Mostrando postagens com marcador Christopher Nolan. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Christopher Nolan. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (31/07/2009)

Vampiros em marcha

newmoon

Crepúsculo tinha tudo para ser um fracasso. É claro que aqui estamos falando da adaptação do primeiro livro de uma série com base de fãs vasta e sólida, mas fazer funcionar em película o que está no papel é sempre uma matéria delicada. Ainda mais com uma trama vampírica sem grandes cenas de ação ou apelo para o suspense, cujo centro é o típico romance entre dois adolescentes que anda tão criticado no filão das comédias românticas. Quer mais risco para o investimento? Sem problema, chame uma diretora egressa do cinema independente para guiar as câmeras e escale uma dupla de jovens atores conhecidos só por papeis coadjuvantes. Ao olhar da imensa maioria dos executivos dos grandes estúdios, uma coisa assim simplesmente não tinha chance de dar certo. Na teoria, a decisão perfeita seria engavetar o projeto e seguir em frente, dando alguma satisfação furada ao fãs colerizados que encheriam a Internet por alguns meses com abaixo-assinados que se provariam inúteis. Tudo perfeito, se não fosse esse pequeno doce da vida, a surpresa, que atacou forte em novembro e deu à ousadia da Summit Entertainment uma recompensa de quase 400 milhões nas bilheterias ao redor do mundo. Pois é, o mundo gira, e agora o antes velho e ultrapassado mito dos sugadores de sangue noturnos ganhou o misterioso poder de levar um projeto instantaneamente para o topo da lista de prioridade de um estúdio, enquanto o bastardo Crepúsculo tem a página de rumores mais badalada da rede. Começando na sequencia imediata do romance, intitulada Lua Nova, que começa a mostrar sua própria personalidade na divulgação que se prepara para o que pode ser o lançamento do ano em 20 de Novembro. Dessa vez o filme é comandado pelo mais comercial Chris Weitz, responsável pela fantasia A Bússola de Ouro, que não é nenhum idiota e já escalou um elenco de peso para formar a família antagonista da vez. Os Volturi, vistos aí em cima em pose familiar comovente, são um clã antigo de vampiros poderosos, que não por acaso contam com intérpretes talentosos de verdade para representá-los. Começando da esquerda para a direita, Aro é interpretado por um  irreconhecível Michael Sheen, que parece estar em todas desde Frost/Nixon. Depois, o patriarca Marcus ganhou o rosto do veterano da televisão Christopher Heyerdahl (Stargate), e a ala jovem da família está bem representada pelos talentosos Jamie Campbell Bower (Sweeney Todd), Dakota Fanning (Heróis) e Cameron Bright (Obrigado por Fumar). A continuação ganhou ainda um extra de publicidade quando um tablóide inglês fotografou a grandiosa filmagem do clímax do filme em Roma, e por fim foi anunciado que a banda de rock Radiohead será responsável pelo tema principal. Enquanto isso, o terceiro filme da série, intitulado Eclipse e em plena produção, ganhou a presença de Bryce Dallas Howard (A Dama na Água) assumindo um papel que foi de uma semi-desconhecida no primeiro filme. Eclipse tem David Slade, o homem por trás de 30 Dias de Noite, tentando variar o cardápio sem sair do próprio território. Coisa de vampiro caçador.

Paul is back!

paul milla 

Paul W.S. Anderson tem uma carreira curiosa de se acompanhar, bem atípica para as regras hollywoodianas desde seu início, no começo da década passada com o ultra-violento suspense de ficção Shopping, que contava com um Jude Law pré-fama na pele do líder de um grupo de arruaceiros que, ao lado de sua namorada, enfrentava a lei e gangues rivais em “um futuro muito próximo”. Em suma, era um Blade Runner que deixava de lado a filosofia e partia para as vias de fato, num estilo que se comunicava muito mais com a nova geração de jovens do que o épico de Ridley Scott. Depois do clássico cult instantâneo que fez em sua estréia, porém, Anderson supreendeu por engatar a quinta marcha e abraçar qualquer projeto ligado a cultura pop que visse pela frente. Se saiu com uma das adaptações de video-games mais competentes de todos os tempos com Mortal Kombat, o primeiro de 1995, colocou lado a lado dois monstros do cinema de ação oitentista e reergueu as respectivas carreiras em Soldado Universal, de 1998, e finalmente se meteu a levar para o cinema a franquia virtual mais adorada pelos fãs de survival horror, Resident Evil. Conseguiu em 2002, arrancou alguns elogios inesperados da crítica, não irritou os fãs o bastante para gerar protestos na rede e ainda antrou solteiro e saiu casado com a beldade Milla Jovovich, protagonista do filme e das duas seqüencias, nas quais o marido participou na produção e na elaboração do roteiro, deixando a câmera da série em prol de projetos como o merecidamente infame Alien Vs. Predador e o subestimado Corrida Mortal. Agora, logo depois de provar para quem quisesse ver que podia ir além de algumas cenas de ação quando servido de um bom roteiro, Anderson está envolvido em pelo menos mais três projetos que podem chegar quase ao mesmo tempo nos cinemas. A começar pelo mais atribulado, Spy Hunter, que estava quase pronto sob os ângulos da câmera de John Woo e já tinha até poster lançado na rede quando uma tremenda confusão ainda mal explicada entre o mestre chinês, o astro The Rock, o roteirista Stuart Beattie e o estúdio zerou o projeto. Na época, o próprio ator chegou a dizer que a saída do comandante era o reflexo do excesso de gente na elamboração do projeto, o que gerou um conflito de idéias impossível de se resolver. Anderson chegou para repaginar o filme em ainda por volta de 2007, e embora os rumores atuais apontem seu envolvimento apenas no roteiro da produção, não há nenhuma notícia concreta. No mesmo estado de estagnação desde mais ou menos a mesma épcoa está a refilmagem The Good Long Friday, remake de um clássico cult estrelado por Bob Hoskins na pele de um poderoso gângster que tem seu império ameaçado por uma série de atentados. O original contava ainda com Helen Mirren como a esposa do protagonista, mas o remake não tem ninguéme scalado no elenco e parece estar em processo de roteirização. Por falar em roteiro, Anderson finalizou recentemente o texto de Castlevania, adaptação de um dos clássicos do video-game de ação e horror, e o cargo de diretor anda disputado entre Sylvain White (O Poder do Ritmo) e James Wan (Jogos Mortais). Por último, a boa notícia para quem não gostou da forma como a franquia que saiu de Resident Evil foi conduzida é que Anderson está disposto a voltar a direção da série em seu quarto capítulo, intitulado Afterlife, que pode ou não ser estrelado dessa vez por Ali Larter, da série Heroes, que já teve uma participação no terceiro filme.  As filmagens e os rumores sobre a nova trama dão largada em Setembro.

Novas histórias do morcego

batman 3

Para quem não está acostumado com o esquema de rumores que rola em torno das próximas grandes produções de Hollywood, é curioso ver que a coisa funciona mais ou menos como uma corrente motivada pela imprensa, especializada ou não. Uma notícia puxa a outra, na medida que esses veículos de comunicação fazem entrevistas não raro apenas para confirmar o boato anterior, tudo sob a luz de uma declaração que já naturalmente leva ao pobre entrevistado a tendência de formar um elo a mais na corrente. Em suma, notícia ruim traz mais notícia ruim, e notícia boa traz mais notícia boa, uma dinâmina que se refletiu de jeito bem curioso nos mais recentes rumores sobre o terceiro filme da nova série do Homem-Morcego. Depois da explosão crítica e comerical da obra-prima que foi Cavaleiro das Trevas, o terceiro capítulo da saga de repente virou o alvo preferencial de todos os sites especializados, e não houve uma frase inocente sequer que escapasse de sua acirrada vigia. Nossa história começa a mais de um mês, em 17 de Junho, com o site de fãs Batman-on-Film publicando uma nota que dava conta do possível afastamento do diretor e roteirista Christopher Nolan da série. Considerado o grande responsável pela nova cara do herói e dono da câmera e do texto de Begins e Cavaleiro, a suposta saída do cineasta do comando criativo foi o bastante para deixar os fãs do herói mais pessimistas sobre o terceiro filme, que era comentado desde a saída do segundo. Os rumores antigos (como mostra o poster falso logo ali em cima) davam conta do vilão Charada na produção, com a provável face de Johnny Depp sob o chapéu e a vestimenta verde. Interpretado por um caricato e divertido Jim Carey com tom de sátira em Batman Eternamente, o personagem do novo filme viria ainda ao lado de outra famosa antagonista do herói, a Mulher-Gato, que por sua vez também já tinha uma célebre encarnação com Michele Pfeiffer e seu uniforme de látex em Batman – O Retorno. De qualquer forma, a possível saída de Nolan acabou, no esquema da corrente, levando o astro da franquia Christian Bale, outro grande culpado pela complexidade do novo herói, a verbalizar a possibilidade que o terceiro filme não acontecesse. Sem deixar o defunto esfriar, no entanto, quem reascendeu os rumores do terceiro filme foi a própria Pfeiffer, que disse a época da estréia de seu Chéri que adoraria repetir o papel da vilã que fez em 1992, mas podia entender que a produção exigisse uma nova cara. No embalo, quem falou logo em seguida foi Johnny Depp, que finalmente expressou seu interesse em entrar para a dança no papel do Charada, tudo enquanto a corrente de boas notícias continuava e o ator Gary Oldman, dono do papel do Comissário Gordon, lançava Book of Eli e deixava escapar na entrevista de divulgação que as filmagens do novo filme teriam início no começo do próximo ano, com previsão de lançamento para 2011, e ainda emendava um suspeito “mas você não ouviu isso de mim”. Sem ter como confirmar a declaração de Oldman, a pressão acabou caindo sobre David Goyer, o parceiro de Nolan no texto dos dois primeiros do personagem no novo século. Segundo ele, o diretor estava envolvido nas filmagens de Inception, seu thriller psicológico, mas logo depois os dois se reuniriam para discutir o futuro do personagem. Mas esse, veja só, não foi o último elo da corrente. O rumor mais recente deu bizarra conta da estrela teen Miley Cyrus, da série Hannah Montana, filmando testes para o papel de Batgirl. Depois disso, resta esperar para ver se a corrente encontra seu fim nos cinemas ou na gaveta.

Bom, pessoal, e por hoje é só isso mesmo. Como vocês viram nessas últimas edições do nosso Boletim, eu estou tentando citar cada vez mais minhas fontes, dar crédito a elas, e ainda controlar um pouco o tamanho e a quantidade das notícias. De qualquer forma, estou vendo uma grande mudança na estrutura do Boletim em breve… mas por enquanto é só isso mesmo… Os melhores filmes para todos vocês e até mais!

sábado, 2 de maio de 2009

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (02/05/2009)

Nolan concorrido

Era para ser só um pequeno intervalo antes de voltar ao Homem-Morcego. Afinal, é quase natural pensar que um diretor que veio de dois suspenses produzidos com o suor de produtoras independentes precise voltar de vez em quando para suas raízes antes de encarar outra super-produção. Desde que pulou direto do estrelado, mas relativamente modesto, “Insônia” direto para o recomeço do Cavaleiro de Gotham nas telas com o espetacular “Batman Begins”, Nolan já tentou descansar (e encontrou astros e dólares pela frente) com a aventura ilusionista “O Grande Truque” e depois retornou ao mundo da megalomania para realizar a obra-prima que foi “Batman – O Cavaleiro das Trevas”. Antes de terceiro filme do Cruzado de Capa assinalar no horizonte, o diretor anunciou que tocaria um projeto um tanto diferente para os padrões hollywoodianos. Desde que “Matrix” afundou-se no próprio exagero e na vontade de ser épico nas duas continuações, filosofia e contestação como vistos na obra dos Wachowski se tornaram artigo raro e sinônimo de ambição desmedida. Pelo menos até 16 de Agosto de 2010, data para qual está marcada a estréia de “Inception”, novo longa de Nolan que ainda guarda a sinopse a sete chaves no cofre da Warner. A coisa toda começou com a idéia de ambientar um filme de ficção científica dentro da arquitetura da mente humana, premissa que poderia abrir espaço para uma série extremamente interessante de exercícios criativos e estrutura narrativa da qual Nolan já se mostrou mestre ao carregar tramas complicadas com uma leveza e adaptação impressionantes. Enquanto a expectativa para o filme crescia, aos poucos a tal idéia descompromissada foi ganhando adeptos ilustres o bastante para ganhar a confiança do estúdio e um orçamento mais, digamos assim, generoso. Primeiro, Leonardo DiCaprio (“Diamante de Sangue”) topou estrelar a brincadeira assim que as filmagens de “Paciente 67”, novo filme de Martin Scorsese (“Os Infiltrados”) forem completadas. Ao lado dele embarcaram Cillian Murphy e Michael Caine, que já haviam trabalhado com o diretor nos dois filmes do Morcego, além das novatas Marion Cotillard (“Piaf”) e Ellen Page (“Juno”). Outro que havia estava cotado para assumir um papel no filme era James Franco (“Homem-Aranha”), mas ao que parece a longa pré-produção pela qual o longa passa atualmente o afastou do projeto, sendo substituído pelo astro em ascensão Joseph Gordon-Levitt, prestes a entrar em cartaz com “Comandos em Ação” e “500 Days of Summer”. Por enquanto o único a declarar alguma coisa foi Caine, que disse ter um papel pequeno no filme. Em suas palavras: “Acho que vou trabalhar por três dias. Será ótimo, mas se eu disser alguma coisa, Nolan me mata!”.

Os dólares de Verbinski

Correm boatos tão acirrados sobre “Piratas do Caribe 4” que parece quase anti-natural que nenhum deles sequer mencione o nome do marinheiro principal de toda a série, o diretor Gore Verbinski, que além da trilogia também foi responsável por “A Mexicana” e pela versão americana de “O Chamado”. A resposta para a ausência de Verbinski nas notícias não poderia ser mais simples: o americano está ocupado demais para retornar a série que o tornou famoso. Ou pelo menos por enquanto. Seu novo filme, a animação digital “Rango”, dublada pelo mesmo Johnny Depp que eternizou o Capitão Jack Sparrow, está em um processo complicado de pós-produção para lapidar a história de um animal de estimação que foge de casa e parte em uma jornada para encontrar seu verdadeiro sentido de vida. Complexo demais, “Bolt” demais para você? Melhor esperar 18 de Março de 2011 para conferir. De qualquer forma, o outro projeto do diretor, que acaba de entrar em pré-produção, é que anda causando polêmica nos círculos de cinéfilos. Considerado por muitos o vídeo-game de visual mais impressionante jamais feito, “Bioshock” chegou em 2007 para aumentar as vendas do XBOX 360 e contava a história eletrizante de Jack, o único sobrevivente de um acidente aéreo em plenos anos 1960 que descobre uma utopia submarina abandonada cujo segredo de criação pode ser muito mais sinistro do que ele poderia imaginar. Como adaptações cinematográficas de jogos de tiro em primeira pessoa são sempre complicadas, a Universal contratou um roteirista de primeira estirpe para dar vida a trama. O nome é John Logan, responsável por roteiros como “Gladiador”, “O Aviador” e “Sweeney Todd”, que começou o trabalho em cima do game em Maio de 2008 sob a declaração de Verbinski que a pré-produção começaria assim que o roteiro estivesse pronto. Como isso foi a um ano atras e o único rumor desde então foi a possível participação de Wenthworth Miller (“Prision Break”) como o protagonista, as suspeitas levantadas acabaram sendo confirmadas na última semana, quando a Warner anunciou que “Bioshock” passaria algum tempo em molho para “reinventar a si próprio”. Tudo isso porque o orçamento proposto por Verbinski ultrapassava os 160 milhões de dólares. Segundo o diretor, a Universal sugeriu transferir as filmagens para fora do país, visando diminuir os custos da produção, já que eliminaria a cobrança de impostos. Ele disse estar avaliando se isso “seria algo que gostaríamos de fazer”.

Filme de tribunal

 

Normalmente, quando algum desentendimento entre estúdios, diretores e produtores vai parar na justiça é sinal que uma das partes está sendo inflexível demais no processo colaborativo que é fazer cinema. No caso de “Margaret”, por exemplo, essa culpa parece ser, a uma primeira análise, do diretor e roteirista do filme, Kenneth Loregan. Ele, roteirista de renome com “Gangues de Nova York” no currículo e diretor de segunda viagem depois do relativo fracasso de “Conte Comigo” (não o dos anos 1980, o de 2000), tem sido acusado pela Fox Searchlight, dona dos direitos de distribuição de “Margaret”, e pelo produtor Scott Rudin (“A Outra”) de não aceitar absolutamente nenhuma interferência em seu processo criativo e de rejeitar toda e qualquer idéia que se oponha a sua visão do filme. Mas antes de qualquer julgamento, melhor conhecer a história de “Margaret”. Em produção desde 2005 e com pelo menos meia dúzia de datas de estréia diferentes desde então, o filme começa promissor por trazer Matt Damon (“O Ultimato Bourne”) e a sumida Anna Paquin (“X-Men”) como as testemunhas de um gravíssimo acidente de ônibus que tira a vida de dezenas de pessoas. Como foram os únicos a presenciar tal acontecimento, são interrogados pela polícia e se tornam peças decisivas para a determinação se o acidente foi ou não intencional. Tudo isso enquanto se descobrem aos poucos apaixonados, é claro. Ao lado deles nas filmagens estiveram ainda Jean Reno (“O Código da Vinci”) e Matthew Broderick (“Mulheres Perfeitas”), que já havia trabalhado com o diretor em sua estréia e se envolveu na polêmica que hoje envolve o longa ao ceder 1 milhão de dólares do próprio bolso para financiar o longo processo de edição. Imagens das filmagens chegaram a ser liberadas, mas ao que parece toda a briga começou na ilha de edição, onde o diretor se viu preso na determinação do estúdio de que o filme não poderia ultrapassar os 150 minutos de duração. O filme ganhou em moral e expectativa depois que Martin Scorsese, amigo do diretor, viu a primeira versão preliminar e saiu dizendo para quem quisesse ouvir que “Margaret é brilhante, uma obra de arte”. Apesar da moral, a batalha continuou, na época ainda envolvendo o co-produtor Sydney Pollack (“O Leitor”), que faleceu sem ver o filme ganhar os cinemas, o que hoje surge apenas como uma possibilidade, já que os processos continuam correndo na justiça americana.

Vingança em DVD

Muito se disse sobre “30 Dias de Noite” na época em que este foi lançado, no final de 2007. Apesar de bater de frente com o fenômeno “Eu Sou a Lenda” em terras tupiniquins, o filme chegou bem falado pela crítica americana e com a expectativa de uma atuação vampiresca empolgante por parte de Danny Huston (“Número 23”), além do retorno do astro Josh Hartnett (“Xeque-Mate”) ao gênero que o revelou no final dos anos 1990, o terror. Tudo isso somado a direção promissora de David Slade, que havia surgido para o mundo com o assustador conto de fadas ao reverso de “Meninamá.com”. Despretensioso até a medula e com litros de sangue derramado na tela, talvez o filme tenha oferecido bem menos do que se esperava para o público, o que provocou um resultado no mínimo decepcionante nas bilheterias americanas e nem tão empolgante no resto do mundo. Como o resultado da história nos quadrinhos foi bem mais satisfatório depois das três edições originais em 2002, o escritor Steve Niles e o desenhista Ben Templesmith não perderam tempo em revisitar o território e já no ano seguinte apareceram nas bancas com “Dark Days”, a seqüencia oficial da trama. Na nova aventura a protagonista é Stella Olemaun, uma das sobreviventes do ataque a Barlow na primeira série, que se refugia amargurada em Los Angeles e busca um meio de trazer seu marido Euben, morto no ataque anterior, de volta a vida. Tal objetivo só pode ser alcançado se ela souber se aliar as pessoas certas na busca pela amante de Vicente, o vampiro chefe do bando que atacou Barlow. Ao lado dela, o vampiro em busca de vingança Dane e o agente do FBI descrente, Norris, que se tornaria figura recorrente nas continuações não-oficiais. Com uma trama assim tão explosiva e um clímax que promete trazer todos os que não gostaram do primeiro filme para junto do clima da série, pode ser que “Dark Days”, o filme, chegue ao espectador diretamente em DVD. Segundo Niles, o roteiro já está pronto, mas o produtor Sam Raimi (“Homem-Aranha”) se disse satisfeito com o futuro da série no “cinema a domicílio”. Ao que parece, Raimi convenceu o escritor de que o mercado de DVD é subestimado como um potencial criador de filmes cult. Segundo ele: “Dessa forma poderemos desenvolver todos os quadrinhos. Não teremos que lidar com a competição feroz das bilheterias de cinema e, teoricamente, poderemos produzir novas séries e contos”. Ainda é uma incógnita se o elenco original retorna ou não a série.

O retorno de Alice

Enquanto os produtores não decidem se querem ou não mudar a promover Ali Larter (“Heroes”) de coadjuvante a protagonista no vindouro quarto filme da série “Resident Evil” e deixar a Alice de Milla Jovovich (“Ultravioleta”) de lado, a atriz prepara seu retorno as telas de cinemas em outras terras após a parada de dois anos para curtir a maternidade ao lado do marido, o diretor Paul W.S. Anderson (“Corrida Mortal”). Completado e esperando distribuição adequada ela tem “A Perfect Getaway”, thriller de assassinos em série assinado por David Twohy (“A Batalha de Riddick”), que a traz como par romântico de Steve Zahn (“O Sobrevivente”) e parte de um grupo em férias no paradisíaco Havaí que descobre que algum psicopata está matando os turistas na ilha. O filme ainda conta com o sempre eficiente Timothy Olyphant (“Duro de Matar 4.0”) e atualmente está nas mãos da MGM decidir a data de estréia, por enquanto marcada para 14 de Agosto. Já em pós-produção está “The 4th Kind”, dirigido e escrito pelo sempre surpreendente Otalunde Osunsanmi, responsável pelo pioneiro na moda de filmagens amadoras com o terror “A Caverna do Medo”. Ele encara agora a história real de uma cidadezinha no Alaska em que um extraordinário número de desaparecimentos nos últimos 40 anos levanta um movimento popular para forçar o governo do estado a revelar todos os detalhes sobre os casos. Jovovich interpreta uma psicóloga que se envolve com o caso ao atender pessoas com problemas similares aos de seu marido antes de desaparecer. Enquanto a dupla aí não é lançada, Jovovich acaba de se envolver em outros dois projetos que prometem fazer seu barulho. Sua participação em “Keep Coming Back” ainda não é oficial, mas os fãs já ficaram exaltados com a possibilidade de assistir a interpretação mais forte da carreira da atriz ao encarnar uma stripper pela qual o personagem de Mos Def (“16 Quadras”) é apaixonado. Com uma vida cheia de problemas, o jovem comete a loucura de ingressar nos Alcoólicos Anônimos apenas para dividir a sala com sua amada platônica. O presidente das reuniões e diretor de primeira viagem no projeto deve ser William H. Macy (“Motoqueiros Selvagens”). Por fim, Jovovich promete lançar seu vôo mais ambicioso sob o comando do holandês Paul Verhoeven (“Instinto Selvagem”) em “The Winter Queen”, drama histórico baseado em um best-seller que conta a história de um detetive da polícia de Moscou envolvido em uma conspiração de escala nacional que envolve do czar a uma manipuladora femme fatale, papel para o qual Jovovich já foi confirmada. Sem contar os imprevistos, os quatro filmes devem aportar nos cinemas até 2011.

Agente vermelho

Ainda com a arrasadora ficção científica “Surrogates” (na foto) em pós-produção para chegar aos cinemas em Novembro e pronto para começar a filmar sob a direção de Kevin Smith (“O Balconista”) no vindouro “A Couple of Dicks”, Bruce Willis acaba de envolver em seu primeiro projeto adaptado de quadrinhos depois da tradução mais que fiel que foi o “Sin City” de Robert Rodriguez (“Pequenos Espiões”). Não que seja novidade o astro ter sido escalado para viver o protagonista de “Red”, uma vez que mesmo os desenhos de Cully Hammer eram inspirados nas feições do ator. O protagonista é o ex-agente da CIA Paul Moses, que vive isolado do mundo a não ser pelas ligações telefônicas com seu antigo companheiro de ação e pelas cartas com sua sobrinha que vive na Inglaterra. Sua tranqüilidade é abalada quando o novo diretor da agência, promovido pelo próprio presidente, fica sabendo do número de segredos que Moses guarda há tanto tempo e não pensa duas vezes antes de mandar três outros agentes para matá-lo. É claro, o plano não dá certo, e Moses escapa de seu apartamento vivo, pronto para uma caçada que se estenderia por três edições mensais entre o fim de 2003 e o começo de 2004. O roteiro sempre acima da média do consagrado Warren Ellis colocou a série como uma das preferidas dos críticos na época em que foi lançada, mas precisou de cinco anos para ser digerida por Hollywood. A Summit Entertainment, cada vez mais ambiciosa depois do sucesso de “Crepúsculo”, contratou o experiente produtor Lorenzo di Bonaventura (“Stardust”) para colocar a adaptação a caminho e recebeu o retorno quase de imediato com a contratação dos irmãos roteiristas Erich e Joe Hoeber, responsáveis por outra obra baseada na arte seqüencial, o adiado “Whiteout – Morte no Gelo”. Enquanto o diretor e as filmagens não são marcadas, Willis dá um empurrão para a produção de “Inventory”, em que pode interpretar um policial que se infiltra nos Alcoólatras Anônimos para juntar provas contra um dos integrantes do grupo, acusado de assassinato. Outro projeto com o astro envolvido é “Scarpa”, cinebiografia do gângster Greg Scarpa Jr, que foi informante do FBI na família Columbo por 30 anos antes de assumir seu lado criminoso e morrer na prisão em decorrência de AIDs, contraída por uma transfusão de sangue. Tudo isso sem tirar seu nome do elenco de “Pinkville”, que seria o próximo projeto de Oliver Stone (“Platoon”) até a greve dos roteiristas e até agora não se recuperou do baque.

Bom, pessoal, e por hoje é isso… Preparei essas notícias todas hoje para tirar o atras de novidades por aqui. Agora sim dá para se organizar e marcar dias certos para o Boletim vir todas as semanas. Creio que serão quatro dias, mas preciso me organizar… Por fim, quem ainda não entrou, não custa divulgar mais uma vez. O Filme-Pipoca tem comunidade no ORKUT! Quero ver todo mundo por lá, hein? Esse aqui é o link: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=87626813. Valeu pessoal, os melhores filmes para todos sempre e até mais!

quarta-feira, 4 de março de 2009

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (04/03/2009)

Intervalo cerebral

Jogos mentais não são estranhos ao diretor e roteirista Christopher Nolan. Afinal, foi com eles que o americano ganhou fama, assumindo o comando dos independentes e inovadores “Amnésia”, uma fábula violenta contada de trás para frente, e mais tarde “Insônia”, cheio de pressões psicológicas e suspense no melhor estilo Hitchcock e com o bônus de ainda ter Al Pacino no elenco. Foi de lá que ele foi para a escuridão do perturbado herói de “Batman Begins” e “O Cavaleiro das Trevas”, entre os quais armou outra sinfonia de inveja e raiva no brilhante “O Grande Truque”, o resultado sensacional do primeiro “intervalo entre blockbusters” do diretor. Agora que já completou a obra-prima do Morcego e vê ainda um pouco longe o terceiro filme da franquia, é hora de Nolan retornar a seu verdadeiro terreno e jogar com os pensamentos do espectador uma vez mais. Tudo bem, dessa vez ele radicalizou. Dando um tempo também na parceria com o irmão Jonathan, ele assume sozinho o roteiro original de “Inception”, que é descrito no primeiro esboço de sinopse como “uma ficção científica de ação ambientada dentro da própria arquitetura da mente”. Estaríamos diante de um novo “Cubo”, o filme de terror sem motivo mas cheio de criatividade que virou cult em 1997? Talvez seja melhor confiar na gritante diferença de talento existente entre Nolan e Vincenzo Natali, que depois do fatídico filme se limitou a títulos pouco significativos. Ou para os mais desconfiados seja uma prova melhor dizer que Leonardo DiCaprio (“Foi Apenas um Sonho”), um dos astros com escolhas mais sábias nos últimos anos, já embarcou no novo projeto do diretor, que deve sair em 2010. Enquanto isso, o terceiro Batman recebeu confirmação apenas de Christian Bale (“Os Indomáveis”) de volta no papel principal.

Mickey sem animação

Não, as bilheterias dos filmes da Disney não sofreram uma queda drástica, como pode sugerir o título. A animação é mesmo uma referência ao traço dos artistas que definiram o personagem símbolo do estúdio. Em seu primeiro e último papel em um filme lançado nos cinemas da produtora, o rato protagonizou o encantador curta-metragem “Aprendiz de Feiticeiro”, um dos segmentos presentes no clássico “Fantasia” e no comemorativo “Fantasia 2000”. A história todos já devem conhecer, mas não custa relembrar: escolhido por seu mestre, um grande bruxo, para realizar algumas tarefas domésticas, Mickey tenta usar seus dons de aprendiz para terminar mais cedo e partir para se encontrar com sua amada secreta. É claro, nem tudo sai exatamente certo e acaba conduzindo a junta de notas musicais e animação em cores vivas que marcou o estúdio. Como tal história pode vir a se tornar um longa-metragem, e em live action, certamente é uma pergunta que os produtores estão tentando responder. Isso porque os nomes envolvidos na refilmagem em carne e osso de “Aprendiz de Feiticeiro” continuam aumentando, e ainda assim não há sequer um roteirista anunciado. David Berenbaum (“A Casa Mal-Assombrada”) já tentou e desistiu da missão, e desde então o interesse de gente como Nicolas Cage ressuscitou o projeto. O astro arrastou consigo para o projeto o diretor Jon Turteltaub, seu comandante nos dois “A Lenda do Tesouro Perdido”, e nos últimos três meses o elenco do filme ganhou mais três adições no mínimo respeitáveis. Primeiro, o comediante Jay Bucharel, um dos comandados de Ben Stiller em “Trovão Tropical”, embarcou para interpretar o papel principal. Depois, foi a vez de Teresa Palmer (“Um Verão Para Toda a Vida”) assinar para viver o interesse romântico do protagonista e Alfred Molina (“Homem-Aranha 2”) repetir a dose de vilania e se tornar o antagonista da trama. Apesar da falta de notícias no roteiro, parece que as filmagens do longa terão início ainda no próximo mês.

Das prateleiras do Brasil para as telas americanas

 

Já há algum tempo que se escuta boatos sobre alguns projetos hollywoodianos baseados em livros do autor brasileiro mais lido do mundo, Paulo Coelho. Já se falou em “Veronika Decide Morrer” com Kate Bosworth (“Superman – O Retorno”) no papel principal e em Laurence Fishburne (“Matrix”) estreando como diretor e roteirista em uma adaptação de “O Diário de Um Mago”. Até pouco tempo, também era ele que estava envolvido em “Onze Minutos”, o projeto com o nome do brasileiro que tinha mais chances de realmente vingar. A história, publicada em 2003, soa mesmo como um drama conceitual americano: Maria é uma prostituta brasileira que parte pelo mundo atrás de seu ideal de amor, a união plena entre corpo e alma. Encontra em um pintor bêbado essa figura, mas precisará passar por cima de muitos obstáculos invisíveis para conquistar esse grande amor e o direito de finalmente viver livre do fardo de pobreza que sempre carregou. Em 2005 nomes significativos foram anunciados para o projeto, que iam desde o produtor Gianni Nunnari, parceiro de cineastas como Martin Scorsese (“Os Infiltrados”) e Oliver Stone (“Alexandre”), até a possível presença de Jack Nicholson (“Melhor é Impossível”) no elenco. Logo após a saída de Fishburne, em 2007, o ator foi cotado também para dirigir o filme, assim como fez com “A Chave do Enigma”, continuação do clássico “Chinatown”. É claro, se estamos aqui é porque os planos mudaram, e agora é o iraniano Hany Abu-Assad (“Paradise Now”) quem dirige a adaptação, trabalhando com o roteiro do brasileiro Marcos Bernstein (“Zuzu Angel”) e atraindo para o elenco nomes bem respeitáveis, tais como Alice Braga (“Eu Sou a Lenda”), Mickey Rourke (“O Lutador”) e o francês Vincent Cassel (“Senhores do Crime”), um apaixonado assumido por nosso país. Ainda não há previsão para o lançamento de “Onze Minutos”.

Morrer ou viver... eis a questão?

Como você se sentiria se soubesse que foi concebido apenas para salvar a vida de outra pessoa e sacrificar a sua vida por outra? Não estamos falando de destino, que fique bem claro, mas pura intenção humana. Se sentiria amedrontado, mas enfrentaria a missão? Ou talvez revoltado por ter sido usado como uma cobaia sem ser avisado sobre isso? Não é um dilema fácil de encarar. Agora imagine tudo isso para uma garota de nove anos que nasceu com a missão de salvar a irmã mais velha, acometida de câncer, ao custo da própria vida. É em uma situação delicada como essa que “My Sister’s Keeper” encontra seu cenário. O livro, publicado pela americana Jodi Picout em 2004, mostrava a luta dessa garota, concebida pela fertilização in vitro, para possuir o direito de fazer com seu corpo o que ela bem entendesse. Em resumo, era a história de uma cobaia clamando (na justiça) por emancipação, enfrentando uma mãe ex-promotora e um dilema dos mais perigosos. No início de 2007, quando surgiram as primeiras notícias sobre a adaptação cinematográfica, o filme chamou a atenção dos cinéfilos em geral graças aos boatos de que poderia reunir as irmãs Dakota & Elle Fanning, que nunca haviam contracenado a despeito de terem interpretado a mesma personagem, em épocas diferentes, em “Uma Lição de Amor”. Mas aos poucos os nomes das duas foram sendo afastados da produção, que acabou ganhando suas protagonistas nas figuras de Abigail Breslin (“Pequena Miss Sunshine”) e Sofia Vassilieva (a Ariel da série “Médium”), enquanto gente do calibre de Cameron Diaz (“As Panteras”) como a mãe ex-promotora, Alec Baldwin (“30 Rock”) como o advogado da protagonista e Joan Cusack (“Escola de Rock”), cujo papel ainda não foi revelado, embarcavam no projeto ao lado do diretor e roteirista Nick Cassavetes (“Alpha Dog”). Ele, aliás, provocou polêmica recentemente ao assumir que modificou o final do livro para a adaptação. A autora pareceu não ficar muito satisfeita: “Mudar o final muda a mensagem. Entretanto, estou animada para assistir o filme e tirar as minhas conclusões”.

Crise até na fantasia

Um pouco de bizarrice nunca é demais, principalmente em tempos de falta de criatividade na terra do cinema. Mas se Spike Jonze acertou na medida anos atrás com “Quero Ser John Malkovich”, será que Alexander Payne não está exagerando um pouco em sua nova fábula dramático-cômica, “Downsizing”? Pensando bem, é difícil enxergar algo de dramático em uma trama como a que vem nas próximas linhas: um casal em dificuldade financeiras decide cortar as despesas... diminuindo de tamanho! E não para por aí, já que ela desiste em um último instante e deixa o marido minúsculo, sozinho e obrigado a desfrutar da péssima companhia de um arrogante espanhol que teve a mesma idéia e acabou ficando do tamanho de uma lata de refrigerante. Para piorar um pouco mais, este último é perseguido por seu irmão gêmeo, ainda em tamanho normal, e tudo isso sem sequer uma palavra sobre a forma como o milagre do encolhimento poderia acontecer. Caso ninguém tenha notado, a sinopse soa como uma tentativa um tanto grotesca de engodo fantástico no contexto da crise financeira mundial. Mas parece que mesmo com tamanho exagero, Payne ainda continua o mesmo ímã de astros cool tentando fazer nome no cinema independente-comercial (não é a primeira vez que uso  esse termo por aqui). Os nomes da vez são Reese Witherspoon e Paul Giamatti, que já trabalharam com o escritor-diretor há algum tempo em “Eleição” e “Sideways – Entre Umas e Outras”, respectivamente. Enquanto eles encarnam o pouco convencional casal, o comediante Sasha Baron Cohen, o Borat, deve interpretar o espanhol e seu irmão obcecado. O título do projeto é uma brincadeira ambígua entre um jogo de palavras (down – abaixo, size – tamanho) e uma expressão técnica empresarial que tem sentido de “corte de pessoal”.

Bom, pessoal, um dia cheio de notícias para o cinema! Acho que há algum tempo que não tínhamos mais de quatro notícias em um mesmo dia… de qualquer forma, o que me resta é agradecer a todos vocês pelos comentários e pela atenção a esse humilde blogueiro tentando falar de sua paixão maior, o cinema. Obrigado mesmo, é ótimo ver este trabalho dando resultado… Valeu e até amanhã!