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domingo, 21 de junho de 2009

Filadélfia – Amor, contradição e emoção verdadeira em uma obra-prima importante e eterna.

phila 

Filadélfia (Philadelphia, EUA, 1993).

De: Jonathan Demme.

Com: Tom Hanks, Denzel Washington, Antonio Banderas, Jason Robards, Joanne Woodward.

125 minutos.

Não é fácil nem mesmo falar sobre amor, que dirá criar um do nada. O sentimento mais nobre do ser humano é de uma complexidade e inconstância tremendas, impossíveis de se mapear, prever ou simular. Há um certo caráter único sobre cada tipo e cada espécie de amor que torna ainda mais árdua a tarefa dos que ousam tentar defini-lo, domá-lo ou, tão freqüentemente, usá-lo para enriquecer uma obra de ficção. Talvez por causa de tamanha complicação, histórias de amor dependem de momento, de intenção, de uma concordância quase cósmica entre quem estava atrás da câmera e quem está sentado na platéia, para funcionar em uma sala de projeção. É claro, nesse processo está envolvida muita ponderação, precisão mais do que cirúrgica, e as probabilidades de todas essas barreiras ficarem para trás quando gente talentosa está envolvida são infinitamente maiores. Filadélfia é uma história de amor, mas não uma convencional. É uma história de amor fraterno, de um afeto e um envolvimento construídos aos poucos por lados aparentemente antagônicos que se juntam por uma causa e, como num passe de mágica, desfazem as próprias contradições. É uma narrativa habilidosa, cheia de camadas e de emoção verdadeira impossível de descrever, que chega ao final e faz aflorar as lágrimas sinceras que qualquer outra história romântica sempre sonhou. É um triunfo, de cinema e de realidade, que tem algo a dizer para o mundo fora de sua encenação realista, mas não perde o foco nos personagens e nos seres humanos que eles precisam se tornar para envolver a platéia da forma necessária para que a mensagem seja passada e aquela trama deixe as marcas profundas que foi feita para deixar. Sim, Filadélfia é um filme com uma causa a defender, é parte do engajado cinema-denúncia que tantas vezes os críticos desprezam como “panfletagem inútil” ou qualquer outra expressão cínica que prefiram usar. Mas é também uma jornada de emoção verdadeira e andamento tão lento quanto a deterioração da doença que todos temiam no início da década de 1990, quando o filme foi lançado e a AIDS ainda era uma praga desconhecida que provocava medo e reações irracionais. Afinal, a vida de cada um estava em jogo, e não parecia antiético, ao menos naquele momento, discriminar alguém que, você pensava, poderia te condenar a uma lenta e dolorosa morte se chegasse perto demais. Quem sofria com isso, é claro, eram os atingidos pela síndrome, que tinha que lidar com uma população pouco informada sobre o mal que temiam e acabavam jogados de lado, descartados, isolados. Discriminados. Na época, não parecia preconceito, mas hoje talvez fosse um caso fácil de se resolver na justiça. Os tempos mudaram, mas como toda verdadeira obra-prima, Filadélfia continua grandiosa e tocante, resistindo bravamente ao tempo que mudou todas as circunstâncias de sua trama, que poderia até soar banal, distante dos dias de hoje, se não tivesse seres humanos de verdade envolvidos. É por eles, e não por uma causa, que derramamos todos nós nossas lágrimas.

Concentrar narrativas em personagens capazes de envolver o público sempre foi uma estratégia infalível para criar grandes obras, e é seguindo justamente esse caminho que Filadélfia encontra seu diferencial e seu ponto de decisão entre a emoção barata e a verdadeira. É notável, porém, imaginar o quão menos envolvente a mesma narrativa poderia soar nas mãos de um roteirista menos sutil e sensível que o inconstante Ron Nyswaner (O Despertar de Uma Paixão), encontrando o pico de sua carreira na história improvável de um homem que desafia o sistema e luta pela própria liberdade em um mundo que tem medo dele próprio. Sim, porque Andrew Beckett é um pioneiro, um obstinado explorador de novos caminhos que encontra uma causa própria para dedicar sua limitada, quem sabe até curta, vida. Andrew é o jovem e talentoso advogado que se torna a estrela em ascensão de uma conservadora firma, é presenteado com os casos mais importantes e apresenta sem medo suas opiniões ousadas ao chefe, encantando com seu talento. Isso até todos descobrirem que Andrew é homossexual e, ainda mais, é portador do vírus da AIDS. A desventura motivada pelo medo e pelo preconceito leva Beckett a buscar paz em um processo contra seus ex-empregados, criando um caso na justiça que nenhum outro advogado, em sã consciência, aceitaria. É na busca por um defensor da lei que o caminho de Beckett cruza com o de Joe Miller, advogado negro conhecido do povo americano graças a suas propagandas televisivas sobre direito do consumidor, um aventureiro capaz de correr riscos que, dizem, nenhum outro em sua área aceitaria. Justamente o que Beckett precisa, ou pelo menos é isso que parece até descobrirmos que Miller, além de não ter nenhuma informação concreta sobre a AIDS, é homofóbico. É de fato um grande passo a frente para um filme com esse tipo de trama que os dois simplesmente não se unam de uma vez, contrariando os próprios princípios no que seria chamado pelos críticos mais inocentes de “ímpeto de ousadia” ou “espírito de inovação”. Aqui, as coisas acontecem em seu ritmo natural, e a habilidade de Nyswaner ao conduzir a integração dos dois protagonistas, contradições íntimas em pessoa, é notável. As cenas de tribunal, então, são demonstrações do talento de um roteirista capaz de criar diálogos memoráveis e situações marcantes sem precisar tornar os personagens dentro delas bidimensionais. Ironicamente para um roteiro que trata e se utiliza tão bem de oposição de idéias e sentimentos, não há nenhum momento em que as ações de um personagem soem falsas, precipitadas ou atípicas. Tudo corre conforme deveria. De algum modo, soa como se tivesse acontecido de verdade, e esse nível de realismo muito influi no envolvimento que Filadélfia provoca no espectador. Enfim, é por causa da liga forte do roteiro de Nyswaner que cada um dos outros talentosíssimos elementos envolvidos em Filadélfia conseguem brilhar com tamanha intensidade, sem nunca ofuscar a importante, relevante e emocionante história que se passa na tela.

A começar por Jonathan Demme, um dos mais subestimados grandes mestres do cinema americano. Em um de seus momentos de maior glória na carreira, ele seguiu o suspense O Silêncio dos Inocentes, filme que lhe rendeu a estatueta da Academia de melhor direção, com esse épico dramático e polêmico que estreou prometendo trazer uma mensagem importante em um envoltório dramático que provocava medo entre os pouco chegados a um bom drama. No final, o Filadélfia construído por ele se mostrou uma obra capaz de transpassar gêneros e gostos para soar forte na razão e na emoção de qualquer um que fosse capaz de olhar a sua volta e ver alguma coisa. Com controle narrativo irretocável e uma câmera que se despiu de modismos para simplesmente vigiar uma trama que falava por si mesma, Demme faz um trabalho memorável observando desempenhos interpretativos espetaculares e construindo uma ambientação que muito merece de mérito pelo envolvimento que Filadélfia provoca no espectador. Em especial na cena do último depoimento de Beckett em corte, uma das mais aflitivas e opressoras da história do cinema, sua câmera é elemento fundamental para a compreensão absoluta do que ocorre em tela. É vigilante, é detalhista, é inteligente, mas acima de tudo é parte indissociável do cenário que compõe. Em suma, Demme é quase como os brilhantes olhos privilegiados do espectador, e realiza um trabalho que merecia mais destaque do que teve a época do lançamento do filme. A bem da verdade, porém, uma direção tão competente foi jogada de escanteio pela causa nobre da forte impressão que os atores em cena, mais especialmente a dupla de protagonistas, provocou no público. E eles são os culpados por traduzir um roteiro complexo em emoções simples e fascinantes que transparecem não em rostos de atores, mas em rostos de personagens. A começar pelo protagonista absoluto de Tom Hanks, aqui no papel que lhe rendeu o primeiro de dois Oscar seguidos, quebrando seu próprio paradigma de ator cômico para brilhar em uma performance completa, plena em cada segundo de tela e absolutamente dominante dos momentos em que a câmera de Demme se concentra em vigiá-la. Seu Andrew Beckett é carismático, luminoso, perseverante e adorável, mas tem um toque de amargura na voz e um brilho triste nos olhos que não se traduzem em palavras porque são complexos demais, mas reluzem na interpretação de Hanks. Muito se disse sobre a cena em que seu personagem recita uma passagem da ária “Andrea Chenier”, e de fato se trata de um desempenho apaixonado, entregue, não menos do que perfeito, cheio de emoção que atinge o espectador de uma forma que poucas outras produções, cinematográficas ou não, jamais conseguiram. Ao lado dele, é claro, Denzel Washington não deixa por menos em uma das numerosas e memoráveis performances que entregou ao seu público durante o começo da década de 1990. Na pele de Joe Miller, o ator faz jus ao roteiro e cria emoções autênticas, contidas, mas especialmente retumbantes, para representar um personagem que, nas mãos de outro qualquer, poderia ficar sob a sombra da grande e carismática figura de Beckett. Não é o caso na interpretação acertadíssima do grande ator que Washington sempre foi, aqui entregando fechamento e humor a um único tempo, fazendo de Miller tão protagonista quanto Beckett, da forma como foi idealizado no roteiro. Entre os coadjuvantes, vale destacar a presença cheia de classe de Jason Robards (O Dia Seguinte) no vilanesco papel do ex-chefe de Beckett e a galhardia competente de um jovem Antonio Banderas (A Lenda do Zorro) como o namorado latino do mesmo. Virtudes menores que tem pouco tempo para brilhar em um filme que concentra sua narrativa e encontra a mais pura das emoções, do triunfo ao remorso, do começo ao fim. Afinal, não é o amor a própria contradição?

Nota: 9,0

terça-feira, 14 de abril de 2009

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (14/04/2009)

Femme fatale

 

Projetos malditos não faltam em Hollywood. Pode ser que o roteiro seja ousado demais para os padrões dos grandes estúdios ou represente uma polêmica grande demais para a mente estreita dos executivos. Ou então pode se tratar de uma adaptação complicada de uma obra muito importante que povoa o imaginário popular de forma incontestável e poderia resultar em um desastre irrecuperável se tratado com pouco cuidado. Em resumo, projeto maldito no dicionário hollywoodiano é todo aquele que envolvem riscos para a conta bancária do produtor. Curiosamente, “Sin City 2” não deveria se encaixar nessa categoria. Lançada em 2005, a adaptação do clássico noir dos quadrinhos escrito e desenhado por Frank Miller (“The Spirit”) ganhou o respeito da crítica graças a fidelidade rígida do diretor Robert Rodriguez (“Pequenos Espiões”) e se garantiu nas bilheterias contra o modesto orçamento de 40 milhões de dólares. Comentada desde o lançamento do original, a continuação já passou por tantos rumores e momentos de decisão que aos poucos vai ganhando o status que não deveria ter dentro da terra do cinema. Ainda no ano do lançamento do primeiro filme, as notícias diziam que o próximo arco de histórias a ser filmado seria “A Dama Fatal”, que trazia de volta um dos protagonistas da segmentada trama anterior, o perturbado fotógrafo Dwight McCarthy, que ganhou a face de Clive Owen (“Rei Arthur”) na tela do cinema. Ainda na fase detetivesca, o personagem é surpreendido quando uma ex-namorada lhe aparece confessando amor eterno e pedindo urgente ajuda contra uma perigosa gangue da cidade do pecado. Outros que assinaram para retornar a seus papéis foram Mickey Rourke (“O Lutador”), que deve o início de sua ressurreição ao violento Marv do primeiro filme, Jessica Alba (“Quarteto Fantástico”) para uma história inédita até nos quadrinhos da dançarina Nancy, Brittany Murphy (“Recém-Casados”), Michael Clarke Duncan (“À Espera de Um Milagre”), Devon Aoki (“A Era da Escuridão”) e Rosario Dawson (“O Balconista 2”), que retornam para assistir o protagonista em mais uma violenta encruzilhada como a vista na história base do filme anterior. De acordo com Miller, também co-roteirista e co-diretor do filme baseado em sua obra, o roteiro da continuação está pronto desde o início de 2006. Rumores de que a gravidez de Angelina Jolie (“Garota, Interrompida”) estariam atrasando a produção da continuação incitaram os fãs a acreditar que a atriz incorporaria a dama fatal do título, mas a confirmação só veio mesmo depois de uma série de rumores absurdos que nem merecem serem descritos. De verdadeiro, apenas uma participação especial de Antonio Banderas (“A Lenda do Zorro”) e os progressivos adiamentos para o começo das filmagens, que primeiro foram anunciadas para Abril do ano passado.

Depois do ultimato

 

Jason Bourne é imortal. Se a franquia precisava de um verdadeiro Ultimato depois do espetacular capítulo final da história coordenada por Paul Greengrass (“Vôo United 93”) e estrelada por um compenetrado Matt Damon (“Gênio Indomável”), aí está. Depois de sobreviver a uma deliciosa e surpreendente queda e reascender as esperanças dos fãs no último momento, Bourne deve retornar para balançar o coreto dos recentes filmes de espionagem calcados em seu estilo realista tirado diretamente da obra do escritor Robert Ludlum, agora alvo preferencial de futuras adaptações como “O Protocolo Sigma”, que pode colidir com uma quarta parte da franquia em 2011. Os acertos vem sendo feitos desde o final do “ano de Bourne” que foi 2007, quando o produtor Frank Marshall (“Aracnofobia”) constatou o óbvio ao declarar que “existem apenas três livros escritos por Ludlum” e ainda acrescentou o de sempre ao dizer que “adoraria continuar a franquia, mas precisamos de uma boa história para isso”. Em meio a greve dos roteiristas na época, demorou para o projeto do quarto filme do espião sem identidade ganhar seu escritor definitivo. Apenas no final do ano seguinte, quando todos os ânimos da greve estavam devidamente acalmados e os estragos aos poucos começavam a ser reparados que George Nolfi, um dos responsáveis pelo script do terceiro capítulo da série e dono de outros créditos como “Linha do Tempo” e “Sentinela”, embarcou para desenvolver a nova trama. O trabalho foi um pouco atravancado com algumas complicações alguns meses depois, quando a Universal suspendeu o desenvolvimento de todas as obras baseadas no escritor para lutar na justiça pela exclusividade de sua extensa bibliografia. A vitória do estúdio arrancou, por exemplo, “O Círculo Matarese” da MGM e “The Chancellor Manuscript” da Paramount, onde eram desenvolvidos, e trouxe sob sua guarda. Com o caminho livre para finalizar o trabalho, Nolfi agilizou o ritmo e pretende entregar sua primeira versão da nova história em junho. Enquanto isso, o estúdio se prepara para bancar a aventura e o diretor Greengrass já assinou contrato para continuar dando vida as aventuras de espião com seu estilo caótico que se encaixa muito bem as tramas cheias de viagens internacionais do espião, a ser interpretado mais uma vez por Damon. O produtor Marshall recentemente animou os fãs brasileiros ao dizer que visualiza Bourne vivendo uma perseguição pela América do Sul.

O casal mais engraçado da história

Os candidatos ao posto não são poucos com as comédias de casais explodindo por aí em Hollywood, mas alguém duvida que a dupla de choque leve o topo do pódio? Ele, Steve Carell, um dos comediantes mais contemporâneos e competentes da terra do cinema, um homem que já provou ser tanto uma fábrica de risos cínicos (“The Office”) quanto um poço de sinceridade capaz de emocionar com facilidade impressionante (“Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada”). Ela, por outro lado, é muito provavelmente a verdadeira revelação maior do gênero no nosso século. Tina Fey é linda, hilária em seus textos venenosos e a um tempo cheios de inocência, uma atriz hipnotizante na tela e alguém capaz de provocar emoções conflitantes como poucas atrizes na atualidade. Ela já mostrou sua veia romântica em “Uma Mãe Para o Meu Bebê” e ao mesmo tempo é um oásis de inteligência e sensibilidade no humor grosseiro que anda fazendo sucesso ultimamente na terra do cinema. Os dois, juntos e casados, estão em “Date Night”, que ainda tem o bônus de ser escrito por um dos homens responsáveis pela trilogia “Shrek” e a direção do homem que nos fez rir com a ingenuidade de “Uma Noite no Museu”. Josh Klausner entregou sua primeira versão do script e logo virou notícia com a adesão do casal e do diretor Shaw Levy a idéia, em agosto do ano passado. Marcado para ser filmado no intervalo de compromissos televisivos dos dois protagonistas e esperado ansiosamente pelos fãs do gênero, o filme aos poucos foi ganhando um estrelado e de certa forma inusitado elenco de apoio. De uma vez só, quatro nomes respeitáveis dentro do jogo. Mark Wahlberg (“Max Payne”) tenta se recuperar de uma série de fracassos e deve apostar pela primeira vez na comédia como um paranóico chefe de segurança que flerta com Fey sem saber que ela é casada. Ao lado dele, James Franco (“Homem-Aranha”) encarna um criminoso pouco inteligente, mesmo tipo que se tornou sucesso com seu rosto na comédia de ação “Segurando as Pontas”. Além da dupla de astros, a recém-indicada ao Oscar Taraji P. Henson (“Benjamin Button”) deve ser a única amiga do casal a enxergar uma potencial ameaça rondando seus encontros noturnos, provavelmente representada pelo rapper Common (“O Procurado”), cujo personagem foi descrito apenas como “o vilão do filme”. Tudo isso deve chegar aos cinemas apenas ano que vem.

Rent com andróides

Em 2005, a Broadway foi para Hollywood mais uma vez com o pouco notado musical “Rent”, primeiro filme comandado por Chris Columbus (“Esqueceram de Mim”) depois dos dois primeiros capítulos da série “Harry Potter”. Na trama, um grupo de oito jovens descobriam a vida e os prazeres dela no cenário de uma Nova York em ebulição no final da década de 1980. Estrelado por nomes como Rosario Dawson (“Sin City”) e Taye Diggs (“Equilibrium”), o filme, grande acontecimento para os fãs de musicais teatrais por ser a adaptação de um dos maiores sucessos do gênero, passou em branco pelas bilheterias americanas e chegou diretamente em vídeo para o Brasil. A crítica se dividiu ante a obra, mas o estúdio não teve pena de cortar o filme de Columbus dos cinemas de boa parte do mundo e renegá-lo a um futuro de esquecimento. Agora, menos de meia década depois, Hollywood prepara uma trama tão similar que é impossível não esperar o mesmo resultado. A diferença por enquanto? Na direção o nome passa longe de estar com a popularidade em baixa. De fato, nunca antes o clipeiro McG (“As Panteras”) se viu tão prestigiado. Depois de dirigir e causar alguma polêmica com o mais que esperado e cada vez mais espetacular “O Exterminador do Futuro 4”, o americano deve encarar uma trinca de super-produções. Primeiro, o spin-off de “A Liga Extraordinária” centrado na figura quase mitológica do Capitão Nemo, provavelmente mais próximo do idealizado por Júlio Verne do que aquele que foi visto no filme de 2003. Depois, o thriller de espionagem “Dead Spy Running”, adaptação de um livro que ainda nem chegou as prateleiras a ser roteirizada por Stephen Gaghan (“Syriana”). E, enfim, depois da maratona, o diretor essencialmente adrenalinesco deve tentar diminuir o ritmo para o musical “Spring Awakening”. Baseado em uma obra seminal de Frank Wedekind (“Lulu”), o musical se tornou sucesso instantâneo nos palcos e está em cartaz desde 2006, quando ganhou nada menos que oito prêmios Tony, o Oscar do teatro. A trama, veja só, trata de um grupo de jovens descobrindo os prazeres da vida e se deparando com mais questões que respostas. Algo de familiar? Pelo menos a nova história é passada no fim do século XIX. Ainda sem um estúdio para bancá-lo, McG buscou refugio na Warner, que se mostrou interessada no projeto.

Bom, pessoal, e por hoje é só isso. Grandes notícias e em uma quantidade até maior que o usual, hein? Bom dia, hoje. Mas enfim, queria agradecer a todos os comentário e ao apoio a idéia do blog, que é manter todos em dia quanto as novidades do cinema. Enfim, orbigado a todos e até amanhã! Os melhores filmes para todos vocês sempre!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (27/03/2009)

Quando astros colidem

 

No ano passado, o mundo viu a maior colisão de astros da história do cinema mundial produzir uma obra fraca demais para o talento de ambos. Robert DeNiro, Al Pacino e seu morno “As Duas Faces da Lei” podem ter decepcionado aos críticos e ao fiel público que compareceu para ver como os dois se sairiam juntos, mas esse pequeno percalço não foi o bastante para Hollywood começar a temer a concentração de grandes nomes em um só filme. Em momentos diametralmente opostos, atriz e diretor podem se encontrar pela primeira vez em um elenco estreladíssimo. Ainda sem título, o novo projeto britânico de Woody Allen, que vem fresquinho do superestimado “Vicky Cristina Barcelona” deve contar com um elenco gigantesco em tamanho e fama. O destaque, até agora? Nicole Kidman. Depois de naufragar com a retomada da parceria com Baz Luhrmann (“Moulin Rouge!”) no ambicioso “Austrália” e ainda sem a possível repercussão do musical “Nine”, ela embarcou no projeto de Allen sem hesitar e se juntou a um elenco já bem estrelado. Ao lado dela estarão Josh Brolin (“Milk”), Anthony Hopkins (“Beowulf”), Antonio Banderas (“A Lenda do Zorro”) e Naomi Watts (“King Kong”), além da indiana Freida Pinto, musa do papa-prêmios “Quem Quer Ser um Milionário”. Outro projeto que também continua sem título oficial e pode reunir uma boa quantidade de astros é a comédia romântica em que Tom Cruise (“Operação Valquíria”) e Cameron Diaz (“As Panteras”) retomarão a parceria selada no fracassado “Vanilla Sky”. Além dos dois atores, o filme vai reunir o roteirista Scott Frank (“Marley & Eu”), um dos nomes mais fortes da área na Hollywood de hoje, e o diretor James Mangold (“Johnny & June”), um dos líderes da nova e versátil geração de cineastas.

Baseado em vidas reais

 

Americanos. Escritores. Quase uma centena de adaptações para cinema e TV cada um. Ainda assim, ler a escrita de um e de outro não poderiam ser duas experiências mais díspares. Ernest Hemingway é muito provavelmente o autor americano mais apreciado e estudado pelos intelectuais do mundo inteiro. Nascido em Illinois no derradeiro ano do século XIX, ele se tornou a lenda que é hoje graças a ao romance mais apreciado da literatura americana, “O Velho e O Mar”. Cheio das características viagens filosóficas da idílica escrita do autor, o livro foi publicado em 1952 e a primeira versão tinha em suas modestas 114 páginas um conteúdo que ninguém jamais lera até então. O que inspirou um detalhismo tão despreocupado e uma trama tão complexamente simplista ninguém sabe até hoje. Ou quase isso. Como estava instalado em Cuba na época em que escreveu o romance e não escondia de ninguém sua amizade com um certo pescador local, não foram poucos os que tomaram Gregorio Fuentes como a representação em carne e osso do personagem principal da obra. Sem dirigir desde “A Cidade Perdida”, Andy Garcia pode voltar para trás das câmeras com a missão de desmitificar a história em “Hemingway & Fuentes”, cujo roteiro ele também redige ao lado da sobrinha do escritor, Hillary. Obcecado pelo escritor, o astro Anthony Hopkins agarrou a oportunidade com unhas e dentes e deve interpretar seu ídolo enquanto a seletiva Annette Bening (“Querida Júlia”) deve encarnar a quarta e última mulher do escritor, a jornalista Mary Welsh. Em tom um pouco mais fantasioso (como não poderia deixar de ser), “The Strange Adventures of H.P. Lovecraft” pretende fazer todos os piores pesadelos do escritor de terror mais perturbado da história virarem realidade. Literalmente. Conhecido pela inconstância de humor e pela vida misteriosa, Howard Phillips Lovecraft se tornou uma espécie de figura mística para os fãs de literatura fantástica e motivo de culto para qualquer um que queria saber porque os contos de terror são como são hoje. Ron Howard (“Frost/Nixon”) deve dirigir o pesadelo em forma de filme.

Ilusão perigosa

Responda rápido: quantos filmes você já viu sobre o mágico Harry Houdini? Talvez você não tenha ligado o nome ao personagem ou mesmo achasse estar vendo apenas mais um filme de ilusionismo. Mas Houdini existiu de verdade e foi provavelmente a primeira grande celebridade ianque de que se têm notícia. Figura icônica com seu estilo único, feitos incríveis e aura quase mitológica, o mágico até cinema fez. Entre 1919 e 1923 foram cinco filmes entre aventura e mistério que apenas aumentaram o status social (e a conta bancária, é claro) desse húngaro naturalizado norte-americano que viveu uma curta vida de 52 anos. Do original “Houdini” até o recente “Atos Que Desafiam a Morte”, foram-se cinqüenta anos, treze atores diferentes em treze projetos entre filmes, produções para televisão e participações em séries de TV. Até na fantasia “O Encanto das Fadas” ele deu as caras, com a face de Harvey Keitel (“A Lenda do Tesouro Perdido”). Quando vistos em conjunto, os filmes se completam em um quebra-cabeças imperfeito das múltiplas personalidades de um homem fascinante que fez muito na vida que vale a pena ser contado. Embora o assunto parecesse esgotado, os escritores William Kalush e Larry Sloman foram fundo na pesquisa sobre a personalidade do mágico e tiraram de lá o livro “The Secret Life of Houdini: The Making of America’s First Super Hero”. Como o título expõe logo de cara, a trama se concentra em uma faceta diferente do famoso mágico. Segundo os autores, Houdini seria um espião inglês infiltrado na América, teria sido convidado para ser conselheiro do último czar russo e atuava nos bastidores como um desenganador, ou seja, alguém que desmascarava pessoas tentando simular o sobrenatural. Além de tudo isso, a obra levanta polêmica por narrar a morte do mágico como uma cilada armada por um grupo espiritual extremista. Toda essa revolução deve vir para as telas do cinema em breve pelas mãos da produtora Summit Entertainment, responsável pela saga “Crepúsculo”.

Ao infinito e além

Sim, a nova continuação de “Toy Story” está marcada para estrear em 18 de Junho de 2010, mas não é sobre isso que essa nota vai falar. A famosa frase do brinquedo-astronauta Buzz Lightyear dublado por Tim Allen (“Soltando os Cachorros”) nos filmes da série animada bem que poderia ser aplicada para os planos a longo prazo que a Marvel Studios já começa a organizar para os personagens que continuam sob seus cuidados. Depois de organizar as estréias de “Homem de Ferro 2” (30/04/2010), “O Poderoso Thor” (20/02/2011), “Capitão América” (22/07/2011) e “Os Vingadores” (04/05/2012) para os próximos três anos, o recém-criado estúdio continuou no embalo e anunciou os heróis que podem ganhar aventuras cinematográficas depois do grande evento reunindo os super-humanos mais poderosos da Terra. O presidente de produção Kevin Fiege disse que os principais pensamentos nessa direção são para personagens menos conhecidos, para torná-los mais familiares ao público e figurinhas garantidas para uma segunda grande aventura reunindo os personagens. Na mira primária estão seis heróis. O Pantera Negra, monarca de uma região africana que vive independente do resto do mundo mas ao mesmo tempo um Vingador eventual. Cable, o filho dos X-Men Jean Grey e Scott Sommers (o Ciclope), que foi mandado ao futuro para curar uma doença e voltou mais velho que os pais e com poderes tele cinéticos. Doutor Estranho, o mago supremo do mundo da editora, um personagem misterioso e esotérico que hora é tratado como herói, hora como um quase-vilão indiferente a tudo e a todos. Punho de Ferro, um personagem extremamente coadjuvante dentro das histórias da editora, um daqueles poderes que passam através das eras de pessoa para pessoa. Visão, o andróide dotado de sentimentos que chega a ter um caso com a Feiticeira Escarlate, um dos principais membros dos Vingadores. E por fim o Falcão Noturno, um milionário que decidiu se tornar um super-vilão e mais tarde trocou de lado para se juntar aos Defensores, grupo formado na editora apenas depois dos eventos da “Guerra Civil”.

Bom, pessoal, e por hoje é isso… nenhuma notícia bombástica, é verdade, mas alguns filmes que podem e vão despertar o interesse dos cinéfilos de plantão… queria agradecer como sempre a todos os comentários, que fazem desse trabalho aqui no blog algo que vale a pena ser feito. Obrigado demais! E, é claro, os melhores filmes para todos vocês. Até amanhã!