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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Guerra ao Terror – O vício da guerra no filme mais perturbador dos últimos tempos

Guerra ao Terror (The Hurt Locker, EUA, 2008).

De: Kathryn Bigelow.

Com: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, Guy Pearce, Ralph Fiennes, David Morse, Evangeline Lily.

131 minutos.

Certas coisas são impossíveis de replicar. Assim como no universo criado por Ridley Scott no lendário Blade Runner, a diferença entre o verdadeiro e o artificial é sutil, quase imperceptível a olhos destreinados. Nas mãos da pessoa certa, é até plausível dizer que o sentimento é o mesmo. Mas, como no final tudo é um espetáculo, a cortina fecha e lá estamos nós. Abalados, impressionados, quem sabe até devastados pelo que acabou de passar por nossos olhos. O mesmíssimo desespero transparecendo no olhar. Mas estamos seguros, confortáveis, teremos tempo para pensar, para se recuperar, e simplesmente seguiremos em frente. É cruel, é quase aflitivo em alguns momentos, mas é a verdade e esconder-se dela é inútil. Se há algo que Guerra ao Terror passa com eficiência ímpar é essa sensação desoladora de saber... mas não poder agir. Afinal, se estamos aqui, deste lado da tela, por mais que quisermos salvar vidas do outro lado do oceano e descobrir o que realmente está acontecendo, não está ao nosso alcance. Não podemos estender a mão, suportar o peso de uma arma ou desarmar uma bomba colocando a própria vida em perigo em nome de pessoas que não conhecemos, e pior, nas quais não confiamos. Guerra ao Terror deixa claro desde o início o que quer provar. Em uma citação que surge na tela sem explicações, uma frase permanece por mais tempo: a guerra é uma droga. E nós, seres humanos, somos potenciais viciados. Todos nós. É difícil explicar a sensação, mas assistir a Guerra ao Terror é como ter uma dose baixa, inofensiva quase, dessa droga. Quando você menos esperar, vai estar hipnotizado, querendo mais. Sobem os créditos, e é quase como se uma viagem tivesse acabado antes do momento certo. Não há um final de verdade em Guerra ao Terror, porque a guerra ainda não acabou, e, provavelmente, nunca irá acabar. Ficar ao lado de soldados tão dedicados e tão diferentes por breves duas horas é como ver crescer um sentimento ambíguo que, por breves momentos, é verdadeiro. Poderoso, até, a ponto de fazer subir aquele arrepio pela espinha e a ponto de fazer a câmera se tornar nossos próprios olhos, observando algo que odiamos, que causa repulsão. Mas, ainda assim, algo que parece natural. Horrivelmente prazeroso. A pergunta que fica: por quê? Não importa. Não para as vidas que se perdem na batalha, pelo menos.

William James (Jeremy Renner) é um sobrevivente e ao mesmo tempo alguém que receberia a morte com um sorriso. Um soldado que viveu mais na guerra do que fora dela e alguém que não esconde o quanto sua vida faz mais sentido com a adrenalina correndo por suas veias. Um homem que não teme a morte porque sabe que a vida depois de sobreviver a ela pode não valer a pena. Um personagem complexo que aos poucos desenvolve uma identificação imprevisível, explosiva e intrincada com o espectador conforme os dias em campo vão passando e a ligação entre ele e seus comandados vai se estreitando. Ele se torna o novo sargento de uma divisão responsável por desarmar bombas no calor da batalha quando Matt Thompson (Guy Pearce) sucumbe a uma das armadilhas terroristas espalhadas pela cidade. É claro, a guerra não pode parar e James assume a liderança do time formado pelo cauteloso JT Sanborn (Anthony Mackie) e pelo jovem Owen Eldridge (Brian Geraghty). O primeiro, uma pilha de nervos a flor da pele e um soldado que não gosta de sair dos planos porque preza demais por sua vida. De certa forma, o antagonista perfeito para o jogo de gato e rato que James impõe no combate urbano tenso em pleno Iraque. O segundo, um jovem perturbado pelo horror da guerra que vê na serenidade nervosa de James um exemplo para se mirar e tenta ser como ele porque quer esquecer quantas vidas pesam no julgamento de sua arma. A balança imprevisível de emoções e temperamentos é gerenciada com precisão cirúrgica e magistral habilidade pelo roteiro de Mark Boal (No Vale das Sombras), uma revelação de puro realismo e um deleite de envolvimento para os apreciadores do bom cinema. De forma mais objetiva, porém, a verdadeira força do roteiro vem do assustador clima de pressão emocional e psicológica ao qual o espectador é submetido a cada nova missão e, no clímax, mesmo nos diálogos mais banais. As situações extremas criadas pelo roteirista conduzem com habilidade ímpar os personagens por um labirinto de maus julgamentos e ventos amargos que levam a um destino ruim. Ou pelo menos assim parece durante todos os 131 minutos de Guerra ao Terror, um filme que destrói de uma vez por todas qualquer esperança de que um dia a paz possa reinar. Porque a guerra é milhares de vezes mais poderosa do que qualquer outra droga.

Apesar do trabalho primordial fantástico de Boal no roteiro, Guerra ao Terror jamais causaria o impacto que pretende se não fosse o trio de protagonistas. Jeremy Renner, mais conhecido por papéis coadjuvantes em filmes como Extermínio 2 e Terra Fria, encara seu primeiro protagonista e faz um trabalho não menos que perfeito ao dar vida ao furacão de violência e contradição que é William James. Na pele do sargento, Renner entrega a interpretação intensa que o personagem exige e ainda vai além, compondo um cru, cruel e desoladoramente realista mensageiro da morte, que chega como uma força sobrenatural e humana a um tempo para balançar o mundo já abalado de soldados que não sabem até que ponto vale a pena lutar pela sobrevivência. Detalhista, visceral ou simplesmente eficiente para o que se propõe, Renner passeia pelo roteiro com a desenvoltura de um gigante em cena. Ao lado dele, Anthony Mackie (Menina de Ouro) é o soldado honrado e a ligação emocional mais forte do espectador com a platéia, compondo uma atuação menos intensa que a de Renner, e ainda assim tão eficiente quanto. É a prova definitiva de que interpretar é mais instinto e menos fórmula, uma explosão de criatividade em tela e uma incorporação perfeita de um personagem que parece mais simples do que verdadeiramente é. Complexidade essa que é entrelaçada de forma quase instintiva com a atuação de Brian Geraghty (Soldado Anônimo), um furacão de incerteza que passa pela tela arrasando tudo a seu caminho e termina a projeção como o elo fraco de uma corrente que se partiu. O resultado: seu Owen Eldridge é o mais real, impressionante e inesquecível elemento de Guerra ao Terror. Se o elenco faz o trabalho pesado ao trazer intensidade e técnica a uma história de puro instinto, Kathryn Bigelow (Caçadores de Emoção) cuida de nos mostrar, com sua câmera trêmula e invasiva, o quanto o cotidiano de uma guerra pode ser perturbador. Intrusiva, carregada de instinto e talento incontestável, a direção da cineasta se adéqua tão puramente com a trama que fica difícil imaginar outras imagens traduzindo os mesmos sentimentos. Ela não foge do impacto visual e, jogando nesse campo, constrói algumas das cenas mais impressionantes dos últimos tempos, mostra-se eficiente em provocar tensão e não escorrega nos momentos de adrenalina, chegando ilesa ao final dos 131 minutos de projeção de Guerra ao Terror e criando uma identidade visual única para um filme em que tudo parece convergir para um resultado de brilhantismo e perturbação irrevogáveis. O mais impressionante? Pode estar acontecendo, de verdade, a um oceano de distância.

Nota: 8,5

hurt

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (13/04/2009)

Fleuma britânica

2008 foi o ano definitivo para Ralph Fiennes. Vindo de atuações pouco notadas em dramas britânicos independentes e longe da glória dos anos de Oscar conquistados por “A Lista de Schindler” e “O Paciente Inglês”, o ator voltou em toda a glória para a lista de primeira prioridade dos críticos com uma trinca de filmes e atuações elogiadas. Seja trazendo brutalidade e competência para o clímax do genial “Na Mira do Chefe”, servindo como olho do furacão para a passagem dos anos em “O Leitor” ou praticando a insinuação como o elogiado conde maligno de “A Duquesa”, a verdade é que Fiennes só não levou o título de astro do ano porque o ressurgimento de Robert Downey Jr (“Homem de Ferro”) veio para lhe ofuscar. A grande pergunta que fica depois de três escolhas tão acertadas em seqüência é se o astro vai continuar no mesmo ritmo para os anos vindouros. Se o respeito dos fãs de fantasia ele já tem ao encarnar o vilão-mor Lord Voldemort nos filmes de “Harry Potter”, é do restante do público, ligado em outros tipos de filmes, que ele mira para tomar de assalto (mais uma vez) a terra do cinema. Depois de se garantir na refilmagem da aventura divina “Clash of The Titans” como o deus grego da guerra Hades, Fiennes acaba de se garantir ao lado de um dos maiores sucessos cômicos dos últimos tempos. Elogiado por séries de televisão como a versão britânica de “The Office” e a divertida “Extras” e dono de um reduzido currículo cinematográfico, o polivalente Ricky Gervais acaba de ganhar a companhia de Fiennes em um representante de sua trinca de choque para os próximos anos. “The Men at The Pru” promete se deixar levar pela recente onda de comédias dramáticas e misturar risos e lágrimas em um conto sobre a chegada da maturidade protagonizado por garotos dos anos 1970 abrindo uma companhia de seguros. Previsto para estrear em 2010, o filme conta com Gervais como o chefe do elenco adulto e ainda tem seu crédito na direção e no roteiro, onde divide o crédito com Stephen Merchant, parceiro de longa data na TV que deve estrear no comando de longas-metragens com o filme. Antes da obra agridoce, porém, Gervais deve exercitar sua comédia de constrangimento ao contar a história de um mundo onde ninguém jamais mentiu em “The Side of Truth”, a ser estrelado pela sumida Jennifer Garner (“Elektra”).

O retorno da caça-vampiros

Comenta-se sobre um filme de “Buffy, A Caça-Vampiros” desde 2000. Na época, a série estava no auge da explosão de audiência e ganhava cada vez mais comentários positivos da crítica especializada. Com o texto pop e acertado de Joss Whedon tornado no símbolo de uma geração e a protagonista Sarah Michelle Gellar estourando em carreira no cinema com filmes como “Segundas Intenções”, era quase natural pensar que a série poderia retomar seu caminho de volta para as origens. O rumor que corria era que a trama uniria a Buffy retratada na televisão com aquela já vista nos cinemas em 1992 no pouco notado filme que deu origem a série. Fracasso de bilheteria mesmo com um elenco coadjuvante que incluía Rutger Hauer (“Blade Runner”) e Donald Sutherland (“Um Amor de Tesouro”) para dar suporte a jovem Kristy Swanson, que na época vinha de um papel coadjuvante na comédia “Top Gang”, o filme foi deixado para trás mesmo pela cronologia televisiva, que ignorou os acontecimentos e inclusive colocou a protagonista para enfrentar o mesmo inimigo que havia aniquilado na desventura cinematográfica. A animação dos fãs mais radicais com a proposta de união dada por Whedon foi enterrada com declarações nada delicadas de Gellar. Nas palavras dela: “Eu tenho que ser honesta e dizer que acredito que antes de tudo era um filme e não funcionou como tal. E nós lutamos por tempo demais somente para tirar o que era essencial em uma produção que não dará certo”. E assim, quase um ano depois dos surgimentos dos boatos, parecia morta e enterrada a proposta de se fazer um novo filme de “Buffy”. É claro, os anos se passaram e muita coisa mudou com eles. Whedon se acomodou em outros projetos televisivos, passou de um homem de um projeto só para um dos escritores mais cultuados da televisão e até levou seu fracasso espacial “Firefly” para os cinemas na aventura “Serenity”. Já Gellar, quem diria, perdeu muito do brilho com muitas escolhas ruins e até chegou ao ponto de lançar filmes de terrror independentes direto para o vídeo. Mais mansa e tentando se recuperar, a atriz se aproveitou do súbito interesse da Fox em ressuscitar o projeto (decisão que absolutamente nada tem a ver com o sucesso de “Crepúsculo”, é claro) e já está em negociações para reviver a protagonista, apesar de seus coadjuvantes da série estarem envolvidos em outros projetos que podem não conciliarem-se em uma brecha de tempo suficiente para a tornar o projeto em realidade. A trama da vez? Uma Buffy envelhecida e amaciada pela maternidade (!) retorna a cidade natal ao ouvir sobre uma nova e potencialmente perigosa ameaça.

Spin-off vilanesco

Pode ser que overdose de vilões e a trama caótica e perdida de “Homem-Aranha 3” não tenha agradado aos fãs e a crítica da mesma forma que seus predecessores, mas a bem da verdade, o filme fez jus ao inflado orçamento de mais de 250 milhões de dólares e estourou nas bilheterias mundiais, amealhando 885 milhões a mais para conta da Sony, a 12ª melhor bilheteria da história e 11ª fora de solo americano. O estúdio, que como toda major adora explorar ao máximo os melhores números, já confirmou o diretor Sam Raimi (“Uma Noite Alucinante”) e o protagonista Tobey Maguire (“Seabiscuit”) para um quarto filme do herói, mas também pretende se aproveitar do fanatismo dos fãs para produzir um spin-off no mínimo inesperado. Elemento mais criticado no terceiro capítulo das aventuras aracnídeas no cinema, o vilão Venom deve protagonizar sua própria produção e chegar aos cinemas ao mesmo tempo que o quarto tomo de seu nêmese. Em desenvolvimento desde que Jacob Aaron Estes (“Pacto Maldito”) entregou o primeiro tratamento do roteiro para o filme-solo do vilão em Abril do ano passado, “Venom” passou alguns meses em gestação dentro de um estúdio que ainda decidia o que fazer com os personagens de uma editora que agora partia para vôo solo e apenas agora ganhou novidades que vêm coladas com as primeiras notícias de “Homem-Aranha 4”. As declarações entusiastas da dupla de roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick, responsáveis entre outras coisas pela continuação “Tarzan 2” (lançada diretamente em vídeo) e escritores do inédito terror “Zombieland”, não me deixam mentir. Nessa sexta-feira, em entrevista ao site Sci-Fi Wire, os dois disseram-se “aterrorizados” com a expectativa da aceitação do público em massa para um filme solo do vilão e se declararam fãs do personagem e de toda a mitologia dos heróis e vilões da Marvel. Ao que parece, desde que o tratamento original foi considerado cheio de boas idéias mas mal-desenvolvido para o que o estúdio exigia, os dois foram contratados. Segundo eles, algumas idéias que tinham foram aprovadas e outras não, e a Sony lhes deu um prazo para a entrega de um rascunho do roteiro. Reese disse que ele o parceiro trabalharam nas idéias e no rumo para o personagem por um bom tempo antes de entregar a versão preliminar da obra. Não se sabe se o filme terá uma ligação com a terceira parte da trilogia “Homem-Aranha” ou se Topher Grace (“That’s 70s Show”) estará de volta.

Bom, pessoal, e por hoje é só isso mesmo. Não tive muito tempo para organizar as notícias acumuladas do feriado (apesar de terem sido poucas em uma Hollywood que também tira férias), então nessa semana vou tentar liberar aos poucos e com calma as novidades, ok? Bom, como sempre, obrigado por todos os comentários que me incentivam a continuar, e os melhores filmes para todos vocês sempre! Até amanhã!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (09/04/2009)

A volta do Capitão

Parecia o fim de uma trilogia. Com as pontas amarradas e diversão para dar e vender, “Piratas do Caribe – No Fim do Mundo” passou como um furacão em um ano cheio deles para deixar-nos a última dose da graça conquistadora do Capitão Jack Sparrow. É claro, como Jerry Bruckheimer (“A Lenda do Tesouro Perdido”) é o produtor mais esperto de Hollywood, nada como um gancho dos grandes no final para deixar um pouco de expectativa no ar e a promessa de outras centenas de milhões de dólares nas contas dos envolvidos na produção. A verdade é que o público ainda não se cansou das nuances exageradas da interpretação de Johnny Depp (“Sweeney Todd”) para o adorável pirata, e poucas vezes uma mobilização tão grande foi vista em torno de uma continuação que, oficialmente, não deveria existir. Mas quem resiste a retomar a aventura? Depp, um confesso fã de seu personagem, já embarcou no projeto de “Piratas do Caribe 4” e uma série de outros boatos tem rodado em torno do retorno do franquia. As primeiras notícias davam conta do óbvio: a história seria mais centrada em Sparrow do que em Elizabeth e Will, e mostraria a busca do pirata pela fonte da juventude e, adiante, pela cidade perdida de Atlantis. Depois, veio um rumor de que a Disney estaria apostando no quarto “Piratas do Caribe” para 2011. Depois do polêmico acerto de Depp com o estúdio, que envolveria o salário mais alto jamais pago a um ator (56 milhões contra os 50 amealhados por Tom Hanks para “Anjos e Demônios”), quem se pronunciou foi Keira Knightley (“Orgulho e Preconceito”), interprete da donzela Elizabeth Swann nos três primeiros filmes, que disse que a seqüência não estava em seus planos. A rebatida do estúdio do Mickey? De fato, Elizabeth e Will não estariam no novo roteiro. A desconfiança dos fãs começou a ser aplacada quando o anúncio e posterior confirmação do comediante Russell Brand (“Ressaca de Amor”) foi liberada com a bombástica notícia de que o ator seria o intérprete do irmão do Capitão Jack. Em contrapartida, o leme de todo o barco da franquia, o diretor Gore Verbinski (“O Sol de Cada Manhã”) anunciou que não está envolvido com a quarta parte das aventuras. Nas palavras dele: “Foi ótimo levar Piratas do Caribe aos cinemas e estou grato ao Jerry e toda a equipe de produção. Espero que nos encontremos de novo no futuro”.

Quadrinhos sombrios

Apesar do recente e agitado namoro com o cinema, as histórias em quadrinhos nunca foram a forma de arte que mais dialogassem com suas companheiras. Enquanto músicos se tornavam atores e até diretores a todo momento, demorou um pouco para que o status quo da arte seqüencial a permitisse parcerias mais ousadas sem arriscar toda uma linha de venda. Há alguns anos, por exemplo, soaria estranho o caso de Michael Straczynski, prestigiado roteirista de quadrinhos que já trabalhava há algum tempo em séries de TV mas só foi permitido de migrar para a grande tela no ano passado, em grande estilo com “A Troca” de Clint Eastwood (“Menina de Ouro”). Agora, veja só que ironia, ele está envolvido na roteirização do filme-solo do personagem de quadrinhos Surfista Prateado. O processo inverso fez Gerard Way, mais conhecido do público como o vocalista da popular banda emo-gótica (sem preconceitos, por favor) My Chemical Romance. Desde 2002 na ativa com a banda, Way foi parar na arte dos quadrinhos como roteirista de uma série que ganhou um prestígio no mínimo inesperado. Premiada com o Eisner (o Oscar dos quadrinhos) de melhor série limitada, “The Umbrella Academy” conquistou tanto pela soturna escrita de Way quanto pela arte detalhista e fiel ao clima da obra do brasileiro Gabriel Bá, conhecido por aqui pela fanzine “10 Pãezinhos” ao lado do amigo Fábio Moon. Publicada em seis volumes a partir de Setembro de 2007 em edições mensais, a série narrava a trama de um grupo de jovens com habilidade especiais que haviam recebido a missão de salvar o mundo e contavam com um alienígena disfarçado como intérprete de idiomas para treiná-los. Após a morte do mentor e muitos anos atirados aos próprios destinos, os heróis se reencontram e resolvem retomar a jornada de onde pararam enquanto o mundo desaba aos poucos a volta deles. Como não é nem um pouco burra, Hollywood esperou que o sucesso esperado se concretizasse e os planos de um segundo arco de histórias, também roteirizado por Way, surgissem para enfim anunciar que pretende trazer a trama para os cinemas. O responsável pela missão de traduzir o texto do vocalista? Mark Bomback, que decepcionou recentemente com “A Lista” mas parece querer voltar a boa forma de filmes como “Duro de Matar 4.0”. A primeira estância, “The Umbrella Academy” deve chegar as salas de projeção em 2012.

Importado por Bollywood

A mania indiana anda tão em voga no cinema, nas telenovelas e até na música que poucos ainda se lembram nas deficiências graves do cinema de Bollywood. Para começar, a distorção de culturas por lá é tão grande que as cenas filmadas no Brasil para a superprodução “Dhom: 2” mereciam um processo por qualquer que seja a acusação pertinente. Isso sem contar que o agente secreto hindu vem para o Rio de Janeiro para capturar um fugitivo da lei e se mete em favelas tão estereotipadas que é impossível não espumar de raiva e deixar toda a diversão de lado por um protesto mais do que devido. Ainda mais grave que a violação de culturas, porém, é o gravíssimo problema de plágio que vive ganhando os jornais e revistas especializados. Só para citar um exemplo, o filme de gângster britânico “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, estréia de Guy Ritchie (“RocknRolla”) na direção, ganhou uma “homenagem” caprichada da terra do cinema Oriental. A produção indiana copiava toda a trama, traduzia ao pé da letra quase todos os diálogos e até alguns ângulos de câmera usados por Ritchie. Se o diretor deixou passar o caso ou nem mesmo tomou conhecimento dele, a Warner não pretende fazer o mesmo e já disse que está disposta a lutar com unhas e dentes na justiça caso os recentes planos de uma produção de Bollywood “inspirada” na fábula “O Curioso Caso de Benjamin Button” seja concretizada. O filme de David Fincher (“Seven”), que saiu da festa do Oscar 2009 com três prêmios técnicos nas mãos, é a história muito particular e original de um homem que nasce velho e começa a rejuvenescer com o passar dos anos. A narrativa idílica do roteiro de Eric Roth (“Forrest Gump”) conquista tão rápido e gera uma espécie de paixão tão instantânea que mesmo as deficiências nas outras áreas da produção passam batidas até do espectador mais atento e relutante. A declaração revoltada do estúdio aconteceu depois que uma revista especializada em filmes indianos anunciou que a estrela Aishwarya Rai (“Provoked”) iria atuar em “Action Replay”, a história de um homem que rejuvenesce ao invés de envelhecer. A polêmica só aumentou com as declarações de sites especializados dizendo que o longa nem se parecia tanto com a produção americana. O diretor, é claro, endossou as contestações a atitude da Warner e disse que nunca havia assistido “O Curioso Caso de Benjamin Button”. O estúdio tem um caso longo com Bollywood, que já incluiu dois processos por plágio, um pela cópia de “Jerry Maguire” e outra pela franquia “Harry Potter”, caso que ficou bem famoso pela recusa do Tribunal de Nova Delhi.

Olimpo no cinema

Entra ano e sai ano, e cada vez mais Hollywood é obrigada a apelar para produções de orçamento gigantesco e ambição no mínimo inflada para atrair o público. Se a terra do cinema ainda não entendeu que a bola da vez é a simplicidade, pelo menos no meio do caminho ganharemos refilmagens das quais falar mal. Eu sei, ficou meio deprimente, mas para quem não teve a oportunidade de acompanhar a batalha divina orquestrada pelo diretor Desmond Davis (“O Signo dos Quatro”) no clássico/cult “Fúria de Titãs” em 1981, a experiência de ver figuras poderosas da mitologia grega dividindo a tela na pele de gente famosa e talentosa sem dúvida nenhuma merece ser assistida. Alvo tanto de críticas pesadas quanto de elogios rasgados, o original trazia gente da mais alta estirpe como Orson Welles (“Cidadão Kane”), Maggie Smith (“Harry Potter”) e Ursula Andress (“Dr. No”) encarnando as divindades dos tempos gregos Zeus, Thetis e Afrodite. No filme roteirizado pelo desconhecido Beverley Cross, o tom era dado por diálogos teatrais e interpretações próximas da caricatura combinadas com um retrato charmoso da jornada de Perseus, filho do todo-poderoso Zeus, para salvar a Princesa Andrômeda da ameaça da monstruosa Medusa. Agora, tudo isso promete ser jogado para escanteio em prol de uma abordagem mais, digamos assim, hollywoodiana da história. O script do remake, sendo escrito por Lawrence Kasdan, sem trabalho desde o fracassado “O Apanhador de Sonhos”, deve trazer adrenalina para a trama, que pelo menos não parece ter sido atualizada de uma forma bizarra para os tempos atuais. O cenário ainda é a Grécia clássica e o Olimpo ainda vive seus momentos de maior glória com os deuses olhando tudo pelo alto e vigiando cada passo dos meros mortais ao mesmo tempo em que se sentem estranhamente atraídos a eles. No papel do protagonista, Perseu, filho do deus-maior Zeus, está o ascendente Sam Worthington (“Morte Súbita”), que também participa do quarto “Exterminador do Futuro”, a ser lançado em Junho. Ao lado dele, os nomes anunciados chegam a impressionar. Primeiro, dois advindos da série do espião James Bond. Gemma Arterton, que foi bondgirl coadjuvante no último da série, “Quantum of Solace”, será a semideusa Io, por quem o protagonista é perdidamente apaixonado, uma personagem que não figurava na lista do clássico de 1981. Além dela, Mads Mikkelsen, intérprete do vilão Le Chiffre em “Cassino Royale”, embarcou na produção como um dos líderes da guarda pessoal de Perseus, o habilidoso lutador Draco. Mais recentes são os anúncios de Liam Neeson (“Busca Implacável”) no papel de Zeus e Ralph Fiennes (“O Leitor”) como Hades, deus da morte e da guerra, uma espécie de equivalente grego mais interessante ao Diabo católico. A constelação listada aí em cima descansa sob o comando do francês Louis Letterier (“O Incrível Hulk”) e deve aportar nos cinemas em Março de 2010.

Bom, pessoal, por hoje é só isso mesmo… Notícias um pouco mais interessantes hoje, especialmente para os fãs de Jack Sparrow e quadrinhos… Mas enfim, queria agradever a todos os comentários e desejar os melhores filmes sempre para todos vocês! Até amanhã!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Na Mira do Chefe - Tiros na Bélgica (?) e o Globo de Ouro de Colin Farrell

Na Mira do Chefe (In Bruges, Inglaterra/EUA, 2008).

De: Martin McDonagh.

Com: Colin Farrell, Brendan Gleeson, Ralph Fiennes, Clémence Poésy.

107 minutos.







A genialidade é relativa. A mente de cada pessoa é marcada por experiências, histórias e convicções que exercem papel fundamental na avaliação e na formação de opinião sobre um filme, um livro ou qualquer outro material de entretenimento. Dito isso, peço que o leitor não confie cegamente em nenhuma sentença do seguinte texto, uma pura expressão da opinião de um espectador que pode estar buscando coisas completamente diferentes das que você, como apreciador de cinema, gosta de ver. Assim como há gente que acredita piamente que qualquer obra-prima precisa ser datada de antes dos anos 1980, existem espectadores que se deixam levar por qualquer sentimentalismo barato dos roteiristas desleixados da Hollywood atual. E assim como haverá gente julgando "Na Mira do Chefe" como uma comédia grosseira, mal-produzida e ridícula, um pequeno grupo de pessoas será capaz de enxergar nesta estréia de Martin McDonagh na direção de longas (seu curta-metragem "Six Shooter" foi o vencedor da categoria no Oscar do ano passado) a simplicidade genial e o foco inigualável nos personagens, cheios de características grotescas, mas ainda assim soando mais reais que todos os heróis de ação de Hollywood. Esse crítico que vos fala pertence ao segundo grupo, mas meu único verdadeiro conselho para vocês sobre "Na Mira do Chefe" é: assista e tire sua própria opinião. O que vem a seguir é a minha forma de interpretar as sutilezas do filme. Para começar, "Na Mira do Chefe", ao contrário do que o título brasileiro tenta evidenciar, não é uma comédia no sentido mais puro da palavra. O humor surge em doses pequenas, quase inteiramente apoiado no sarcasmo e no natural estranhamento imposto aos personagens frente as situações absurdas do roteiro. Não há tiradas baratas e muito menos humor apelativo ou escrachado. Para falar a verdade, não há nada de especialmente impressionante ou impactante em "Na Mira do Chefe".

Há quem diga que esse seja um dos motivos para o filme ser tão entediante, mas é justamente nisso que reside todo o charme e a genialidade. Trata-se de uma história simples, que ousa não se enredar por conspirações e perseguição e não criar um conflito concreto antes da meia hora final. Para resumir um pouco, "Na Mira do Chefe" é um estudo intenso sobre a culpa, a excentricidade, o preconceito e estranheza, um filme que não deixa o interesse cair por nem um minuto, inserindo pequenas brincadeiras contextuais para incrementar a refeição, mas sem nunca desviar-se do gosto do prato principal: emoções, pensamentos, princípios e, acima de tudo, seres humanos. Os dois protagonistas são exemplos perfeitos disso. Ray (Colin Farrell) é um homem cheio de manias e tomado pela culpa de ter acabado com a vida de uma criança durante um de seus primeiros trabalhos como assassino profissional. A pressão psicológica intensa que o personagem vive é trabalhada com perfeição pelo roteiro, que insiste em incunbir a Ray todas aquelas pequenas contestações que qualquer ser humano deveria fazer em algum momento da vida. “Porque eu mereço viver?”. “Estou fazendo a coisa certa?”. Embora muita gente tenha contestado a vitória de Colin Farrell no Globo de Ouro, sua performance detalhista dá uma tradução perfeita para um personagem complexo que poderia cair na carucatura se fosse encarnado por um ator qualquer. Nas mãos do "Alexandre" de Oliver Stone, Ray acaba por criar uma estranha e desconfiada empatia com o público, e é impossível não se emocionar nos momentos mais cruciais do personagem. O parceiro dele, Ken (Brendan Gleeson) é mais difícil de definir, quase misterioso até que o confronto com o chefe dos dois, Harry (Ralph Fiennes) esclarece um pouco sobre o estranho modo contido de ser do personagem. E o desempenho de Gleeson não é menos que perfeito para o personagem, contrastando de várias formas com Farrell por despir-se da vaidade natural de um ator e entregar a interpretação discreta que o personagem merece. Nada mais natural que Gleeson também ter recebido a indicação para a “prévia do Oscar” (nome ao qual não parece fazer jus, já que nenhum dos dois atores foi lembrado pela Academia).

O elenco ainda é fechado por um anormalmente visceral Ralph Fiennes, que consegue fazer um bom trabalho mesmo com pouco tempo de tela. O mesmo pode ser dito da surpreendente Cleménce Poesy, que mostra os primeiros traços de um futuro promissor ao se despir da candura de suas outras personagens para viver sem muitos precalços uma garota que vende drogas para os astros dos filmes capturados na cidade de Bruges, cenário idílico e medieval em que se passa a história. A cidade, aliás, é ponto fundamental em "Na Mira do Chefe", tanto para contrastar com o clima tenso que impregna a parte final do filme quanto para evidenciar a contemplação apaixonada da câmera de Martin McDonagh. Ousando como poucos cineastas fazem hoje em dia, esse londrino de 38 anos traz para seu primeiro longa-metragem a mesma estética dinâmica e criativa que normalmente se vê nos curtas. Sua câmera não é o enquadramento perfeito e a edição classuda dos grandes mestres, mas uma troca de ângulos mais imprecisa (mas nunca insegura), peculiar e encantadora. No final de seus modestos 108 minutos, "Na Mira do Chefe" conta uma das histórias mais comoventes, chocantes e fascinantes do ano passado, construindo personagens devagar, a moda antiga, um filme que não precisa de explosões e grandes tramas para impressionar. A graça está toda nos detalhes, da lágrima que corre pelo rosto de Colin Farrell até a névoa que encobre a cidade durante a noite. Mas, para todos os efeitos, a genialidade é relativa. E é por essas e por outras que eu não tenho medo de dizer que "Na Mira do Chefe" é relativamente... genial.

Nota: 8,5

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Boletim Cinéfilo - As Notícias do Dia (11/02/2009)

M ergue a voz... e Bond concorda docilmente

A cena descrita no título acima tem se tornado cada vez mais incomum nos filmes do espião inglês, mas isso não impede que aconteça entre os intérpretes dos dois personagens. Como respeitoso neo-astro e gentleman que é, Daniel Craig, intérprete de Bond em "Cassino Royale" e "Quantum of Solace", reforçou as alfinetadas de Dame Judi Dench, que participa da franquia desde "Gondeneye" como a chefe do MI-6, sobre os rumos que um possível "Bond 23" poderia tomar. Numa entrevista recente em que respondeu um descontraído “pode apostar” sobre sua permanência na série, Dench declarou que uma das coisas que mais sente falta de suas primeira experiências com Bond são os personagens Q e Monneypenny e que adoraria vê-los de volta. O primeiro, inventor dos equipamentos usados por 007, foi interpretado pelo comediante John Cleese em "O Mundo Não é o Bastante" e "Um Novo Dia Para Morrer", enquanto a icônica secretária era representada por Samantha Bond (curioso sobrenome, não?) nos filmes estrelados por Pierce Brosnan. Craig retrucou que adoraria viver um romance mais descompromissado na pele do agente secreto. A continuação pode ser lançada em 2010.

Bush para Stone, Lincoln para Spielberg

Cada diretor tem o presidente que merece. Famoso pelas polêmicas e pelo patriotismo exagerado, Oliver Stone retratou os polêmicos Richard Nixon ("Nixon") e George W. Bush ("W."), recém-saído da Casa Branca. Ambos os filmes dividiram a crítica e foram ignorados pelos prêmios. Algo me diz que o mesmo não acontecerá com "Lincoln", cinebiografia de um dos comandantes mais merecidamente célebres dos EUA, que ocupou o poder entre 1861 e 1865, tempo de Guerra Civil e polêmicas medidas da parte do presidente, como a emenda constitucional que aboliu a escravidão. Em gestação desde 2003, quando Tom Hanks era o principal candidato para o papel principal, atualmente o roteiro de "Lincoln", redigido por John Logan ("Gladiador"), passa por uma pesada revisão de Tony Kushner ("Munique"), mas já tem protagonista definido. Mergulhado em pesquisas desde 2006, o oscarizado Liam Neeson, que trabalhou com o diretor em "A Lista de Schindler", parece ser o intérprete definitivo do presidente, enquanto rumores mais recentes sugerem que a veterana Sally Field ("Brothers & Sisters") pode viver a primeira dama, Mary Todd Lincoln. Segundo o produtor, não há a mínima possibilidade do filme sair antes de 2011, mas ele também garante que essa é sua estréia definitiva.

Sacrilégio na cidade do Natal

A Disney parecia ter tomado juízo com a regência de John Lasseter ("Carros"). Mas as aparências podem enganar. Das duas, uma. Ou o diretor Henry Selick está querendo derrubar a concorrência e fazer propaganda de seu "Coraline", ou o estúdio centenário do Mickey está prestes a cometer um dos maiores sacrilégios de sua irregular filmografia. Um dos filmes mais cult da história, "O Estranho Mundo de Jack", dirigido por Selick e produzido pelo inconfundível Tim Burton ("Edward Mãos-de-Tesoura"), devia boa parte de seu charme alternativo a antiqüíssima técnica de animação em stop-motion, que consiste e sobrepor várias fotos de bonecos de acrílico ou massinha para provocar a ilusão de movimento. Selick, um dos únicos representantes dessa forma de arte no cinema atual, disse recentemente que “há alguns anos, a Disney me procurou e disse que se fizéssemos uma seqüência de O Estranho Mundo de Jack, teria que ser em computação gráfica”. Apesar do enfarte prematuro que tal declaração provocou aos milhares de fãs do filme, Selick não demorou a emendar com um “mas não acredito que Tim Burton irá permitir isso”. O diretor, que atuou escrevendo e produzindo a obra, não se pronunciou sobre o assunto, mas sempre há a possibilidade que de fato Lasseter tenha abortado o projeto.

O passo adiante

Depois de se esconder sobre a maquiagem interpretando o Lord Voldemort dos dois últimos filmes de "Harry Potter", ser ofuscado por Kate Winslet em "O Leitor" e ignorado (academiacamente, pelo menos) pelo desempenho fascinante em "A Duquesa", parece que dessa vez vai ser inevitável que Ralph Fiennes ("O Paciente Inglês") ganhe os holofotes. Seguindo os passos de colegas ilustres como Mel Gibson ("Paixão de Cristo"), Clint Eastwood ("Menina de Ouro") e Ed Harris ("Pollock"), ele decidiu ampliar a ambição e estrear na direção em uma história shakespeariana das mais apreciadas. "Coriolanus" é uma peça do bardo inglês que acompanha um soldado orgulhoso que é convencido pela mãe a se candidatar ao Senado, o que acaba o levando a decadência. E, é claro, a tragédia. O personagem, interpretado por atores do calibre de Morgan Freeman e John Nightingale em encarnações independentes, deve ganhar sua primeira encarnação bem-produzida na pele... do próprio Ralph Fiennes. O ator, indicado duas vezes para o Oscar ("A Lista de Schindler" e "O Paciente Inglês"), vai conciliar o trabalho dos dois lados da câmera, e os primeira boatos sugerem que pelo menos um outro grande talento deve estar a sua volta. A veterana Vanessa Redgrave ("Desejo e Reparação") é a concorrente mais forte ao papel materno.

Bom, pessoal, vocês devem ter notado que o boletim veio tarde hoje, mas é que não tive tempo nem para respirar durante essas últimas 24 horas, e podem acreditar que fiz um esforço enorme para arranjá-lo... mas enfim, melhor deixar isso para lá... o dia já acabou, certo? Bons filmes para todos vocês e até amanhã!