sábado, 7 de fevereiro de 2009

Até o Limite da Honra - Ridley Scott, feminismo e o talento escondido de Demi Moore


Até o Limite da Honra (G.I. Jane, EUA, 1997).

De: Ridley Scott.

Com: Demi Moore, Viggo Mortensen, Anne Bancroft, Jason Beghe, James Caviezel.

124 minutos.






Ridley Scott é, para dizer em apenas algumas palavras, acima da média. Desde que "Alien – O Oitavo Passageiro" surgiu para aterrorizar o mundo com seu suspense psicológico em 1979, o que o britânico vem produzindo são filmes que (re)definem gêneros. A cada movimento de sua câmera e a cada corte certeiro, é impossível não perceber o quanto Scott está dois passos a frente de tudo o que se faz hoje. Seja coordenando o caos de um futuro distópico no lendário "Blade Runner" ou mostrando o valor da amizade com estilo em "Thelma & Louise", a grande verdade é que o nome de Sir Scott já garante duas horas de cinema de melhor qualidade. Às vezes ele derrapa na pretensão ("1492 – A Conquista do Paraíso") ou no exagero fantasioso ("A Lenda"), mas mesmo por trás de todos os erros, sua direção elegante e brutalmente competente é sempre algo que vale a pena ver. "Até o Limite da Honra" é muito mais um filme de Demi Moore do que um filme de Ridley Scott. Para começar, a estrela estava em sua melhor época em 1997, depois de três polêmicos sucessos ("Proposta Indecente", "Assédio Sexual" e "Striptease") em que fingia discutir os direitos feministas como desculpa para mostrar sua excelente forma de sex symbol. "Até o Limite da Honra" foi planejado para ser um passo a frente nessa seqüência controversa: um filme mais profundo, que se propunha a colocar o preconceito no exército como questão central, discussão apoiada por diálogos espertos de um roteiro assinado por uma improvável dupla.

David Twohy ainda era um ilustre desconhecido naquela época, três anos antes de "Eclipse Mortal", tendo no currículo fracassos como "Waterworld". Danielle Alexandra tinha créditos de roteiro apenas em séries de TV conhecidaas pelo bom humor, como "Quantum Leap". Ambos fugiram de seu ambiente para escancarar o treinamento desumano aplicado pelo exército aos SEALS, a tropa de elite da Marinha americana, e estudar como a entrada de uma mulher clamando por igualdade nesse treinamente abalaria as estruturas. O resultado não foi exatamente uma obra-prima, mas alterna alguns momentos bem inspirados com um par de julgamentos precipitados e talvez algumas vezes até maniqueístas. Nada que comprometa o geral do filme, mas esses pequenos lapsos de inspiração acabam tornando "Até o Limite da Honra" de um filme potencialmente revolucionário a uma jornada anabolizada, divertida e comovente em alguns pontos, mas acima de tudo comum demais para o assunto que se propõe a tratar. Moore é Jordan O’Neill, militar que foi impedida de participar da Guerra do Golfo quando quis se alistar e se vê presa em um trabalho maçante na Inteligência da Marinha. Mas as coisas mudam para ela quando a senadora Lillian DeHaven (Anne Bancroft), defensora dos direitos feministas, a escolhe para ser a primeira mulher a enfrentar o treinamento mais pesado da Marinha. Jordan agarra a oportunidade com todas as forças, mesmo contra a vontade de seu namorado Royce (Jason Beghe), e a partir desse ponto "Até o Limite da Honra" engata a quinta marcha nos treinamentos e na luta de Jordan pela total igualdade com seus colegas. Ela dispensa tratamentos exclusivos e favorecimentos, e contraria todas as expectativas ao sobreviver ao desumano tratamento do Comandante Urgayle (Viggo Mortensen) semana após semana, o que pode mexer com as vontades de certos políticos. Embora não alcance o nível de polêmica e envolvimento que poderia, é impossível negar que o roteiro retrata com fidelidade e bastante impacto, mas a trama que toca mais aos personagens e sua forma de agir acaba ofuscada, às vezes até mesmo um obstáculo para o andamento da trama.

Apesar dos problemas do roteiro, o elenco se sai bem na missão de tornar mais humanos e críveis os personagens um tanto anacrônicos contidos nele. É claro que a rande protagonista e grande destaque é Demi Moore, mostrando uma vez mais que para além da beleza física e da preparação intensa que sempre fez para seus papéis, há ali um talento dramático inexplorado. É nos momentos mais viscerais, intensos e icônicos e Moore demonstra toda a sua habilidade de usar de sua ligação com o público para chocar. Seja no momento em que finalmente desafia seu comandante ou na triste cena que retrata seu retorno para casa, ela entrega um desempenho imperfeito, carismático e triunfante. Embora não tenha sido notado na época, é fantástico observar Viggo Mortensen construir um personagem tão cruel e marcante antes da bondade dubitável de Aragorn na trilogia "O Senhor dos Anéis". Ele consegue incutir em Urgayle trejeitos que nunca passam perto do exagerado, mas que são tradicionais o bastante para prender o público médio. De fato, uma interpretação certeira. Assim como é a da veterana Anne Bancroft, mostrando que o evelhecimento trouxe ainda mais talento para Mrs. Robinson de "A Primeira Noite de um Homem", caracterizando um personagem carismático e misterioso na pele da Senadora. Mas, se fosse só por esses elementos, Até o Limite da Honra nunca passaria do morno. O que eleva o filme a um nível um pouco superior é mesmo a câmera de Scott, que desde a primeiríssima cena nos presenteia com uma direção centrada e que deixa a história correr sem se esquecer de provocar impacto visual em seqüências que poderiam ser apenas treinamentos, mas se transformam no retrato definitivo da desumanidade quando vigiados pela sua câmera. Se não fosse pelo inglês mais talentoso em atividade, "Até o Limite da Honra" seria apenas um filme-polêmica de Demi Moore. Com ele no comando, "Até o Limite da Honra" se torna um ensaio fascinante, imperfeito e acima da média. Assim como seu diretor.


Nota: 7,5

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Boletim Cinéfilo - As Notícias do Dia (06/02/2009)

Bloom – O Intrépido

Sumido desde finalizar seu trabalho na trilogia "Piratas do Caribe", o inglês Orlando Bloom deve retornar as telas bem acompanhado, sob o comando de um dos homens mais criativos da Hollywood de hoje e sendo confrontado pelo astro francês mais cool do planeta atualmente. Como diria Jack, o Estripador: vamos por partes. O nome do projeto é "The Cross", que a primeira vista pode soar como mais um épico religioso para a carreira do astro, mas o título é enganador para ouvidos não-americanos. Ao invés de fazer referência ao sinal da cruz católica, o título diz respeito a uma expedição que ultrapassa um certo limite, que cruza uma linha determinada. Nesse caso, será a fronteira de uma cidade, e Bloom interpretará o intrépido aventureiro a ousar ultrapassá-la após anos de isolamento do povo que vive lá. A companhia não poderia ser melhor: a lindíssima Olga Kurylenko, ainda fresca de sua bondgirl em "Quantum of Solace", deve interpretar a protagonista feminina da trama, enquanto o antagonista do herói ficará por conta do francês Vincent Cassel ("Senhores do Crime"). Uma trama criativa assim só poderia vir da genialidade de Andrew Niccol, responsável por roteiro e direção de filmes como "Simone", "O Senhor das Armas" e "Gattaca – Experiência Genética".

Os filhos do Crepúsculo

Transformar monstros sagrados do cinema e da literatura em motivo para fanatismo adolescente virou moda depois que Stephenie Meyer combinou o sobrenatural com o mundo do colegial em "Crepúsculo" e suas continuações (que aliás há algum tempo não ganha novas notícias). Parece que o primeiro derivado da obra de Meyer a seguir o mesmo caminho do original será "Beastly", de Alex Flinn, que transporta a história de "A Bela e a Fera" para a atualidade. O livro acompanha a jornada de um arrogante adolescente de 17 anos que passa por uma radical transformação em uma horripilante fera para encontrar seu grande e verdadeiro amor. Embora nada ainda esteja confirmado, a primeira notícia surgida sobre a adaptação é que "Daniel Barnz", cuja estréia na direção, "Phoebe in Wonderland", continua inédito no Brasil, teria sido contratado para escrever o roteiro e dirigir a adaptação. Enquanto isso, o próprio "Lua Nova" continua sem novidades, já que nem mesmo a presença de Dakota Fanning foi confirmada.

Batman para governador!
Intérprete do Cruzado de Capa e de seu alter-ego Bruce Wayne no não tão ruim "Batman Eternamente" e astro em decadência desde então, Val Kilmer pode seguir o mesmo caminho de Arnold Schwarzenegger e pular direto do cinema para a política. Desde 2004, quando foi merecidamente notado pela performance em "Alexandre", Kilmer anda esquecido em papéis coadjuvantes em produções medianas que normalmente chegam direto ao DVD. Atualmente o astro possui seis filmes que já estão em processo de pós-produção e devem ser lançados todos ainda esse ano, além de outros dois projetos em que seu nome é dado como um rumor, incluindo uma cinebiografia da banda Mötley Crue. Os planos de Kilmer são para a eleição de 2010 nos estados americanos, quando planeja concorrer ao cargo de governador do Novo México. Como o ator é registrado como democrata, sua candidatura pode atrapalhar a possível eleição de Diane Denish, atual vice-governadora do estado. Kilmer disse que está “só buscando meios de contribuir” e ainda afirmou que se realmente lançar a candidatura, garante a própria vitória.

Revolução para Bardem

A Revolução Mexicana, um dos acontecimentos históricos mais marcantes do século passado, ainda não ganhou nas telas do cinema um retrato contundente como merecia. O próximo a tentar será Emir Kusturica, diretor sérvio que ganhou notoriedade por filmes urbanos e polêmicos como "Arizona Dream" e "Undergound", mas que desde esse último, que lhe rendeu a segunda Palma de Ouro em Cannes, não lançou nada de significante. E ao que parece "The Friends of Pancho Villa" pode ter protagonista ilustre e oscarizado. O diretor anunciou recentemente que sua primeira escolha para o papel principal, do líder revolucionário mexicano Pancho Villa, seria o espanhol Javier Bardem ("Onde os Fracos Não Têm Vez"). O ator já mostrou que a troca de nacionalidade não é barreira para seu talento ao ganhar o prêmio de Melhor Ator no Festival de Veneza pelo retrato do escritor cubano Reinado Arenas em "Antes do Anoitecer". Segundo o próprio Kusturica, nada ainda está confirmado, mas ele disse que espera ter a chance de começar as negociações em breve.

Fincher volta para casa
A curta filmografia de David Fincher possui em suas fileiras duas obras seminais para o subgênero do suspense que trata de serial killers. O primeiro, "Seven – Os Sete Pecados Capitais", é uma obra-prima que mistura discussões mais do que sérias com puro impacto visual. Doze anos depois surgiu "Zodíaco", chamado pelos críticos de “... E o Vento Levou dos filmes de serial killer”, um épico psicológico intenso e sensacional. Parece que a espera pela terceira incursão do diretor ao gênero não vai precisar esperar tanto. Fincher mergulha de cabeça na luta para fazer "Torso", adaptação da graphic novel de Brian Michael Bendis, finalmente sair do papel. O material original trata da época em que o lendário Elliot Ness juntou uma equipe de ex-policiais para tentar desvendar a série de assassinatos conhecida como Torso Murders, graças ao ausência da cabeça em todos os corpos encontrados. Embora a Paramount tenha desistido de produzir o filme, todo o elenco que Fincher definiu no estúdio (incluindo Matt Damon e Casey Affleck) já confirmou que trabalharia com o diretor sob qualquer circunstância. Agora o roteiro de Ehren Kruger ("A Chave Mestra") busca por um novo investidor.


Bom, pessoal, por hoje é isso... como sempre agradeço a todos pelos comentários... como sempre é um brazer escrever sabendo que há alguém lendo e gostando... bons filmes para todos vocês e até amanhã!

Coragem Sob Fogo - Patriotismo, culpa e a "estrutura Rashomon"

Coragem Sob Fogo (Courage Under Fire, EUA, 1996).

De: Edward Zwick.

Com: Denzel Washington, Meg Ryan, Lou Diamon Phillips, Matt Damon, Scott Glenn.

117 minutos.








Reconhecidamente uma das narrativas mais intrincadas e criativas da história do cinema e também um dos filmes mais influentes do século passado, "Rashomon", filme de 1950 do mestre nipônico Akira Kurosawa, contava a história de um crime sob quatro diferentes pontos de vista, que em suas contradições levavam o espectador sutilmente à verdade (ou parte dela, pelo menos), tendo como cenário o Japão do século XII. O filme e sua forma de conduzir a história foram tão inovadores e abriram tantas possibilidades que desde então se cunhou o termo “estrutura Rashomon”, que diz respeito a qualquer filme que se utilize de várias formas de ver um determinado acontecimento, sempre guiado por uma linha mestra com um personagem na busca pela verdade. Até hoje, roteiristas mundo afora se apropriam da idéia do mestre para tecer tramas de mistério que vão do mais intrigante ao mais dispensável. Como se trata apenas de uma estrutura, um modelo de narrativa e não de tema, a “estrutura Rashomon” normalmente é usada para tornar mais instigante uma história que pode ser embalada das mais diversas maneiras. Para citar um exemplo recente, "Ponto de Vista" optou por usar oito diferentes visões para dar certo frescor a uma história contada milhares de vezes antes (atentado ao presidente americano). Já "Coragem Sob Fogo", dirigido por Edward Zwick no ano de 1996, prefere discutir até onde deve ir o patriotismo, explorar os mecanismos da culpa, e ainda tocar na delicada questão da quebra de preconceitos apressada e muitas vezes pouco fundamentada. Discutir assuntos assim tão sérios em um filme realizado dentro da “estrutura Rashomon” pode ser uma armadilha mortal, afinal tanto pode acontecer de a forma passar por cima do contudo quanto de a criativa narrativa ficar aqpagada por discussões muito maçante.

Kurosawa obviamente era perfeitamente capaz de passar por cima dessas dificuldades, tanto como diretor quanto como roteirista, e o resultado foi o clássico que hoje enfeita o “apelido” da estrutura. Embora não domine tanto a área quanto seu inspirador, Patrick Sheane Duncan ("Tempo Esgotado") não faz um mau trabalho ao guiar a história através dos relatos de quatro soldados presentes em um marcante acontecimento durante a operação Tempestate do Deserto. Para quem não sabe, a operação consistiu em uma violenta e decisiva invasão empreendida pelos EUA ao Kwait, visando livrar o país da ocupação das tropas iraquianas e dando início a primeira Guerra do Golfo. Embora filmes contundentes sobre as polêmicas decisões políticas e diplomáticas tomadas nessa época façam falta, "Coragem Sob Fogo" escolhe (com inteligência) trilhar outro caminho. O acontecimento que levanta toda a investigação e os relatos contraditórios se dá depois da batalha, quando um helicóptero comandado por Karen Walden (Meg Ryan) é abatido ao tentar eliminar alguns poucos soldados iraquianos que estariam atacando um outro helicóptero, acidentado na areia do deserto. Uma noite passa-se no deserto, e o resultado no dia seguinte é o resgate de todos os tripulantes, menos Karen. Um ano depois, Nat Serling (Denzel Washington) é designado para investigar a concessão de uma medalha de honra póstuma para a pilota, que seria a primeira mulher a recebê-la. Mas o que o exército quer não é uma busca meticulosa, mas uma breve revisão para ratificar a verdade (ou não) e oficializar o ato que poderá levantar a moral do povo americano, descrente em seu próprio país. Nat, porém, tem seus motivos para ser obcecado pela verdade.

Durante a mesma operação, ele comandou um tanque de guerra que por engano acabou abatendo um veículo aliado onde estava um de seus melhores amigos. Ele se considera culpado, mas seu superior quer que ele seja absolvido, e encontra uma maneira de manipular os fatos. Para ele, já basta a mentira que ele mesmo terá que suportar. Em conflito consigo mesmo e dono de uma jornada que caminha paralela com as descobertas no caso de Karen, é incrível a habilidade com que o personagem é construído, criando uma ligação forte e emocional com o espectador que se mostra fundamental ao final do filme. Excelente ator como sempre foi, Denzel encarna a culpa de Serling com facilidade, transmitindo numa atuação sutil e contida toda uma série complexa de emoções. Desempenho, como sempre, acima da média. Já surpresa é a interpretação de Meg Ryan, diferenciando com habilidade extrema as duas “Karen’s” que figuram nas contraditórias histórias de seus quatro subordinados. Dos coadjuvantes, destaque para a participação já marcante de Matt Damon como um dos mais fundamentais “contadores de história” e o veterano Scott Glenn ("O Silêncio dos Inocentes"), perfeito na pele de um repórter que se junta a Serling na busca pela verdade. A difícil tarefa de quilibrar drama, batalhas (em pequena ou grande proporção) e o natural suspense da trama é desempenhada com méritos por Edward Zwick, que desde "Tempo de Glória" tem demonstrado a Hollywood como fazer épicos com coração. Embora seja pouco conhecido, talvez por causa de seu estilo discreto de guiar, é quase sempre o nome de Zwick que está por trás dos grandes filmes emocionais da terra do cinema. Vale a pena ser descoberto, seja pela estrutura ou pelo conteúdo, seja você americano ou não. Afinal, o ressentimento e o orgulho por vidas humanas é e sempre foi universal.

Nota: 8,0

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Boletim Cinéfilo - As Notícias do Dia (05/02/2009)

O outro lado de Alfie

Dono de um curto reinado que durou entre os anos de 2003 e 2005 como um dos maiores astros de Hollywood, Jude Law tem escolhido desde então projetos mais independentes, ousados e artísticos. O próximo que promete vingar é "Rage", drama escrito e dirigido Sally Porter ("Uma Lição de Tango") que a própria define como um filme sobre “o feio uso da beleza na busca pelo lucro”. Dono de um improvável elenco estelar, o filme deve estrear no Festival de Berlim e reúne nomes como as veteranas Dame Judi Dench (a M dos filmes de "007") e Dianne Wiest ("Blade Runner"), além de talentos que normalmente atuam como coadjuvantes em grandes produções, como Eddie Izzard ("Doze Homens e Outro Segredo") e John Leguizamo ("As Duas Faces da Lei"). Mas o grande destaque e alvo dos comentários é mesmo Law, que se despiu de todo o carisma conquistador que exerceu em "Alfie – O Sedutor" para encarnar... uma supermodelo andrógina. Ousadia demais para a puritana Hollywood? Elementar, meu caro Watson.

Antes antigo do que mal-refilmado


Os Irmãos Farrelly acabam de colocar os pescoços em uma navalha afiadíssima e com enormes, esmagadoras chances de cair. Os irmãos cineastas, conhecidos pelos trabalhos cômicos em filmes como "Quem Vai Ficar com Mary" e o recente e criticado "Antes Só que Mal-Casado", embarcaram no que provavelmente ganha o posto de refilmagem mais inútil e previamente fracassada a aportar no cinema nos próximos anos. E olha que a concorrência não é fraca. Quando o humor inocente do trio Larry Fine e Moe & Curly Howard encantou nos palcos e nos cinemas, os tempos eram outros, os artistas não precisavam de baixarias para fazer rir e o cinema era um lugar sagrado, marcado pela candura e tradicionalismo. Mais conhecidos pelo codinome "Os Três Patetas", eles podem ressuscitar em um filme intitulado com o nome do grupo, a ser dirigido e roteirizado pelos Farrelly. E parece que o desastre iminente ainda está atraindo grandes talentos de Hollywood para si. Depois de quase confirmar a participação de Sean Penn ("Milk") como Larry, parece que Johnny Depp ("Piratas do Caribe") pode arranjar um espaço em sua agenda para encarnar Moe. O lançamento do filme deve ocorrer em 20 de Novembro desse ano.

Jordan. Hal Jordan.


Desde que a onda de adaptações de quadrinhos invadiu Hollywood definitivamente e a DC Comics se recuperou de uma levada só com "Batman Begins", o filme do herói "Lanterna Verde" está figurando como próximo da fila dos fãs e do estúdio. Embora não seja um dos personagens mais conhecidos da editora, sua história sempre chamou a atenção dos estúdios pelo caráter perene, ou seja, que poderia render uma franquia praticamente interminável. O poder do uniformizado vem de um anel, que também lhe concede a responsabilidade de vigiar certo setor do universo, enquanto outros heróis com as mesmas habilidades tomam conta do restante. Depois de muito tempo estagnado, o projeto ganhou sua primeira notícia concreta hoje. Para começar, o roteiro, escrito a seis mãos por Marc Guggemheim, Greg Belanti e Michael Green, trio responsável pela série "Everwood", já está pronto para ser filmado. As primeiras notícias davam conta do próprio Belanti na direção, mas parece que Warner prefere alguém mais experiente, e o nome anunciado foi o de Martin Campbell ("A Lenda do Zorro", "Cassino Royale"), que desembarcou do barco furado da refilmagem de "Os Pássaros" direto para o filme do vigilante esverdeado.

Shakespeare para Pacino
Um dos maiores atores da história do cinema, senão o maior, Al Pacino não deixou escapar todas as oportunidades que teve de interpretar personagens shakespearianos nos cinemas. O ator admira tanto o célebre dramaturgo inglês que escolheu misturar ficção com realidade e montar um panorama complexo de sua obra em "Ricardo III – Um Ensaio", seu primeiro e até agora único filme na direção. E como ele ainda foi uma das poucas coisas elogiadas na fantasia brega que o indiano Michael Radford montou em "O Mercador de Veneza", porque não repetir a dose? Dessa vez, o alvo da dupla será "Rei Lear", uma das histórias mais celebradas de Shakespeare e um dos poucos personagens do autor que Pacino nunca teve a oportunidade de interpretar. O papel do rei que decide dividir seu reino em três partes para definir a sucessão de seu reinado já passou pelas mãos de gente como Laurence Olivier (1983, em um filme para TV) e Orson Welles (também na televisão, em 1953), mas o diretor Radford já declarou que confia em seu protagonista e até que acredita que a performance de Pacino pode desbancar todas as anteriores.

Bom, pessoal, e por hoje é só isso mesmo... amanhã como sempre teremos mais uma crítica e mais notícias, que hoje foram meio fracas... mas pelo menos uma boa novidade nesse dia: agora o Filme-Pipoca tem perfil no Orkut! Ele será atualizado sempre com as novidades do blog, que se interessar pode se tornar amigo: http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=14564646095448299845 Como sempre muito obrigado por todos os comentários, bons filmes para vocês e até amanhã!

Trovão Tropical - Hollywood... por Hollywood

Trovão Tropical (Tropic Thunder, EUA/Alemanha, 2008).

De: Ben Stiller.

Com: Ben Stiller, Jack Black, Robetr Downey Jr, Nick Nolte, Steve Coogan, Matthew McConaughey, Tom Cruise.

107 minutos.




Tom Cruise não tem medo do ridículo. Se tivesse, aliás, talvez nem fosse tudo o que é hoje. Foi dançando de cuecas sob o comando de Paul Brickman em "Negócio Arriscado" que ele tomou Hollywood de assalto vinte anos atrás. Dezesseis anos depois, orientado por outro Paul (Thomas Anderson), ele chegou perto do Oscar pelo exibicionista Frank T.J. Mackey de "Magnólia". Agora ele despe-se da vaidade de um astro para aprecer gordo, careca, visceral, mau-caráter e impagável em "Trovão Tropical", quarta experiência de Ben Stiller atrás das câmeras, a primeira depois da desventura que foi "Zoolander". O resultado: sua composição grotesca do executivo de estúdio Les Grossman, cuja maior filosofia é “abaixe as calças deles e bata naqueles traseiros”, conquistou os críticos e já rendeu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante. Bom, quando Tom Cruise exercita sua grosseria de forma tão evidente, a conclusão mais óbvia a que se pode chegar é que "Trovão Tropical" não é uma comédia comum. O que Ben Stiller arquiteta aqui não é a típica história engraçada que chega a um final feliz e comovente. É uma sátira carregada de humor ácido, referências e alfinetadas a mesma indústria que fez todos os efeitos e cenas de ação serem possíveis. É quase inconcebível pensar que Hollywood foi capaz de bancar uma comédia que critica de forma tão inteligente e ainda consegue divertir quem espera uma boa aventura. O roteiro do próprio Stiller, em parceria com o estreante Justin Theroux e Ethan Cohen ("Madagascar 2"), mostra as engrenagens que fazem a indústria do cinema se mover de forma subversiva, e é incrível como a versão deles é bem mais fácil de acreditar do que as que enxem as páginas das revistas especializadas.

Para tornar a sátira ainda mais cruel e crível, Stiller ainda insere um trio de protagonistas que não faria feio com uma estrela na Hollywood Boulevard. Ele próprio interpreta Tugg Speedman, o estereótipo de astro de ação qurendo ser levado a sério e tentando se recuperar de um homérico fracasso. Jack Black interpreta Jeff Portnoy, comediante de filmes escrachados e nojentos, cujos problemas de temperamento e vício em drogas alimentam a imprensa sensacionalista. O terceiro membro da estranha história é Kirk Lazarus (Robert Downey Jr), o típico ator multipremiado que submerge nos papéis que representa e acaba perdendo a própria identidade. Os três estão encarando uma longa, atrasada e problemática filmagem do que deveria ser o “melhor (e mais caro) filme de guerra já feito”. O fato é que a pressão do estúdio, aliada com a cobertura exagerada da imprensa e o estresse do diretor estreante Damien Cockburn (Steve Coogan) acabam levando a execução de um plano no mínimo insano: largar todos os atores na selva cheia de guerrilheiros, espalhar câmeras e ver como eles reagem diante de perigos de verdade. Com uma trama assim, o mais fácil (e o mais óbvio) para um roteirista seria descrever a gradual aproximação de tipos tão diferentes, chegar ao confronto final com os guerrilheiros e inventar alguma forma absurda de salvar a todos. Mas Stiller prefere destilar seu veneno contra Hollywood em doses pequenas. Em qual outro filme o agente (e melhor amigo) de seu personagem fica em dúvida entre salvar Tugg e ganhar um jatinho? Qual outro roteiro ousaria colocar um executivo dizendo que “nós vamos lucrar com a morte dele”? Tudo isso sem se esquecer de colocar um personagem chapado para render risadas antológicas e brincar com a própria proposta do filme, que é um bando de atores problemáticos perdidos na selva achando que estão gravando um filme.

"Trovão Tropical" é um filme que mexe num vespeiro de forma brutal, mas não é por isso que se esquece de dar ao espectador alguns dos momentos cômicos mais sensacionais do ano. Também é o filme que confirma de uma vez por todas que Ben Stiller é um potencial bom diretor. O que ele não teve nas últimas tentativas foi um bom roteiro para guiar, e muita sorte nas bilheterias. Afinal, com "Homem de Ferro" e "Kung Fu Panda" por aí, quem não apostaria no sucesso comercial de um filme com Robert Downey Jr e Jack Black? Além de guiar as câmeras com habilidade, Stiller exercita seu melhor estilo arrogante ao encarnar Tugg Speedman, nos fazendo lembrar porque ele ainda é um dos melhores comediantes de sua geração. Jack Black dá um show de atuação ao ser presenteado com as melhores piadas do filme, seja quando seu Jeff Portnoy está sob o efeito de uma grave crise de abstinência, seja quando ele já está relativamente sóbrio. Para completar o trio, Robert Downey Jr toma o exemplo de seu personagem e parece incorporar a personalidade do personagem que seu personagem faz na produção fictícia. É complicado entender sua performance, mas basta dizer que ela for marcante ao ponto de ser notada pelos críticos e indicada ao Globo de Ouro. O elenco coadjuvante conta ainda com gente como Nick Nolte, divertindo-se a beça no papel do autor do livro que serviu de inspiração para o filme fictício. Matthew McCounaughey se revela bom comediante ao encarnar o obstinado agente de Speedman (papel que deveria ser de Owen Wilson antes de sua tentativa de suicídio), que se vê pressionado ao descobrir que seu cliente, quem diria, ainda não recebeu o serviço de TV digital no set de filmagem. Futilidades de Hollywood... Ainda bem que ela ainda se lembra que o segredo do negócio, afinal, é não se levar a sério.

Nota: 8,0

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Boletim Cinéfilo - As Notícias do Dia (04/02/2009)

Que haja luz! E houve “Homem de Ferro 2”

Depois da total confusão que virou o elenco de "Homem de Ferro 2", continuação atribulada do filme sobre Tony Stark (Robert Downey Jr), um milionário que combate o crime dentro de uma armadura vermelha e dourada, parece que aos poucos os produtores e o elenco começam a chegar a uma concordância e acertar as pontas das últimas e caóticas notícias. O próprio Downey disse, em entrevista a MTV, que não há nada de concreto na suposta saída de Mickey Rourke do elenco. Ainda segundo ele, o único engano foi quanto a seu personagem. Tendo sido anunciado como o vilão Dínamo Escarlate, um “equivalente russo de Tony Stark que usa uma armadura movida a energia nuclear”, parece que o papel do astro renascido será na verdade o igualmente vilanesco Chicote Negro, cujo alter-ego, coincidência ou não, também é russo. Downey não descartou a possibilidade de um segundo vilão (será que os anúncios de Sam Rockwell como Justin Hamer eram verdadeiros?) e nem mesmo a hipótese do personagem de Rourke ser uma mistura de dois vilões distintos dos quadrinhos. Já a saída de Emily Blunt parece ser irrevogável.

O cult do futuro
Depois do arrasador e bem-sucedido "Cloverfield", Hollywood parece ter acordado para a realidade que filmes cult podem render dinheiro. O próximo forte candidato a receber essa classificação ganha aos poucos ares de superprodução na terra do cinema. "Dead of Night" nada mais é que um título rebuscado para a adaptação das aventuras do detetive sobrenatural das HQs italianas "Dylan Dog", uma das revistas de terror mais bem-sucedidas da história com mais de 80 milhões de exemplares vendidos em 20 anos de publicações. O diretor anunciado para o projeto ganho a confiança dos fãs depois do bom trabalho que fez ao transformar as Tartarugas Ninja em algo profundo no pouco visto "TMNT". Segundo o diretor, o filme deve começar depois das aventuras dos quadrinhos, com Dylan “no fundo do poço”, e deve tratar de sua volta ao topo. Os roteiristas Thomas Dean Connelly & Joshua Oppenheimer, dupla responsável por "Sahara" e "O Som do Trovão", se encarrega do script, que começa a ser filmado em março. Até agora, o único nome do elenco revelado é justamente o do protagonista, a cargo de Brandon Routh, mais conhecido como Clark Kent do recente "Superman – O Retorno".

Direto do túnel do tempo...


Em 1982, quando o mundo ainda não conhecia a capacidade dos efeitos especiais, "Tron" foi revolucionário. Estrelado por um Jeff Bridges em busca de um grande sucesso depois de uma série de filmes mais independentes, o filme tinha uma típica história da Disney, repleta de romance e heroísmo barato. Bastava trocar o reino encantado pelo mundo de um jogo de computador transformado em real e a animação desenhada a mão pela computação gráfica avançadíssima para a época. Mas a impressão que fica é que a moda de reviver os anos 80 foi um pouco longe demais ao querer achar um lugar para "Tron 2.0" (sim, uma continuação e não um remake) nas mentes da platéia cínica e acostumada a dieta quase diária de efeitos especiais apoteóticos. Ainda assim, o projeto se torna cada vez mais badalado, conquistando novos nomes de Hollywood para figurar ao lado do envelhecido Jeff Bridges. Dessa vez, seu personagem deve ajudar um novo jogador a desbaratar um governo cibernético corrupto, ou coisa que o valha. O que importa é que Garrett Hedlund ("Eragon"), Olivia Wilde ("House") e Beau Garrett ("Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado") já estão no projeto, agendado para 2011.

O senhor dos presentes


Papai Noel, o bom velhinho, o homem do trenó, ou qualquer outro nome que você prefira usar, tem tudo para ser o dono da trilogia mais estranha de todos os tempos. Sim, você ouviu direito, uma trilogia, contando toda a história do herói do Natal, da infância supostamente pobre no século XIX até a glória da entrega de presentes nas noites de 24 de Dezembro. Indicado para o Oscar pelo trabalho em "Na Montanha dos Gorilas" e responsável pelo script de "Tarzan" e "Irmão Urso", o roteirista Tab Murphy comprou a idéia e já entregou "The Legend of Santa Claus", primeiro de três filmes. O filme, que deve estrear em 2010 para antecipar as duas continuações em 2012 e 2013, deve acompanhar a infância do jovem Nicholas, morador de uma ilha de pescadores. Se o tal garoto virá a se tornar o Papai Noel ou não, ainda não foi revelado. E embora ainda não seja oficial, parece que Colin Brady, responsável pelos efeitos especiais de "Desventuras em Série" e "Hulk", deve estrear como cineasta no comando do filme.

Não há melhor lugar que o nosso lar
Ainda não estamos falando de uma nova adaptação do clássico "O Mágico de Oz", de L. Frank Baum, embora não seja nada impossível que isso aconteça eventualmente. O assunto aqui é na verdade uma cinebiografia, e uma que promete. "Get Happy: The Life of Judy Garland", livro do escritor especializado em biografias Gerald Clarke, que também escreveu o livro que originou "Capote", pode ganhar vida na mesma Hollywood que levou a meteórica estrela a passar por tantos problemas em vida. Não há dúvidas que a vida de Judy mereceria um filme. Nascida em 1922, a americana ingressou no mundo do cinema ainda com 14 anos. O estrelato foi alcançado ao encarnar Dorothy Gale da adaptação igualmente antológica de "O Mágico de Oz", dirigida por Victor Fleming, pelo qual ganhou um Oscar especial destinado a jovens talentos. Durante os 10 anos seguintes, porém, Judy ficou presa pelas exigências absurdas da MGM e ainda se viu repetindo o mesmo papel de garota doce e delicada, uma armadilha para qualquer atriz. Ela se libertou em 1949, mas durante os vinte anos seguintes atuou em cinco filmes, massacrada pelos vícios em álcool e anfetaminas. Em 1969, Judy morreu em decorrência de uma overdose.

Bom, pessoal, e por hoje é isso... agradecendo como sempre por todos os comentários, adoro lê-los e procuro sempre retribui-los, muito obrigado por dedicarem uma pequena parcela do seu dia que seja para ler meu blog... é para isso que ele é feito. Sem vocês não há objetivo no que faço. Bons filmes para todos e até amanhã!

Forrest Gump: O Contador de Histórias - A vida excepcional de um garoto excepcional

Forrest Gump: O Contador de Histórias (Forrest Gump, EUA, 1994).

De: Robert Zemeckis

Com: Tom Hanks, Robin Wright, Gary Sinise, Sally Field, Haley Joel Osment.

142 minutos.





Uma boa parte dos grandes filmes possui uma primeira cena essencial, ainda que isso não transpareça a olhos destreinados. São as idéias mais simples, os conceitos e propostas mais resumidos, que realmente encantam. Seja de uma forma metafórica ou numa levada mais realista, é praticamente infalível que a cena busque, de uma forma ou de outra, preparar o público para o que vem em seguida. Pois bem, "Forrest Gump" começa com uma pena branca sendo levada pelo vento. Assim como a maioria das metáforas encantadoras, ela não tem uma origem, não tem uma razão, e o mais importante, não tem um destino. Vigiada pela câmera viajante e imperfeita de Robert Zemeckis ("Uma Cilada Para Roger Rabbit"), ela começa na torre mais alta de uma suntuosa Igreja e passa pelo cenário por demais apressado de alguma cidade americana até pousar aos pés de um dos poucos homens que não a dispensariam como algo estranho, talvez até repulsivo. Forrest Gump não é como um homem qualquer, e nem foi um garoto normal. Para começar, o QI de Forrest conta cinco pontos abaixo do nível considerado regular, e quando criança ele ainda foi portador de um grave problema nas pernas que o fazia usar um aparelho grotesco. Ao mesmo tempo, ele funciona para a história como uma representação inocente e maravilhosa de todos nós. É um personagem, uma pessoa, que resume a essência maior da vida humana: nós fazemos nosso próprio destino. Ou não. A verdade é que, essencialmente, "Forrest Gump" é um filme sobre a vida e os caminhos para os quais podemos levá-la (ou quem sabe simplesmente sejamos levados).

E embora veja o mundo com outros olhos, muito menos cínicos e pessimistas que os nossos, Forrest é o nosso representante nessa viagem. Como um garoto excpecional, ele teve uma vida excepcional. Nascido no Alabama e criado pela mãe, Forrest contrariou todas as expectativas e completou os estudos, incluindo a faculdade, apenas para logo em seguida partir para o Vietnã. Sua visão amargamente divertida dessa parte de sua vida talvez seja uma das partes mais inspiradas de "Forrest Gump". É quando somos apresentados ao Tentente Dan, por exemplo, um dos militares mais complexos e marcantes que o cinema produziu em algumas décadas. Ele ganha uma interpretação a altura na pele de Gary Sinise, hoje conhecido como o protagonista da versão nova-iorquina da série "C.S.I.", mas que ganhou fama graças a sua performance explosiva e visceral neste filme. Embora seja em sua essência um coadjuvante, o personagem aos poucos cria uma ligação tão forte com o público quanto Forrest, e grande parte da responsibilidade por isso é Sinise, que traduz os conflitos e culpas do personagem com perfeição e entrega uma interpretação que só pode ser descrita como marcante (embora essa palavra não lhe faça jus). Talvez baste dizer que apenas a indicação para o Oscar foi pouco. De volta da guerra, Forrest se transforma de forma meteórica em ídolo do pingue-pongue (sim, você leu direito) e herói nacional graças a seus feitos em batalha. Mas, assim como todo mísero ser humano caminhando por essa terra, ele continua sentindo falta de algo. Todo grande herói precisa de um amor eterno, e quem faz esse papel é Jenny Curran, vizinha e melhor amiga de infância de Forrest, razão de boa parte das decisões corajosas tomadas pelo protagonista e, acima de tudo, a ligação do público com o tempo que passa durante a história. Enquanto Forrest segue uma trajetória guiada pela fidelidade e retidão de princípios que só pode ser definida como ingênua (embora não a seja verdadeiramente, de maneira nenhuma), Jenny se deixa levar pelas tendências e mudanças que o tempo provoca.

Nos anos 60, quando Forrest estava na Guerra, ela viveu com hippies. As décadas seguintes apenas serviram para afundá-la em uma realidade que ela mesmo odiava, mas da qual não tinha a coragem de se libertar. Robin Wright, mais conhecida pela nova geração de cinéfilos como uma das intrépidas atrizes que se arriscaram em "A Lenda de Beowulf" (e a única que se deu bem, diga-se de passagem), encara essa personagem com naturalidade e o resultado é uma interpretação profundamente emocional, que vai do contido ao explosivo em pouquíssimo tempo. Acima de todos, porém, quem brilha é Tom Hanks. Só mesmo um ator tão habilidoso, carismático e cativante poderia criar um personagem tão icônico, sutil, crível e fascinante. Talvez não haja até hoje outro nome capaz de dar a persona de Gump uma interpretação tão complexa, cheia de detalhes e ao mesmo tempo tão clara e ínspida em passar sua mensagem. De fato, é quase impossível encontrar palavras que possam fazer justiça a uma atuação tão incrivelmente identificável, popularesca sem cair no ridículo e detalhista sem passar perto do incompreensível. Hanks é preciso, certeiro e cria, por isso, um desempenho inesquecível, que prova que talvez o Oscar concedido a ele um ano antes, por "Filadélfia", tenha sido prematuro. Num raro momento de inspiração, a Academia concedeu ao ator a honra de se juntar a Spencer Tracy como vencedor de dois Oscar de Melhor Ator seguidos. Não apenas isso, o prêmio maior do cinema ainda se rendeu a "Forrest Gump" nas categorias de Melhor Edição, Melhores Efeitos Especiais (usados de forma sutil e complementar, como deveria ser), Melhor Roteiro Original para o excepcional e auto-explicativo trabalho de Eric Roth ("Munique"), Melhor Diretor e Melhor Filme. Zemeckis, aliás, guia com muita competência, nunca sobrepondo estilo a conteúdo, mas arrancando algns bons suspiros com algumas tomadas amplas e admiração na habilidade de dirigir momentos dramáticos. Levado por uma trilha-sonora calcada em hits pop e bem lapidada por Alan Silvestri ("A Múmia") durante todos seus 142 minutos, "Forrest Gump" é, afinal das contas, um estudo sobre a vida e suas pequenas peculiaridades. E sobre como o destino pode ser tão parecido com o vento que carrega uma pena pelos ares. Irônico, não?

Nota: 8,5


terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Boletim Cinéfilo - As Notícias do Dia (03/02/2009)

Tabuleiro do além

"Ouija" é um dos jogos de tabuleiro mais populares da Hasbro. Numa espécie de paródia dos rituais sobrenaturais lendários, os jogadores colocam os dedos sobre a tábua do jogo e a medida que ela se move, palavras supostamente sobrenaturais vão surgindo. Finalizando o trabalho de pós-produção de "Tranformers 2: A Vingança dos Derrotados", o infame Michael Bay pode assumir o comando de um filme no qual o tabuleiro do jogo tem papel fundamental. O roteirista também já está definido: David Berenbaum ("As Crônicas de Spiderwick") assumiu a difícil missão de produzir uma aventura no mínimo interessante da proposta do jogo. A única discordância até agora é quanto ao gênero do filme: primeiro, o diretor anunciou que se trata de um suspense sobrenatural, e poucos meses depois foi a vez do produtor Brad Fuller (do remake de "O Massacre da Será Elétrica") desmentir e afirmar que se trata de uma aventura no estilo de "Piratas do Caribe".

Hochey – 30 anos depois

A recente e lamentável morte do ator e ícone Paul Newman parece ter despertado a atenção dos produtores para sua variada e inigualável filmografia. E é claro que não demorou para os estúdios começarem a planejas os remakes das grandes obras estreladas pelos olhos azuis do ator. O primeiro alvo será "Vale Tudo", até hoje considerado um dos melhores filmes de esporte da história, sobre um time de hockey no gelo fracassado que decide se utilizar de violência para superar seus adversários. Planejado para estrear na ousada data de 31/12 desse ano, "Slap Shot", o remake, ainda não tem elenco definido, mas já contratou seu diretor e roteirista. O script fica por conta de Peter Steinfield, conhecido pelo trabalho em comédias ácidas como "Be Cool – O Outro Nome do Jogo" e "A Máfia Volta o Divã". Já as câmeras foram entregues a Dean Parisot, ganhador do Oscar de Melhor Curta-Metragem e diretor de "As Loucuras de Dick & Jane".

Cineasta, mestre... refugiado


Talvez seja estranho para alguns descobrir que o admiradíssimo diretor Roman Polanski, o homem que deu a 2ª Guerra e ao suspense cinematográfico novas definições em "O Pianista" e "O Bebê de Rosemary", respectivamente, é um refugiado da polícia de Los Angeles. O primeiro a ganhar um Oscar, aliás. Mas o fato é que, em 1977, três anos depois do lançamento do seminal "Chinatown", estrelado por Jack Nicholson, o diretor foi acusado de abusar sexualmente de uma modelo menor de idade na casa do astro. Desde então, o diretor mora na França, de onde não pode ser extraditado. Trinta anos depois, o polonês de nascença e naturalizado francês entrou com um pedido na justiça para a mudança do local do julgamento da cidade do cinema para Paris. Não por coincidência, o pedido foi feito alguns dias depois da vítima dizer que queria o caso encerrado, mas sem prisões. A Corte negou a requisição, o que abre ao diretor a possibilidade do diretor optar por um pedido da Justiça de Los Angeles despreze seu caso.

A Academia, ousada?

A lista de indicações ao Oscar 2009 guardou algumas surpresas para aqueles que andavam desacreditando o prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Não que todo o preconceito e a injustiça tenha sido desfeita, mas não há dúvidas de que se trata de um primeiro passo. E parece que a instituição gostou do gosto da surpresa, e no tradicional almoço com os indicados, o presidente Sid Ganis (aí em cima, na foto) resolveu subverter o tradicional e não passou as regras de etiquetas para uma eventual premiação. Disse apenas que os discursos devem ser “breves, pessoais e, é claro, sinceros”. Ainda na mesma ocasião, Ganis deu a entender que os produtores Laurence Mark e Bill Condon, conhecidos por produzir e dirigir, respectivamente, filmes como "Dreamgirls" e "Chicago", tem cartas na manga e surpresas para a cerimônia. Segundo ele, todos, indicados ou não dever “ficar alertas”. O apresentador da cerimônia será o astro Hugh Jackman, que foge do perfil cômico da maioria dos outros anfitriões, e o monólogo inicial já foi cortado.

A Morte da Bruxa de Blair
Acalme-se, esse título absurdo aí em cima não é concreto e muito menos oficial (por enquanto). Mas o fato é que o americano Daniel Myrick, um dos diretores do revolucionário "A Bruxa de Blair", primeiro filme a apresentar um grande retorno de bilheteria graças a uma campanha viral e exclusivamente virtual, lançado em 1999, declarou recentemente que planeja aproveitar o aniversário de uma década do filme para lançar um prelúdio ou mesmo uma continuação do filme original. Segundo ele, as principais idéias que surgiram em sua reunião com o co-diretor do filme, Eduardo Sanchéz, tratam de um maior desenvolvimento de toda a mitologia criada em torno da produção original, que na época foi divulgada como um documentário sobre um grupo de jovens perdidos em uma floresta supostamente amaldiçoada. Ainda nas palavras de Myrick, o novo filme não seria rodado com o “estilo trucado” do primeiro, que influenciou outros filmes como "Cloverfield" e "[REC]". Um ano depois do original, foi lançada a continuação, intitulada "O Livro das Trevas", que não teve o envolvimento dos criadores e foi massacrada por crítica e público.


Bom, pessoal, e por hoje é isso... algumas boas notícias para quem aguarda bons filmes no futuro por aí, e pelo menos uma preocupante para essas mesmas pessoas... mas enfim, é hora de ir. Bons filmes para todos vocês e até amanhã!

Perigo em Bangkok - Remakes, Nicolas Cage e a regra básica do roteirista


Perigo em Bangkok (Bangkok Dangerous, EUA, 2008).

De: Danny & Oxide Pang.

Com: Nicolas Cage, Shakrit Yamnarm, Charlie Young.

99 minutos.






“Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. A frase famosa entre os críticos de qualquer forma de entretenimento (ou arte, se você preferir), nada mais é que a interpretação de uma lei natural ditada pelo químico francês Antoine Lavosier. A máxima normalmente é mais conhecida como “nada se cria, tudo se copia”, o que de fato a torna mais adequada para o contexto de falta de criatividade em Hollywood, principalmente nos últimos anos, quando a quantidade remakes, continuações picaretas e refilmagens aumentou consideravelmente. Mas não dá para negar que de alguma forma esse lapso de inspiração criativa beneficia muita gente. Quem não tem acesso a produções européias, alternativas, asiáticas e afins muitas vezes fica conhecendo grandes histórias contadas no cinema de lá... através das adaptações americanas, que tem chegada garantida no mundo inteiro. Embora milhares de vezes os tais remakes internacionais desfigurem a história e a encham do moralismo americano, quase sempre vale a pena, para quem não conferiu o original, dar uma chance para o derivado. Afinal, nunca se sabe o quanto uma história apaixonante e inesquecível pode render. Infelizmente, "Perigo em Bangkok" não é nada disso. Mas passa longe, e incrivelmente longe, de ser a porcaria enfadonha que andam anunciando por aí.

A verdade é que há algum tempo a crítica persegue Nicolas Cage por tentar ser mais comercial. Talvez eles se esqueçam que, para ter liberdade em Hollywood, é preciso ter o nome ligado a grandes bilheterias, oferecer uma garantia de sucesso que poucos conseguem no mundo acelerado que estamos vivendo. Embora tenha escorregado feio com as últimas escolhas ("Motoqueiro Fantasma", "O Vidente"), nada disso apaga o ótimo ator que ele sempre foi, versátil, sempre estranhamente adequado, perfeitamente desajustado. E quando topa com um personagem em conflito com a própria forma delevar a vida, então, Cage é um dos melhores atores da atualidade para transmitir essa confusão. É essa habilidade que ele exercita ao encarnar Joe, um assassino profissional que tem sistemáticas regras, que o levam para uma última missão na cidade tailandesa de Bangkok. O plano é eliminar quatro alvos, todos de alguma forma inimigos de seus contratantes. Joe não questiona as escolhas. Quando o assistente que ele contrata, Kong (Shahkrit Yamnarm), lhe pergunta se as pessoas que ele mata são más, ele responde sem hesitar: “más para alguém”. Embora passe por todo um processo de transformação durante a trama, Joe passa por tudo isso sem perder a personalidade anti-heróica que essencialmente o faz tão cativante. Se uma enorme parte da culpa por isso é de Cage, a outra parcela fica toda com o roteiro de Jason Richman ("Má Companhia").

Seja por sua habilidade ou pelo material original, redigido pelos irmãos Danny & Oxide Pang ("Os Mensageiros"), Perigo em Bangkok é impecável na parte de caracterização e desenvolvimento de personagens. Cada um deles é trabalho com cuidado, com especial realce em Joe e Kong, que aos poucos criam uma relação de amizade e admiração. Em um filme assim, quanto mais simples a trama, melhor. Pena que o filme tente intrigar demais. Se não ambicionasse tanta complexidade nas conspirações da trama, "Perigo em Bangkok" seria uma obra-prima imperfeita, exatamente daquele tipo que influenciam o futuro. Infelizmente, esse pequeno detalhe influe muito na visão geral do espectador sobre o filme. E é óbvio para quem já deu uma espiada na nota que tal influência é das piores. O inesperado romance de Joe com uma balconista de farmácia muda, por exemplo, é encantador, marcante com sua mistura de humor típico das comédias românticas (no melhor sentido) e toques de amargura que aos poucos crescem para desembocar em um final trágico. Ao mesmo tempo, a caça que os contratantes fazem ao próprio Joe é sem sentido, inexplicável e ainda por cima atrapalha a noção do espectador do que realmente importa em qualquer filme, a jornada emocional intensa do protagonista. Uma das lições mais básicas de escrita de roteiro é que são os personagens que guiam a trama, não o contrário. Afinal, como pretensas pessoas reais, eles tomam decisões que podem influenciar decisivamente para algum acontecimento. É dessa pequena regra que "Perigo em Bangkok" se perde. Se não fosse uma falha tão simples mas tão grave, não haveria muito a reclamar sobre o filme.

A direção dos mesmos Danny & Oxide Pang do original é adequada, viajando com estilo e criatividade nas boas cenas de ação e causando o máximo de impacto nos momentos cruciais dramáticos. Como apenas dois personagens realmente importam, só há o que falar sobre dois componentes do elenco. Nicolas Cage entrega uma intepretação perfeita, meticulosa e ao mesmo tempo despojada, que falha quando o ator pretende ser cool mais acerta em cheio quando ele abraça a estranheza do personagem. E o Kong de Shakrit Yamnarm é carisma e sinceridade a flor da pele, indeitificando-se com o público com facilidade. Para fechar o pacote, é impossível não se fascinar pelo charme quase tóxico de Bangkok, suas ruas brulhentas e clubes de quinta categoria contrastando violentamente com os cenários bucólicos que quebram a paisagem e o medieval comércio local. O cenário perfeito para uma história violenta, trágica e emocionante... mas que nunca alcança o inesquecível.
Nota: 7,5

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Boletim Cinéfilo - As Notícias do Dia (02/02/2009)

A calmaria (antes da tempestade)

Estamos em tempos de crise econômica mundial, a maior economia do mundo ameaça ir pelo ralo e levar o mundo inteiro atrás dela, era de se esperar que toda a preocupante situação e a tensão internacional afetasse o poder e a voracidade de consumo da sociedade americana. Parece que o óbvio vai ter que esperar, pelo menos para Hollywood. Mesmo com o aumento de 0,11 dólares no ingresso dos cinemas, as salas lotaram nesse primeiro mês do ano, e os bilhetes vendidos ultrapassaram fácil os 100 milhões, 16% a mais que na mesma época do ano passado. Mas isso não é o mais impressionante: a indústria registrou faturamento recorde para apenas um mês nesse janeiro, deixando 2009 marcado como o primeiro ano em que a barreira do 1 bilhão de dólares foi quebrada mais rápido. Os principais responsáveis por isso foram "Segurança de Shopping", comédia estrelada por Kevin James que permanece na liderança da bilheteria e alcançou os 100 milhões em duas semanas, e "Noivas em Guerra", mais uma aventura cômica, que precisou de quatro semanas de exibição para chegar a mesma marca.

E o robô foi a nocaute

O Annie Awards, principal prévia do Oscar em se tratando das categorias de animação, mandou hoje seu recado para a Academia. Concorrendo com filmes mais sérios e considerados mais “artísticos” como o europeu "Valsa com Bashir" e "Wall-e", os votantes preferiram laurear o divertidíssimo "Kung Fu Panda", animação que bateu recordes da bilheteria para a Dreamworks Animation (a mesma dos filmes de "Shrek") e teve uma recepção calorosa entre os críticos. Além da categoria principal, o filme sobre um panda preguiçoso que tenta aprender kung fu foi premiado em outras nove categorias, inclusive Melhor Vídeo-Game e Melhor Curta-Metragem, concedido para o tradicional "Secrets of The Furious Five", incluso nos extras do DVD. Com seus dez troféus, "Kung Fu Panda" bate o recorde da premiação, superando os nove de "Ratatouille", da Pixar. Desde que a categoria foi criada em 2001, o vencedor do Oscar de Melhor Animação vai para o vitorioso do Annie.

Diretor em liqüidação

Talvez seja um julgamento antecipado demais, mas alguém mais consegue imaginar um diretor original e vibrante como M. Night Shyamalan ("Corpo Fechado") na direção de uma adaptação? E ainda fica um pouco pior: o material original é uma aventura épica em desenho animado, uma série tipicamente infanto-juvenil repleta com toques de comédia. Pois é isso que "The Last Airbender", que trocou de nome após o anúncio do "Avatar" de James Cameron, quer fazer funcionar. Pelo menos o diretor parece genuinamente empolgado com o projeto, que ele não apenas dirige como assina o roteiro. Segundo o próprio, seu script é voltado para uma trilogia. Ele declarou recentemente que a trama é “claramente uma história shakespeariana que tem que ser contada em três filmes”. Os primeiros nomes para o elenco foram confirmados ainda no fim do ano passado, quando Jackson Rathbone ("Crepúsculo") ficou com o papel de Sokka e Nicola Peltz ("Um Natal Brilhante") encarnará Katara.

Mais Oscar?


Depois da longa guerra da Academia com Martin Scorsese e o cessar-fogo definitivo selado pelo prêmio por "Os Infiltrados", o grande mestre ítalo-americano segue com seus projetos... altamente oscarizáveis. Antes mesmo do final das filmagens de "Shutter Island", nova parceria do diretor com Leonardo DiCaprio, os arranjos para "Silence", baseado no livro do japonês Shusaku Endo, andam avençando bem rápido. O nome do diretor, aliado a premiada história de missionários portugueses viajando pelo Japão e fazendo justiça na sociedade feudal atraiu logo de uma vez o nome de três astros de alto calibre (e muitos prêmios). Para começar, o imbatível Daniel Day-Lewis, recém-agraciado com sua segunda estatueta por "Sangue Negro", já embarcou no filme, que será sua terceira parceria com Scorsese (depois de "A Era da Inocência" e "Gangues de Nova York"). Outro nome já anunciado é o de Benício Del Toro, laureado por seu desempenho em "Traffic." O terceiro astro ainda não é certeza, mas parece quase impossível que Gael García Bernal, que não tem nenhum Oscar mas com certeza merece um há algum tempo, deixe passar a oportunidade de trabalhar com o diretor.

Incertezas para Tony Stark
Depois de inúmeros (e altamente irresponsáveis) anúncios uma semana atrás, a continuação das aventuras do milionário Tony Stark como o protetor da lei "Homem de Ferro" acaba de transformar em incertezas o que se dava como irrevogável. Embora Robert Downey Jr, Gwyneth Paltrow, Don Chedle (que vai substituir Terrence Howard no papel de James Rhodes) e o diretor Jon Favreau continuem no projeto, dois dos atores anunciados alegaram conflitos de agenda para minar a esperança dos fãs. Para começar, a inglesa Emily Blunt ("O Diabo Veste Prada"), que poderia ser esperança de uma Viúva Negra bem-retratada e inteligente, já tem contrato firmado com a adaptação do clássico da literatura "As Viagens de Gulliver", ao lado de Jack Black. Outro que se retirou cuidadosamente do projeto foi Mickey Rourke, que havia sido contratado para interpretar um dos vilões do filme, mas por um salário incompatível para um astro ressurgido das cinzas e potencial ganhador do Oscar. O anúncio de que o próximo projeto de Rourke seria "Broken Horses", do diretor indiano Vidhu Vinod Chopra, apenas agravou a situação.

Bom, pessoal, e por hoje é só... dia corrido e entediante ao mesmo tempo, vocês nem tem idéia, mas não é para isso que eu estou aqui, consegui entregar a crítica e as notícias diárias e é isso que importa, certo? Bons filmes para vocês e até a próxima!

Missão Babilônia - Mais uma decepção de Hollywood e a falta de sorte de Vin Diesel


Missão Babilônia (Babylon A.D., EUA/França/Inglaterra, 2008).

De: Mathieu Kassovitz.

Com: Vin Diesel, Michelle Yeoh, Mélanie Thierry, Gérard Depardieu, Charlotte Rampling.

90 minutos.






Quando entramos no novo século, não foram apenas grandes acontecimentos históricos que ficaram um numeral romano atrás. Astros cinematográficos, por incrível que possa parecer e por mais que Hollywood tente negar, também não resistem ao tempo. Tudo bem que Sylvester Stallone mostrou ao mundo que ainda tinha alguma coisa para oferecer ao público em seu ressurgimento, mas o fato é que tanto ele quanto o celebrado Harrison Ford precisaram de velhos personagens para conquistar o novo público. Rocky, Rambo, Indiana. Enquanto o revival das décadas de 70 e 80 ainda não assombrava a terra do cinema, e isso diz respeito a um intervalo de pelo menos seis anos (2000-2006), o cinemão americano precisou procurar por novos ídolos. Um dos nomes mais expressivos dessa nova leva de astros de ação foi Vin Diesel, nova-iorquino que começou a ser notado na ficção científica independente "Eclipse Mortal", que surpreendeu nas bilheterias ao chegar aos 50 milhões de dólares somente em solo americano (quantia expressiva para um filme orçado em menos de 30 milhões). E ele não perdeu tempo para tomar Hollywood de assalto com os mega-sucessos "Velozes e Furiosos" e "xXx – Triplo X", ambos comandados pelo apoteótico Rob Cohen. Foi quando caiu na armadilha de tentar ressucitar uma magia que já estava perdida que Diesel conheceu o sabor das queda súbitas da indústria do cinema. "As Crônicas de Riddick", pretensa continuação de "Eclipse Mortal", ia contra tudo aquilo que o primeiro filme propunha, transformando a saga do anti-herói de um suspense claustrofóbico para um épico interestelar. Desde então, o ator seguiu carreira tentando outros gêneros (e se dando bem no drama de tribunal "Sob Suspeita"), mas sem nunca alcançar o status e sucesso absoluto que teve durante seu curto reinado. Especializado nos tipos anti-heróicos, não é difícil ver porque o ator escolheu apostar suas últimas fichas nesse "Missão Babilônia". Baseado no polêmico livro de ficção científica carregado de drama de Maurice G. Dantec, o filme é uma mistura de referências que tem seus momentos, mas não funciona como um todo.

Talvez o grande culpado disso seja o diretor e roteirista francês Mathieu Kassovitz ("Rios Vermelhos"), que parece desaprender o próprio ofício a cada filme, remando contra a maré do que seu próprio roteiro propõe e entregando uma direção histérica, equivocada e mal-trabalhada. Não que seus movimentos careçam de ousadia, pelo contrário: ela é encontrada em excesso. A forma blockbusteriana (se é que esse adjetivo existe) de Kassovitz guiar não casa bem com as propostas mais sérias e implicações de roteiro que poderiam ter se tornado no mínimo interessantes de se assistir. Embora estrague o próprio trabalho ao assumir o cargo diretivo, é impossível negar a habilidade com que Kassovitz redige o roteiro, assim como é impossível não se lamentar do potencial não-realizado que seus diálogos prossuiam. Em parceria com Eric Besnard ("Cash – O Grande Golpe"), o diretor costura a história a primeira vista simples e convencional com uma claríssima crítica a religiões controladoras e ambiociosas, pincelando ainda no polêmico tema da engenharia genética e nunca se esquecendo de dar profundidade aos personagens envolvidos em toda essa trama. O que o roteiro tenta fazer é criar um "Matrix" com coração, mas parece que o diretor está mais interessado em emular de forma pouco convincente o estilo inconfundível e ousado de filmes como "Equilibrium". A trama principal trata de uma garota com alguma espécie de poder psíquico, Aurora (Melanie Thierry), alvo da perseguição de uma religião pouco ortodoxa comandada pela mulher chamada apenas de Madre Superiora (Charlotte Rampling). Aparentemente, outros grupos estão interessados na garota, já que o mercenário Toorop (Vin Diesel) é contratado por um velho colega (Gérard Depardieu) para escoltá-la em segurança até Nova York, a única grande metrópole de um mundo pós-apolaptíco. Outro elemento da equação é a freira treinada em artes marciais e protetora da desejada, Rebeka (Michelle Yeoh).

Qualquer cinéfilo iniciante pode encontrar ecos de filmes como o superestimado "Filhos da Esperança", de Alfonso Cuarón, numa trama como essa, mas é perfeitamente possível aceitar uma outra visão de um mesmo acontecimento, mesmo porque o apocalipse tem sido um tema muito popular nos últimos anos. O elenco, alma e discernimento de um filme como esse, não decepciona. Vin Diesel entrega a interpretação padrão de sua carreira, carregada de carisma e entendimento impressionante do personagem. Nada comparado a performance inesquecível em "Sob Suspeita", mas ainda assim trata-se uma confirmação espetacular da empatia do astro com o público. Yeoh, Rampling e mesmo Depardieu tem pouco a fazer para costurar a trama, personagens secundários e puramente práticos que interpretam. Mas o grande destaque é a jovem Melanie Thierry, praticamente desconhecida fora de terras francesas, que demonstra vulnerabilidade e comoção impressionantes, encarando a personagem mais complexa e fascinante de toda a trama, o epicentro sobre o qual giram todas as circunstâncias. Realmente um desempenho marcante, apaixonado e apaixonante, que denota um futuro muito promissor. Pena que mesmo o roteiro se perca depois da densa primeira hora e desbanque em uma jornada anabolizada e sem sentido. No final de seus rasteiros 90 mintuos, a grande verdade é que pouca coisa em "Missão Babilônia" merece realmente muita atenção. Não foi dessa vez, Vin. Em algum lugar distante, ouvem-se ecos de “Eye of The Tiger” e do tema marcante de um certo aventureiro. O tempo voa.

Nota: 6,0

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Boletim Cinéfilo - As Notícias do Dia (01/02/2009)

Mais uma atriz brasileira em Hollywood

Depois da ascensão cada vez mais eminente de Alice Braga, chegou a vez de outra atriz tupiniquim conquistar novas fronteiras e partir para uma carreira internacional. Embora tenha uma filmografia nacional reduzida, Giovana Antonelli acaba de ganhar dois créditos estrangeiros no currículo. O primeiro, "Budapest", é a adaptação do livro de Chico Buarque sobre um escritor contratado que desembarca na cidade húngara do título e sua jornada para aprender a “única língua que o próprio diabo respeita”. Mas a produção que mais promete é "The Heartbraker", romance hollywoodiano típico estrelado por Todd Rotondi, um nova-iorquino que se apaixona por uma brasileira (papel de Giovana) e as tramas do destino que fazem os dois se encontrar mais uma vez no cenário tropical brasileiro. Sobre a experiência das filmagens, a atriz disse recentemente que “foi uma experiência inesquecível, nunca havia pensado em fazer carreira internacional, mas aconteceu e foi maravilhoso”.

Mais prêmios aumentam as apostas para o Oscar
Depois dos contraditórios prêmios do SAG e da tensão provocada pela greve sendo negociada pelo sindicato, mais dois prêmios que servem de termômetro para a cerimônia da Academia. Para começar, o Producers Guild, prêmio votado pelos produtores da terra do cinema, concedeu ao britânico "Quem Quer Ser um Milionário" o prêmio de melhor filme do ano, enquanto a vitória óbvia de "Wall-e" na categoria de animação foi consumada. No ramo televisivo, "30 Rock" levou mais um prêmio de série cômica e "Mad Men" saiu vitorioso na categoria dramática. Enquanto os produtores consagravam seus preferidos, o Directors Guild apontava os julgamentos dos cineastas. Danny Boyle foi o premiado na categoria principal, Melhor Diretor, o que só aumenta a lista de consagrações de "Quem Quer Ser um Milionário". Enquanto isso, a equipe de diretores das séries "The Wire" e "The Office" saíram com mais troféus para suas fichas.

Do gótico ao realista

"O Corvo", filme de 1994 dirigido pelo pouco freqüente mas sempre competente Alex Proyas ("Eu, Robô") baseado nos quadrinhos underground de James O’Barr, acabou mais conhecido pela estética gótica e pela trágica morte do protagonista Brandon Lee do que pela própria qualidade. O ator morreu acidentalmente durante as filmagens, atingido por uma bala que deveria ser de festim. Mas o fato é que Ed Pressman, produtor do filme, anunciou recentemente que, após três fracassadas continuações, a idéia é fazer um remake. Proyas declarou recentemente que não vê muito sentido na idéia e não quer ver seu nome ligado ao projeto, mesmo porque anda atribulado na pós-produção da ficção "Knowing", estrelada por Nicolas Cage. Com a desistência do comandante original, o produtor correu atrás de um nome para ocupar o cargo e conseguiu seduzir Stephen Norrington ("A Liga Extraordinária") a voltar a ativa com total liberdade criativa. Norrington declarou que “o novo filme será realista, radical e misterioso”.

DC confidencial, boatos a mil


O estreante Dan Mazeau parece ser o novo nome da DC Comics para os projetos futuros após o estrondoso sucesso de "Batman – O Cavaleiro das Trevas". A Warner, sempre primeira opção da editora para o lançamento e produção de seus heróis, colocou o roteirista no estagnado filme do herói "Flash", que andava sem boatos desde o duvidoso anúncio de David Dobkin ("Penetras Bons de Bico") como diretor, antes da greve dos roteiristas. O produtor Charles Roven seguiu a risca as novas regras da editora de “não comentar nenhum projeto com heróis da DC, a não ser que estivesse a ponto de receber o sinal verde”, mas é claro que isso só fomentou os boatos. Segundo o IESB, um dos sites cinematográficos americanos mais conceituados, o estúdio apostou sua confiança no garoto após a entrega do roteiro do filme de "Johnny Quest", outro projeto mantido a sete chaves pela Warner. Outro projeto com o nome de Mazeau é o novo filme de Doug Liman ("A Identidade Bourne"), cujo título ainda não foi revelado.

O leão sem o rato

Hollywood é um mundo cínico. Num momento de baixa criativa, a Walt Disney Pictures se voltou em 2005 para a série infanto-juvenil "As Crônicas de Nárnia", composta de oito livros assinados por C.S. Lewis. O primeiro capítulo, intitulado "O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa", foi um dos maiores sucessos do ano ao arrecadar mais de 700 milhões de dólares ao redor do mundo. A continuação, "Príncipe Caspian", fechou a conta com outros 500 milhões. Mas o fato é que, ressurgida em seu setor de animação com o bem-falado "Bolt", o estúdio do Mickey dispensou as aventuras fantásticas e desistiu de produzir o terceiro capítulo da saga, "Viagem do Peregrino da Alvorada", mesmo tendo um orçamento potencialmente mais baixo (em volta dos 140 milhões, enquanto o anterior custou mais de 200). Agora o filme (e os milhões que ele vai reunir) foram parar na Fox, enquanto o diretor Michael Apted ("007 – O Mundo Não é o Bastante") continua na função.


Bom, pessoal, e por hoje é isso mais uma vez... nem aos domingos Hollywood (e eu) descansa... mas enfim, é sempre um prazer buscar, escrever e publicar tudo isso e depois receber os comentários de vocês... bom, nos vemos amanhã! Ah, e bons filmes para todos, é claro.

Marley & Eu - Lágrimas, triunfo e destino no cinema

Marley & Eu (Merley & Me, EUA, 2008)

De: David Frankel.

Com: Owen Wilson, Jennifer Aniston, Eric Dane, Kathleen Turner, Alan Arkin.

120 minutos.






Além do fato de serem best-sellers modernos e terem ganhado filmes a altura, "Marley & Eu" e "O Diabo Veste Prada" tem muita coisa em comum. Para começar, ambos são em certa medida biográficos, o que só os torna mais completo de se adaptar já que o desfaortunado roteirista estará lidando com fatos reais. Depois desse pequeno detalhe, há ainda o tema maior de cada uma das histórias. Tanto a Andrea Sachs maltratada pela chefe exigente (embora essa palavra não seja exatamente adequada) de "O Diabo Veste Prada" quanto o John Grogan apaixonado e insatisfeito de "Merley & Eu" se perguntam, em certo ponto de sua jornadas, como a vida pode sair tão diferente de seus planos. É uma coisa comum na vida de qualquer ser humano as surpresas que encontramos pelo caminho e que acabam nos desviando de tudo o que sempre quisemos. Para Andrea, foi o cruel mundo da moda que a transformou aos poucos justamente naquilo que ela mais odiava. Para John, a mudança veio na forma de um labrador super-ativo e causador de inúmeros problemas (embora essa palavra também não seja exatamente adequada). E é claro que o outro denominador comum entre as duas obras é o nome de David Frankel, esse nova-iorquino de 49 anos que já tem um Oscar na prateleira (de Melhor Curta-Metragem, por "Dear Diary", de 1996) e mostrou em ambos os filmes um domínio impressionante da linguagem cinematográfica. De "Prada" ele fez um cult-instantâneo que tem todo o potencial para influenciar a próxima geração. Com "Marley & Eu", o diretor capta o espírito dinâmico e divertido do livro e transforma o filme em um tomo encantador sobre o momento em que aprendemos a sorrir com o que nos aborrecia e sobre quando percebemos o quanto o destino pode ser bondoso e astuto.

É claro que o diretor só conseguiu operar essa transformação graças ao texto conciso e certeiro de Scott Frank ("A Intérprete") e Don Roos ("Finais Felizes"). A dupla capta o essencial do livro e adiciona habilidosamente elementos que funcionam a perfeição na mídia cinematográfica, mas que notadamente não se encaixariam no relato pessoal que o autor redigiu. Enquanto Grogan deixou sua mensagem implícita na simplicidade emocionante da história, os roteiristas tiveram a sensibilidade de perceber que tal estratégia não funcionaria em um filme e trataram de deixá-lo mais claro. Tudo isso sem deixar de tornar as desventuras e peripécias de Marley tão divertidas quanto no material original. Criar em cima de algo que já foi criado não é missão fácil, e fazer o resultado final não soar artificial é um empreendimento ainda mais complicado. Mas "Marley & Eu" alcança essa meta com méritos. Para começar, o roteiro não subverteu uma das qualidades mais notáveis da obra literária: John e Jennifer Grogan são falhos, imperfeitos, adoráveis sem soarem fabricados e submissos as reviravoltas da vida. Para dizer o mais resumidamente possível, os protagonistas são acima de tudo humanos. E é por isso, por essa simplicidade e complexidade que todos nós carregamos, que a história dos dois é tão comovente, tão marcante e tão devastadora em seu final agri-doce. Em uma abordagem assim, os atores podem ser tanto o triunfo quando o calcanhar-de-aquiles do filme. E é maravilhoso ver como Owen Wilson e Jennifer Aniston se saem bem ao encarar personagens tão complexos. Ele, o epicentro do filme, cria uma empatia inigualável com o público, despindo-se dos exageros cômicos que marcaram sua carreira para entregar uma performance sincera, marcante e comovente.

Mas, acima de tudo, é ela quem brilha. Aniston demonstra uma habilidade impressionante em transmitir emoções, encarnando o centro emocional da trama e a representação maior de como a vida pode nos surpreender. No começo, Jenny é uma adorável e empolgada jornalista que pensa em construir uma família e planeja a vida em metódicos passos. Aos poucos, com a chegada de Marley e dos filhos, ela passa por uma transformação que não deixa de causar frustração, mas ainda é possível ver, seja pelo brilho sobrenatural dos olhos da atriz ou por seu olhar perdido, que acima de tudo isso existe amor, satisfação e surpresa. Os coadjuvantes também não deixam a desejar, seja no humor cínico de Eric Dane ("Grey’s Anatomy") como um dos amigos do protagonista ou na participação marcante e eficiente de Alan Arkin ("Pequena Miss Sunshine"), mas a verdade é que eles pouco tem a fazer. Para finalizar o pacote, a câmera de Frankel trabalha em função da história, mantendo-se estática quando o clima dramático aparece mais pesadamente, movimentando-se genialmente ao encarar os momentos mais engraçados. Mas é na seqüência em que ouvimos um resumo de boa parte da vida dos Grogan através de anotações do colunista que o diretor passa um recado para aqueles que guardam os detalhes do livro na memória. A câmera documental nessas breves cenas e a saturação trabalhada como uma filmagem amadora deixam transparecer todo o espírito realista e simples do texto de Grogan, trabalhado em tiradas rápidas pelo roteiro. É quase como se Frankel tivesse feito essa seqüência como uma mensagem. “Tudo bem, fizemos o que vocês queriam, do jeito que deveria ser”. Antes e depois dela, o nova-iorquino pede licença para fazer o que ele faz melhor: cinema. Sorte a nossa.

Nota: 8,0