ambicioso em excesso “Fonte da Vida” com o emocional “O Lutador”. Lembrado no ano passado por selar o retorno de Mickey Rourke (“Sin City”) ao primeiro nível de astros, o filme de Aronofsky foi na verdade uma segunda chance para o diretor. A verdade é que desde 2007, logo depois da estréia de seu épico através do tempo protagonizado por Hugh Jackman (“X-Men”), o diretor estava envolvido em um filme para contar a história de, veja só, um lutador da vida real. “Irish” Micky Ward percorreu um trajeto cheio de obstáculos sociais e financeiros para ascender de um fenômeno do boxe amador para uma inesperada revelação dos mais altos níveis do esporte. Foi só depois de 15 anos de carreira, já veterano, que Micky sentiu o gosto da vitória sobre o italiano Arturo Gatti e vestiu seu primeiro cinturão de campeão, se tornando exemplo de perseverança e um símbolo do orgulho americano. Tudo isso com a ajuda do meio-irmão, Dicky, um ex-lutador que se tornou técnico do irmão depois de se envolver com drogas e o submundo do crime. A emocionante história, a princípio seria protagonizada por Matt Damon e Mark Wahlberg, que haviam acabado de contracenar no violento “Os Infiltrados”, ganhador do Oscar daquele ano. Isso até o roteiro passar por versões de Paul Attanasio (“Donnie Brasco”) e Lewis Colick (“Céu de Outubro”). A altura em que este passou o bastão para a versão final de Scott Silver (“8 Mile – A Rua das Ilusões”), Damon já estava fora da produção e Brad Pitt (“Benjamin Button”) estava cotado para substituí-lo. As filmagens chegaram a ser anunciadas para Outubro do ano passado, mas chegada a data, o filme não contava mais com Pitt, enquanto Aronofsky ameaçava abandonar o barco. O que ele acabou eventualmente fazendo, abrindo espaço para David O. Russell (“Três Reis”) tomar o leme do projeto e colocá-lo nos trilhos de uma nova pré-produção e outra revisão de roteiro. Enquanto o processo se repete e a aparência é que dessa vez o filme chega as vias de fato, Christian Bale (“Batman – O Cavaleiro das Trevas”) foi anunciado oficialmente como o definitivo intérprete do irmão do protagonista, ainda com Mark Wahlberg garantido.

Bom, pessoal, muitas notícias nesse feriado que passou e muitas explicações para dar a vocês. Nesses últimos dias o Filme-Pipoca anda meio desatualizado, mas eu juro que estou tentando ao máximo conseguir tempo para postar. Acontece que estou em semana de provas, o que me deixa com a responsabilidade de estudar e terminar os trabalhos a ser entregues essa semana. Mas enfim, coisas de quem ainda tem que estudar… Daqui a pouco passa. Amanhã é possível que eu tenha mais um pouco de tempo, então acho que pode pintar outro Boletim e, quem sabe, uma filmografia ou uma crítica (eu disse quem sabe). Por enquanto deixo vocês por aqui, agradecendo aos comentários e as visitas nesses dias. Então é isso mesmo. Os melhores filmes para todos vocês e até mais!