segunda-feira, 6 de julho de 2009

A Pantera Cor-de-Rosa 2 – A magia do carisma com Steve Martin

the pink panther 2 poster

A Pantera Cor-de-Rosa 2 (The Pink Panther 2, EUA, 2009)

De: Harald Zwart.

Com: Steve Martin, Jean Reno, Andy Garcia, Alfred Molina, Emily Mortimer, Aishwarya Rai, John Cleese.

92 minutos.

Carisma não é algo fácil de explicar. De fato, é uma daquelas coisas que simplesmente acontecem, não raro sem que você perceba, em uma sala de cinema, com a luz da tela refletindo em seus olhos. Como num passe de mágica, você começa a se importar pelo que acontece lá, naquele mundo de mentira que quase sempre tem muito mais a mostrar atrás do que na frente das câmeras. Parece e soa como um truque, uma manipulação, e há quem não goste de ser colocado em uma posição tão desconfortável pelas emoções que um filme é capaz de passar quando a dose certa de carisma é colocada na tela. Talvez seja assim que surjam críticas tão amarguradas, tão revoltadas e acima de tudo tão pouco fundamentadas, vindas de gente que não sabe apreciar a verdadeira magia do cinema e se porta de maneira tão egoísta que chega a provocar repulsa. Quem quase sempre sai prejudicado é o espectador que entra com más expectativas em uma sessão e sai sem saber o que pensar. Afinal, o que é mais provável aos olhos de nossa sociedade? O crítico conceituado ser movido por razões puramente egoístas, ou o espectador ver e não saber distinguir um bom filme de um ruim? A verdade é que cinema não precisa ser nada mais do que entretenimento para cumprir sua missão, e é sempre bom lembrar que, se você se levantou de sua confortável poltrona numa sala com um sorriso no rosto, não tenha dúvidas ao pensar na peça valiosa de cinema que o filme que acabou de passar na tela é, mesmo que tudo aquilo seja puro carisma e nada mais. Porque não é fácil fazer filmes, e talvez seja ainda mais difícil passar por cima de preconceitos para se provar algo pelo qual valha a pena usar duas preciosas horas de nossas vidas. O sorriso estava lá em A Pantera Cor-de-Rosa, o remake lançado três anos atrás e estrelado pelo mais do que carismático Steve Martin, que foi massacrado pela crítica ao redor do mundo, quase sempre apoiada por comparações tanto em relação ao passado de seu astro quanto do seu personagem principal. O Inspetor Jacques Clouseau, para quem não sabe, antes de ser defendido por um Martin em momento de baixa na carreira, foi protagonista de nada menos que sete filmes produzidos entre 1963 e 1982, todos comandados pelo mestre da comédia Blake Edwards (Bonequinha de Luxo) e estrelados pelo britânico Peter Sellers, que deve muito de sua fama a inspirada performance como o atrapalhado detetive francês que sempre se via as voltas com o roubo diamante que dá nome a série, um símbolo da riqueza de sua pátria. O remake, realizado mais de uma década depois da primeira tentativa após a morte de Sellers ter falhado miseravelmente, conseguiu uma surpreendente bilheteria de quase 150 milhões de dólares ao redor do mundo, o que obviamente conduziu a série a uma continuação, lançada há pouco tempo nos cinemas sem tamanho sucesso. A queda de bilheteria quase pela metade pode cortar novamente as memórias do Clouseau de Martin na capital do cinema, mas não há dúvidas de que a continuação ainda é uma boa peça de entretenimento. Afinal, não custa nada abrir um sorriso numa sala de cinema de vez em quando.

A continuação já começa bem na troca de roteiristas, deixando para trás o anacrônico e grosseiro Len Blum (O Rei da Baixaria), claramente o responsável pela amarração de cenas cômicas sem desenvolvimento de personagens que incomodava um pouco na primeira investida da nova franquia, e colocando para assinar o novo script ao lado do astro Martin a bem mais sutil duplas Scott Neustadter e Michael Weber, cuja obra anterior, o romance 500 Days of Summer, ganhou elogios lá fora deve estrear em breve em terras brasileiras. Nas mãos dos novos escritores, Clouseau e seus coadjuvantes deixam de ser caricaturas levadas por atores competentes para se tornar personagens de verdade, o que deixa bem mais fácil para o espectador se envolver em todo o clima cômico-romântico que permeia a nova história. Sim, temos romance de verdade aqui, mas as sacadas cômicas continuam no mesmo nível do filme anterior, levadas com boa fluência e colocadas de forma inteligente na trama. Não dá para dizer que o ritmo é perfeito todo o tempo, mas não há erros grandes o bastante para tirar a graça e a magia do carisma de um elenco crescente que desempenha seus papéis com desenvoltura deliciosa de acompanhar. Martin, co-autor do roteiro, garante as melhores partes para si e brilha genuinamente como um mestre na arte de fazer rir em cada minuto em tela. Isso sem contar que o lado prático da trama investigativa tem adições de personagens que apenas a deixam mais interessante e integrada as trapalhadas do babaca adorável que é o Clouseau do novo século. Um tipo comum, é verdade, e uma forma garantida de conquistar o público, mas o elemento clichê funciona bem em uma trama que não se pretende nada além de pura diversão e alcança seu objetivo com primazia. Dessa vez, o filme começa com Clouseau relegado a fiscal de trânsito até que o Inspetor Dreyfuss, seu superior, recebe a ordem de incluir o detetive, célebre por sua heróica recuperação do diamante símbolo do país, em um “time dos sonhos” da investigação, que juntaria os melhores de todo o mundo para desvendar o mistério do Tornado, um ladrão que voltou a ativa depois de uma década sem dar as caras e já surrupiou artigos lendários como a Espada Imperial japonesa e o Anel Papal, além é claro do Pantera Cor-de-Rosa. O script espertamente integra a trama do “time dos sonhos” com o desenvolvimento progressivo do romance entre Clouseau e a secretária Nicole, que se vê assediada pelo componente italiano do time enquanto o próprio inspetor francês se envolve com a encantadora especialista nos crimes do Tornado. É nessa integração, trabalhada quase sempre com habilidade ao longo dos acertador 96 minutos de A Pantera Cor-de-Rosa 2, que a seqüência garante sua evolução em relação ao primeiro filme na mesma medida que torna os personagens envolvidos mais realistas e interessantes.

A mudança de câmera também não faz nenhuma mal a série, é claro. Shawn Levy (Doze é Demais) fica só na produção e abre caminho para os ares europeus do holandês Harald Zwart, mais conhecido como o comandante da aventura juvenil Agente Teen. Não que o novo comandante da série seja um gênio com a câmera, mas é impossível negar que suas idéias se integram bem a nova trama e suas escolhas de ângulos e movimentos não fazem nenhum mal a quem gosta de observar esse tipo de coisa mesmo quando a peça de cinema em questão é puro entretenimento. Zwart injeta um novo espírito de frescor a série com seus cortes ao mesmo tempo convencionais e bem escolhidos e sua edição bem calculada, aliada a uma direção de atores competente e a criação de um novo clima de confraternização e rivalidade entre o grupo ali reunido. Nas mãos dele, tudo soa como uma espécie de desafio entre amigos, e não há espírito melhor para conduzir uma boa comédia aventuresca, especialmente em se tratando de um roteiro que dá tanta importância aos personagens e a relação entre eles. Sua direção, em suma, é elemento mais do que fundamental para que o carisma daquilo que vemos em cena funcione como deve. É claro que o restante do show é todo com o elenco, e estamos falando de um bem servido aqui. A começar pelas novas adições ao time, especialmente Andy Garcia, mostrando sua afiada veia cômica, algo que o espectador andava furtado de apreciar desde 2003, com a rápida e irônica aparição do ator em Confidence. Aqui, ele exercita seu bem treinado sotaque italiano para se tornar a peça-pivô de uma espécie de crise escondida entre Nicole e Clouseau, colocando o velho charme conquistador para funcionar e acabando o filme como um dos mais ambíguos e interessantes personagens da trama, brilhando mesmo quando ao lado de Martin, protagonista absoluto. Quem também entra na dança é Alfred Molina, o inesquecível vilão de Homem-Aranha 2, não fazendo muito esforço para criar um especialista em dedução que passa o filme todo sem saber para que lado atirar e ainda assim se acha superior a seus colegas de time. É de certa forma vilanesco, mas não deixa de ser um dos “caras do bem”, e Molina faz isso sem grandes arroubos de ousadia, mas acima de tudo com competência. Outra troca bem pensada entre as muitas da continuação acontece no papel do Inspetor Dreyfuss, um tanto limitado a caretas de dor quando na pele de Kevin Kline no primeiro filme, e agora muito mais sarcástico e interessante ganhando o rosto e o talento de John Cleese, provavelmente um dos mais talentosos comediantes que há por aí. O britânico brilha especialmente no começo, numa das primeiras cenas do filme, quando o personagem recebe a recomendação de Clouseau para o time dos sonhos. De familiar mesmo só a honra e a coadjuvância eficiente de Jean Reno, sempre uma valiosa adição a qualquer elenco, que se mostra um comediante de mão cheia mesmo ao lado de alguém tão bom na arte de fazer rir quanto Martin, com quem divide a maioria de suas cenas. Por fim, no campo feminino do elenco temos Emily Mortimer (Match Point), um tanto afetada na confusão amorosa de Nicole, mas sem dúvida adorável quando o filme chega ao fim, e a indiana Aishwarya Rai (A Última Legião), cuja beleza estonteante fica infelizmente apagada pela personalidade pouco trabalhada de sua personagem. Elenco de apoio bem interessante, é verdade, e isso apenas aumenta o mérito de Steve Martin em construir um personagem tão cativante quanto Clouseau. Seja tentando dirigir e conversar sobre o caso ao mesmo tempo, se fingindo de dançarino de flamenco para mudar uma escuta de lugar em um restaurante recém-inaugurado, tomando aulas de etiqueta ou fazendo confissões amorosas para seu parceiro, Martin é magnético e talentoso acima de todas as dúvidas do começo ao fim. Ponto para ele, que sabe reconhecer um bom projeto, e para o espectador, que é presenteado com mais uma demonstração do quão divertido pode e deve ser o cinema.

Nota: 7,0

The Pink Panther 2

Pink Panther 2

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (26/06/2009)

Câmera pop

Diretor de clipes para gente pouco conhecida do grande público antes de migrar para o cinema e logo de cara ganhar a simpatia dos fãs de horror com o bom Madrugada dos Mortos, Zack Snyder é a prova mais recente de que o caminho para o sucesso na terra do cinema do novo século é mesmo o dos vigilantes mascarados. No que tange a ele, ao menos, o trampolim para a fama tem classe. Foi na missão hercúlea de adaptar para o cinema a maior saga heróica dos quadrinhos, o clássico Watchmen, que Snyder tomou de assalto a capital do cinema. Mesmo com uma bilheteria nem tão impressionante, o thriller de super-humanos comprou para o diretor a credibilidade de um homem com “um filme sério” no currículo e ainda abriu as portas de dois projetos que os fãs do estilo caótico de sua câmera esperam com ansiedade. Especialmente aqueles que se divertiram com a extrapolação histórica e o impacto visual de 300, engodo baseado em uma graphic novel de Frank Miller que explodiu mundo afora com sua adrenalina a flor da pele. Sim, a prioridade de Snyder no momento é a continuação do épico da Grécia antiga estrelado por um visceral Gerard Butler (Encurralados) em 2006. A continuação, que deve sair em 2011 e está em processo de pré-produção e roteirização, continuará acompanhando o avanço das tropas persas, comandadas pelo Xerxes que o brasileiro Rodrigo Santoro (Carandiru) representou no primeiro filme, através do território grego após passar por cima das três centenas de soldados reunidas por Leônidas. Conhecidos historicamente como Guerras Médicas, os confrontos entre gregos e persas duraram mais de dois séculos e passaram por pelo menos cinco grandes batalhas. Duas delas, segundo disse Snyder, vão se misturar as conseqüências da morte de Leônidas na trama do segundo filme. A primeira seria a de Salamina, ilha onde as marinhas dos dois lados da guerra se enfrentaram, que marcou a primeira vitória grega frente aos persas. Já a segunda seria a de Platea, cidade que assistiu a 10.000 espartanos se defenderem das numerosas forças persas. Ao mesmo tempo em que desenvolve o roteiro da continuação ainda sem título oficial, Snyder finaliza a fantasia Sucker Punch, seu primeiro trabalho como diretor que possui um roteiro original. A primeira frase de efeito divulgada define o filme como “Alice com metralhadoras”, o que casa bem com a trama sobre uma garota problemática que é internada em um hospício por seu padrinho perverso e imagina um violento universo alternativo enquanto espera para se submeter a uma lobotomia. No processo de definição do elenco, Snyder surpreendeu ao anunciar que a boa moça Vanessa Hudgens (High School Musical) seria a intérprete de Blondie, a protagonista. Para atuar ao lado da garota, Snyder escalou outros talentos jovens de Hollywood, a exemplo de Emily Browning (Desventuras em Série), Jena Malone (Donnie Darko), Jamie Cheung (Dragonball: Evolution) e Abbie Cornish (Candy). As filmagens devem terminar no próximo mês, e Sucker Punch deve ser lançado por volta de Março de 2010.

A rede no cinema

200 milhões é um número expressivo em muitas situações, mas talvez seja na capital do cinema que essa determinada quantia adquira um significado cabalístico. No mundo de cifras da Hollywood capitalista, a marca no começo desse texto representa a meta inicial de qualquer estúdio que pretenda ter um sucesso no currículo. É ao passar das duas centenas de milhões em solo americano que blockbusters ganham definitivamente esse nome atrelado a seus títulos. Talvez por causa desse significado obscuro mas bem conhecido dos que acompanham as bilheterias internacionais, a história surpreendente do site de relacionamentos Facebook tenha atraído os grandes estúdios antes do que qualquer outra. Criado em 2004, quando a mania de se relacionar socialmente na rede já era quase unanimidade, o Facebook rapidamente se tornou mania em terras americanas, ultrapassando os concorrentes em número de usuários em pouco tempo. Hoje, o site é um dos maiores do mundo, o maior em território ianque, e possui nada mais nada menos que 200 milhões de associados, amealhados durante os cinco anos que está no ar. Atenta para a crescente fatia do público que quer ver modernidade e tecnologia aliadas a boas tramas no cinema, Hollywood tratou de buscar a história da criação do site e já tem um projeto pronto para decolar nos próximos anos contando essa trama real. The Social Network ganhou força com o envolvimento do renomado roteirista Aaron Sorkin, gênio por trás de filmes como Jogos do Poder e Questão de Honra, pelos quais foi indicado ao Globo de Ouro de melhor roteiro. A versão final de Sorkin para a trama foi aprovada pela Columbia no último dia 24, e a notícia de que o roteiro estava pronto para chegar as vias de fato atiçou os rumores de que David Fincher, recém-nominado ao Oscar pelo trabalho em Benjamin Button, estaria negociando para assumir as câmeras do projeto, que ganhou a atenção da mídia especializada. A história, ao que parece, é focada na figura de Mark Zuckerberg, que era um estudante de 19 anos em Harvard quando teve a idéia de criar um novo site de relacionamentos, despreocupado com sua repercussão, e viu sua criação crescer em pouquíssimo tempo. O fenômeno da Internet parece de fato ter provocado alguma agitação nos corredores dos estúdios, tanto que menos de um dia depois do anúncio que o projeto estaria pronto para ser filmado já surgiram os primeiros candidatos ao papel principal. Segundo as últimas notícias, a longa lista montada pelo estúdio tem no topo os nomes de Michael Cera (Juno), mais acostumado ao tipo nerd que Zuckerberg fazia, e Shia LaBeouf (Transformers), que possui uma credibilidade grande com o público americano. Mal o projeto começou a ser filmado, porém, e as primeiras críticas, vindas do site CNET, já vieram, afirmando que o roteiro de Sorkin é equivocado e trata o protagonista como um “nerd desagradável”.

Risos em português

Protagonizada por dois atores bastante ativos no cinema nacional, a série cômica Os Normais pode até ter tido uma vida bem curta na telinha, com três temporadas exibidas, mas as loucuras do casal Rui e Vani continuaram vivas no cinema um ano depois do fim da série, quando o filme protagonizado pelos dois foi lançado nos cinemas e se tornou um dos poucos filmes nacionais a alcançar um milhão de espectadores no ano. Ganhou o espectador, que riu a beça com a história do casamento do casal neurótico encarnado com gosto por Fernanda Torres (Saneamento Básico) e Luís Fernando Guimarães (O Que é Isso, Companheiro?). Passaram-se quase meia década desde então, e numa época em que as comédias dominam o panorama do cinema brasileiro e aos poucos vamos nos tocando que o medo de ser popular tem matado nossa sétima arte, nada mais natural que o maior símbolo dessa transição de cinema marginal para cinema popular entre em cena mais uma vez. Em filmagens desde o começo do ano, o novo longa protagonizado pelo “casal mais normal do mundo” tem uma trama polêmica, coadjuvantes estelares e um trailer não menos que hilário lançado na rede, que pode ser conferido aí em cima. As primeira informações liberadas da continuação vieram em janeiro, quando o roteiro foi entregue pelos mesmos autores do script do primeiro filme. O casal Alexandre Machado e Fernanda Young, responsáveis pelo recente Muito Gelo e Dois Dedos D’Água, tramou a nova história, que envolve Rui e Vani na busca por um terceiro elemento, que viria para apimentar a relação. Em uma única noite, os dois percorrem Copacabana em busca da terceira pessoa ideal para completar o ménage a trois, passam por um hospital onde a prima de Vani vai internada após um “acidente” na relação e até vão parar em um centro espírita onde acontecem jogos sinistros. O subtítulo do filme, A Noite Mais Maluca de Todas, promete tantas boas piadas quanto o trailer, embalado por uma versão trash de “Livin’ La Vida Loca” e que revela diversas participações globais no decorrer do filme. Sob a direção do mesmo José Alvarenga Jr do primeiro filme, que vem recém-saído do sucesso de Divã para a direção de um time de estrelas que promete risadas antológicas. Isso porque entre as candidatas a complementar a relação a três estão Cláudia Raia, em seu primeiro papel no cinema desde Boca de Ouro, Danielle Winits (Sexo com Amor?), Alline Moraes (Fica Comigo Esta Noite), Drica Moraes (Amores Possíveis) e a novata Danielle Suzuki. Além do time feminino, o experiente Daniel Dantas (Caixa Dois) atua na pele de um amigo esquecido de Rui. A comédia está marcada para estrear em 28 de Agosto próximo.

Nota de Luto: Farrah Fawcett (1947-2009)

A vida é uma coisa engraçada. Permanecemos nela por um tempo tão arrastado e tão fugaz, passamos por ela tendo que tomar decisões, seguir caminhos, fazer escolhas, ser quem somos, mesmo que não saibamos o porquê de sermos assim. No final, tu do fica entre os que lutaram e os que desistiram. Não há dinheiro, não há fama, não há nenhuma conquista de vida que seja capaz de parar a jornada impiedosa que fazemos a cada dia em direção ao fim desse bem tão precioso que chamamos de vida. A pergunta final, para qualquer um: valeu a pena? A impressão que fica é que, para Farrah Fawcett, valeu. Derrubada pelo câncer que a acometia a uma trinca de anos, a atriz texana havia acabado de lançar o documentário para televisão Farrah’s Story, que registrava sua luta contra a doença e os dilemas de uma mulher que não sabia se valia a pena voltar para uma vida antiga, que havia ficado para trás, quando já estava a beira da morte. Uma semana antes de sucumbir as amarguras da vida, Farrah decidiu aceitar o pedido de casamento do ator Ryan O’Neil, protagonista do clássico Love Story, com quem havia se unido extra-oficialmente por dezessete anos antes do fim do relacionamento, treze anos atrás. Em vida, Farrah teve uma carreira brilhante que deve seu ponto de decisão ao ator Lee Majors, protagonista da popular série O Homem de Seis Milhões de Dólares e responsável pela escalação da então namorada para o papel principal da comédia Myra Breckinridge, baseada em uma novela do sempre polêmico Gore Vidal (Calígula). Não dá para dizer que a obra foi um sucesso de bilheteria, mas serviu de trampolim para a texana engatar uma série de papéis ascendentes até chegar, seis anos depois, ao clássico Fuga do Século 23, onde chamou a atenção do bem-sucedido produtor Aaron Spelling, que a convidou para protagonizar sua nova série de TV, sobre um trio de espiãs de uma organização misteriosa que eram comandadas por um estranho chamado Charlie. Sim, estamos falando de As Panteras, a série clássica, que lançou Farrah ao estrelato e teve quatro explosivas temporadas exibidas entre 1976 e 1981. Dedicada como era ao papel, Farrah fez pouco enquanto atuava na televisão, mas tratou de por em dia a carreira cinematográfica logo após do fim da série, quando atuou no clássico Quem Não Corre Voa e ganhou suas primeiras indicações ao Globo de Ouro, no campo televisivo pelo polêmico e violento Cama Ardente, e no cinematográfico pelo suspense cult Seduzida ao Extremo. Ainda na década de 1980, voltaria ao prêmio da imprensa americana pelos desempenhos nos telefilmes Caça aos Nazistas, Pobre Menina Rica e Sacrifício Final. A virada da década trouxe-lhe um amargo esquecimento até 1997, quando o drama O Apóstolo a trouxe de volta a voga mais pela polêmica do tema do que pela relevância do seu papel. Desde então, se destacou na comédia Dr. T e as Mulheres, do falecido Robert Altman (A Última Noite) e com participações em séries como Spin City e The Guardian. Lutando com o câncer desde 2006, Farrah Fawcett sucumbiu a doença após diversas internações. Tinha 62 anos, quarenta deles dedicados a atuação, deixou um filho e um amor que não viu o casamento acontecer.

Nota de Luto: Michael Jackson (1958-2009)

Não é fácil falar de alguém que recebeu o título de “rei do pop” por méritos próprios indiscutíveis e jogou esse título fora com besteiras, polêmicas e processos judiciários. Afinal, em mais de três décadas de carreira, o americano do estado da Indiana nunca deixou que seu nome ficasse fora de voga, de uma forma ou de outra. Tudo começou no final da década de 60, quando o grupo musical Jackson Five surgiu para o mundo vendendo discos feito água e emplacando um número impressionante de músicas nos topos das paradas. Para um país recém-saído da luta de direitos raciais, era quase um milagre em se tratando de um quinteto de jovens negros, irmãos, cuja figura central era o caçula, Michael. Revelados pela cantora e atriz Gladys Knight (Em Busca do Dólar), o grupo explodiu na lendária gravadora de artistas negros Motown, que ganhou um fenômeno pop para chamar de seu com o quinteto. A adaptação de grupo vocal infantil para super-popstars da era disco foi o golpe final para Michael começasse a brilhar mais do que os irmãos. Em 1983, o grupo se dissolveu e o irmão mais famoso seguiu carreira solo, estreante logo com o álbum mais vendido de todos os tempos, o lendário Thriller. 50 milhões de cópias vendidas, 37 semanas no topo da Billboard e uma dupla de clipes revolucionários para a arte de promover músicas através de imagens. Antes de falar sobre o videoclipe mais cinematográfico de todos os tempos, porém, é bom lembrar que Michael já havia demonstrado sua paixão pela sétima arte ao encarnar o Espantalho na versão setentista da história O Mágico de Oz, dirigida pelo mestre Sidney Lumet (Um Dia de Cão), que não se tornou o sucesso tamanho que se esperava. Persistente em suas obsessões, porém, Michael chamou o célebre cineasta John Landis (Trocando as Bolas), mestre da comédia que fez do videoclipe de “Thriller” um dos maiores hits da história e um marco para geração MTV de fãs de música. Sinônimo de sucesso após o álbum, o cantor ainda firmou uma das maiores parcerias da história dos videoclipes com o grande Martin Scorsese (Gangues de Nova York), diretor de “Bad”. A década de 1990, porém, trouxe as primeira polêmicas para a carreira do cantor, que começou a ser visto com a pele mais clara e modificações no rosto, supostamente provocadas por vitiligo, uma doença que deforma o rosto, e por cirurgias plásticas. O cinema continuou em sua vida com lançamentos como a coletânea de curtas Moonwalker, lançada diretamente em vídeo, e curtas-metragens de ficção como Captain EO, dirigido por Francis Ford Coppola (O Poderoso Chefão), e Ghosts, desabafo em forma de filme de horror feito pelo mestre dos bonecos Stan Winston (Muppets). Casos de pedofilia, álbuns que vendiam cada vez menos, polêmicas em relação a seus filhos, dos quais Michael nunca mostrou o rosto, e a dois casamentos fracassados acabaram levando o cantor a uma reclusão que só foi revertida recentemente, quando anunciou que faria uma turnê ao redor do mundo. O primeiro show seria ainda na primeira semana de Julho, mas os fãs foram deixados na expectativa e na tristeza com a notícia da morte do ídolo, de causas ainda não esclarecidas, a 25 de Junho último. Michael deixou três filhos e milhões de fã. Mas o trono de rei continua ocupadíssimo.

Em memória de Farrah Fawcett *02/02/1947 +25/06/2009

Em memória de Michael Jackson *29/08/1958 +25/06/2009

Bom, pessoal, e por hoje é isso mesmo… infelizmente em luto pela morte de duas pessoas tão importantes para o cinema e, no caso de Michael, para a música… meus pêsames aos fãs de ambos… mas a vida continua, senhoras e senhores! O jeito é seguir em frente. Por enquanto, os melhores filmes para todos vocês e até mais!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O Tal do Twitter + Sunshine de Inverno

Manias de Internet, como esse novo séculos já nos ensinou tantas vezes, são coisas passageiras e quase nunca deixam alguma marca em quem escolha se integrar a ela por alguma ventura. Talvez justamente por pensar assim, sou meio desconfiado quanto aos sites de relacionamento que andam pipocando por aí, e inicialmente o hoje mundialmente conhecido Twitter não me despertou muita atenção. Parecia, sinceramente, algo indefinidamente inútil, coisa de gente que não tinha o que fazer e ficava contando a própria vida em detalhes sórdisos para quem quisesse ler.

Bom, talvez fosse assim no começo, mas como tudo na vida o Twitter separou o joio do trigo, refinou-se nas funções que aos pocuos foi ganhando e, de uma hora para a outra, se tornou função indispensável para quem quisesse se dizer “concectado” a tudo o que acontece ao redor do mundo. Até eu, essencialmente blogueiro e aos poucos vendo as utilidades de divulgação, expressão e contato que o site do pássaro pode trazer para esse tipo de gente, me juntei ao bando. Sim, lá estou eu, gorjeando todos os dias de tudo que você pode imaginar. Caso queira conferir o que tem pra dizer esse humilde bogueiro, siga o link aí embaixo:

Minha página no Twitter, a última palavra da Internet

sunshine

Outra coisa que eu estava louco para divulgar por aqui, é que meu grande amigo Rubens Medeyros (só clicar aí do lado pra entrar no blog dele) me concedeu a honra de estar presente na sua revista virtual, intitulada Sunshine, que chegou a sua segunda edição poucos dias atrás. Eu assino duas páginas modestamente falando sobre… cinema, obviamente.

Primeiro, antes de tudo, preciso agradecer muito ao Rubens por essa oportunidade, é um orgulho estar entre gente tão talentosa nessa revista maravilhosa… Além disso, cá estou também para lhes passar o link para download da revista, que pode ser encontrado no blog do Rubens ou logo aqui embaixo. Tenha uma boa leitura… e se apaixone você também por esse raio de sol brilhante.

Download da Sunshine de Inverno, divirta-se

Bom, pessoal, e por enquanto é só isso mesmo… ando meio ausente por aqui porque preciso mesmo estudar para algumas provas, mas logo depois entro de férias, o que significa mais posts por aqui! Então, com essa deixa, vou ficando por aqui, provavelmente até segunda ou terça-feira, quando pretendo reunir mais algumas notícias para deixá-los informados… então, os melhores filmes para todos vocês e até mais!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (22/06/2009)

Indefinição no reino bárbaro

Faz menos de um mês desde a última vez que este mesmo humilde cinéfilo os deixou informados sobre a saga do bárbaro Conan para voltar aos cinemas quase duas décadas depois de sua última aventura cinematográfica. Para quem não se lembra, o projeto vem sendo desenvolvido de forma inconstante desde 2001, quando o próprio John Millius, o diretor do original de 1982 estrelado pelo hoje governador Arnold Schwarzenegger, chegou a escrever um roteiro, intitulado King Conan: Crown of Iron, mas terminou por deixar o leme do barco, que a Columbia entregou a Robert Rodriguez (Sin City), que por sua vez o passou a Boaz Yakin (Duelo de Titãs). Porém, foi nas mãos do sempre eficiente Brett Ratner (A Hora do Rush) que o projeto ganhou rumo definitivo, sob um novo roteiro, de autoria da dupla responsável pelo surpreendente Outlander. Howard McCain e Dirk Blackman viram seu script mudar de mãos mais uma vez e dessa vez parecia que de fato o diretor definitivo para o projeto seria James McTiegue, o culpado pela câmera estilosa de V de Vingança e protegido dos Irmãos Wachowski (Matrix), que estiveram envolvidos no filme desde o primeiro projeto. A ilusão de que as coisas finalmente estariam indo por um caminho foi destroçada logo no dia seguinte a notícia dando conta de McTiegue. Ao que parece, a disputa da vez é entre os dois estúdios que produzem Conan. Enquanto a Millenium teria indicado McTiegue para o comando, a Lionsgate apareceu com uma extensa lista de candidatos que incluía o diretor francês Christophe Gans (Silent Hill) e o britânico Neil Marshall (Abismo do Medo). No final das contas, um mês depois do começo da disputa, os dois lados saíram em um acordo baseado na presença conciliadora do badalado Marcus Nispel, responsável pelos mais recentes remakes de O Massacre da Serra Elétrica e Sexta-Feira 13. A imprensa, ansiosa pelo filme desde o começo do século, não gostou muito da decisão, mas é inegável que a câmera estilosa de Nispel merece uma chance para ser guiada por um bom roteiro. Discussões de mérito a parte, parece que agora, já há algumas semanas como o nome oficial da direção de Conan, o alemão vai mesmo levar a coisa até o fim. Sete dias depois de assumir, ele já tomou uma decisão importante que poucas vezes havia passado perto do projeto e ainda, de brinde, agradou os fãs com ela. Antes da esperta escolha de Roland Kickinger por Nispel, os únicos a seres sequer cogitados para o papel do rei bárbaro foram o próprio Schwarzenegger antes de se eleger governador e o astro da luta livre Triple H, que foi citado por Millius por volta de 2003. O nome do agraciado com o papel pode ainda não ser familiar, mas Kickinger já estrelou Son of the Beach, uma polêmica e curta série de TV, e fez nerds no mundo inteiro delirar ao se tornar a nova face do T-800, modelo clássico da série Exterminador do Futuro, na quarta encarnação da série, lançada a pouco tempo. Papel que foi de... Schwarzenegger, Conan em pessoa, nos três primeiros filmes. Esperto esse Nispel, não?

Astros atrás das grades

Astros de Hollywood são capazes de qualquer coisa para voltar ao topo uma vez que seus nomes ficaram fora de voga por algum tempo, até mesmo ir parar atrás das grades de uma prisão por um bom salário. Em 2001, o cinema alemão passava por uma fase de redescoberta nas mãos de gente moderna e esperta como Tom Twyker, responsável por um dos maiores sucessos da geração Internet de cinéfilos, o verborrágico e genial Corra Lola Corra. Em meio a tamanha visibilidade, com os olhos dos festivais europeus voltados aos germânicos, um até então desconhecido diretor de televisão estreou no cinema com uma pequena produção intitulada A Experiência. A combinação de atores desconhecidos, um roteiro a seis mãos que venceu prêmios ao redor do mundo e uma câmera cheia de equilíbrio e ponderação, esse pequeno filme se mostrou um dos mais fascinantes estudos sociais do instinto humano lançados no cinema em muito, muito tempo mesmo. Numa trama ainda mais inacreditável por ser baseada em um caso real, uma equipe de cientistas resolve realizar um experimento psicológico com vinte homens escolhidos ao acaso e contratados mediante pagamento para passar duas semanas em um ambiente simulando, da melhor maneira possível, uma prisão. Coisa simples, que vai longe demais e provoca reações capazes de despertar a mais profunda concepção animal do homem. Se você foi esperto o bastante para ligar uma coisa a outra depois de ler o começo desta nota e a trama descrita logo abaixo, considere-se um privilegiado. Ou não. Afinal, não é exatamente uma surpresa que Hollywood pegue um filme de enorme êxito crítico e comercial europeu, um tanto esquecido devido ao tempo, e anuncie o projeto de uma “reimaginação”, o termo da moda para a prática. A bola da vez na terra do cinema é mesmo o primeiro longa-metragem de Oliver Hirschbiegel, que após a estréia gloriosa se tornaria o diretor a dar um retrato definitivo a maior vergonha da história alemã no magnífico A Queda e ainda sujaria seu nome com o adiado, trucidado e esmagado pela crítica Invasores, mas ao menos Hollywood chamou alguém com história semelhante a do alemão para escrever e dirigir o remake. Além de ser um estreante em cinema, Paul Shceuring tem experiência em lidar com homens encarcerados na celebrada série Prision Break e ainda tratou de se cercar de talentos interpretativos para dar vidas as mentes perturbadas que vão se mostrando no decorrer da narrativa. A começar por dois vencedores do Oscar que andam seletivos demais em relação a seus trabalhos. Adrien Brody não tem um filme lançado em terras brasileiras desde O Expresso Darjeeling, e Forest Whitaker não dá o ar da graça em salas de projeção tupiniquins desde a atuação em alta voltagem que entregou em Os Reis da Rua. Junto deles no projeto está outro talentoso sumido, Elijah Woods, que não aparece desde que pôs um nome a mais no já lotado cartaz de Bobby, e o elenco se completa com Cam Gigandet, o James da franquia Crepúsculo.

Na correria com Reese

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Por mais que os críticos e os mais entendidos de cinema possam chiar, a verdade é que Reese Witherspoon enganou a nós todos. Na luta desde 1991, quando protagonizou uma curiosa história de amor no cult No Mundo da Lua, essa americana do estado do blues surgiu para o grande público no final da mesma década, interpretando papéis típicos do cinema adolescente que era tendência na época, e seguiu carreira intercalando bobagens divertidas como Legalmente Loira com o que de fato pareciam surtos de juízo ao se envolver com gente do naipe de Alexander Payne (em Eleição) e Oliver Parker (Armadilhas do Coração). O ano da virada foi 2005, quando Reese provou arrepios nos fãs do country mais puro do coração da América ao assinar para encarnar June Carter, esposa do lendário Johnny Cash, na cinebiografia Johnny & June. Surpreendeu muita gente, botou um sorriso no rosto de outros tantos e ainda levou um Oscar para casa por sua interpretação. A partir daí, o que ela fez? Basicamente, sem contar um par de filmes independentes e uma comédia romântica que passou em branco pelas bilheterias e pela crítica... nada. Isso até sua popularidade ressuscitar com o sucesso-surpresa de feriado Surpresas do Amor e o maior blockbuster animado da história, Monstros vs. Alienígenas estrear causando furor nas bilheterias. Recuperada, de volta aos holofotes, parece que Reese finalmente entendeu que já foi compreendida por seu público e partiu para duas parcerias que abriram um sorriso em seus fãs. A primeira, que deve sair até o final do próximo ano de 2010, é How Do You Know, título provisório da próxima dramédia romântica do consagrado James L. Brooks. O cineasta, que por sua vez também tem um Oscar na prateleira, de melhor direção por Laços de Ternura, juntou Reese a uma trupe de peso que inclui seu parceiro habitual, Jack Nicholson, que deve ao diretor seu prêmio de melhor coadjuvante por Melhor é Impossível, além de gente nova na trupe como Owen Wilson (Uma Noite no Museu) e Paul Rudd (Ressaca de Amor). Já com as fotos das filmagens liberadas na rede, o filme contará a história de uma mulher em crise amorosa que se vê sendo disputada por dois homens, um homem de negócios e um jogador de beisebol descuidado. Saindo do set deste projeto, Reese vai direto para as mãos de outro diretor cheio de moral entre os críticos, o californiano Cameron Crowe, vencedor do prêmio da Academia de melhor roteiro original pelo trabalho em Quase Famosos, que também dirigiu. Por enquanto, a maior discussão entre os sites de cinema a respeito do novo filme do diretor com a presença de Reese no elenco é o título. Há quem garanta que o nome escolhido para o romance, mais dramático que cômico, é Deep Tiki, mas o IMDB e uma braçada de outros sites firmam a opinião em Volcano Romance, algo mais descritivo do que foi revelado na trama até agora. No roteiro do próprio Crowe, Reese será a paixão da vida de Ben Stiller (Trovão Tropical), um militar que não se dá bem com muita gente, que acaba de trocar a garota certa para sua vida por uma que, ele sabia de alguma forma, não valia a pena. Sua redenção vem quando é chamado para o Havaí, onde é perseguido pelos deuses nos quais os nativos acreditam e reencontra a mulher de sua vida, ao lado do novo marido e dos filhos.

A Facada Final de Williamson

Quando o primeiro Pânico estreou no final da década de 90, é impossível não dizer que foi o filme certo na hora certa. Cansados de um “cinema para adultos”, os adolescentes entraram pela primeira vez durante muito tempo em uma sala de projeção e assistiram a uma obra feita especial e visivelmente para seus olhos. Wes Craven, um diretor cheio de moral entre os críticos por contribuições ao gênero do terror com filmes do naipe de A Hora do Pesadelo, havia diminuído a faixa etária dos protagonistas de sua fórmula e construíra por cima do roteiro de Kevin Williamson, o homem-hype do momento, o símbolo de toda uma geração de freqüentadores assíduos de cinema. Pânico virou padrão porque era uma obra levada com competência, sim, mas ainda mais porque foi um filme extremamente oportunista. E Craven ainda teve a audácia de desafiar o passar dos anos duas vezes, produzindo um par de seqüências que não só se integraram no panorama da série perfeitamente como ainda deixaram os fãs que ela ganhou durante quatro anos e um trio de filmes, com um gosto de quero-mais. Faz nove anos que o terceiro capítulo estreou nos cinemas, e desde então o gênero do terror criou uma tendência a se despir das ousadias cool de gente como Craven e Williamson para se tornar cada vez mais psicológico, visualmente forte e, que me perdoem os críticos, não raro entediante. Com boatos de acontecer desde 2001, apenas um ano depois do lançamento do capítulo derradeiro da primeira trilogia, o filme atravessou os anos do novo século como uma espécie de mito dentro de Hollywood, que passou por épocas muito próximas a realidade e outras absolutamente esquecido. O projeto ganhou mais uma sobrevida em meados do ano passado, quando os boatos intermitentes ganharam uma boa força quando Wes Craven, o próprio, falou que “voltar ao universo de Pânico seria uma diversão e tanto para mim” e disse estar “negociando a possibilidade com os produtores”. Do rumor a confirmação, Craven veio para a quarta aventura da série e trouxe junto os boatos de que o trio de protagonistas dos três primeiros filmes também retornariam para a terceira seqüência da trama. Fazia até sentido, tão esquecidos das grandes produções estavam David Arquette, que não faz nada digno de nota desde uma ponta em Sharkboy e Lavagirl, Courtney Cox, que não engata nada em TV ou cinema desde o fim de Friends, e até Neve Campbell, sumida desde o fim da série O Quinteto. Os boatos ainda foram além, dando conta de uma nova trilogia para a série e finalmente confirmando a presença de David e Courtney no elenco, possivelmente tomando o lugar de protagonistas da trama, o que surpreendentemente jogou Campbell para escanteio. Só na última semana, porém, é que foi confirmado que a personagem da atriz não estaria presente na nova trama, focada na produção do filme ficcional A Última Facada, baseado nas experiências que os protagonistas tiveram nos filmes anteriores. A fórmula do “filme-dentro-do-filme”, já usada por Williamson no terceiro empreendimento da série, parece não estar funcionando as mil maravilhas, porém. Recentemente, em seu Twitter, ele disse estar tendo dificuldades em escrever o novo roteiro, o que instalou mais incerteza nos fãs da série.

Bom, pessoal, e por hoje é só isso mesmo… dia corrido, fazer o quê? Mas enfim, amanhã ou depois eu tenho uma surpresinha para vocês, e quem quiser seguir a pista basta entrar no meu Twitter e até tirar uma idéia do que pode ser essa nova forma de dar notícias cinéfilas para vocês. O link é: https://twitter.com/caiocoletti. Por enquanto, os melhores filmes para todos vocês e até mais!

domingo, 21 de junho de 2009

Filadélfia – Amor, contradição e emoção verdadeira em uma obra-prima importante e eterna.

phila 

Filadélfia (Philadelphia, EUA, 1993).

De: Jonathan Demme.

Com: Tom Hanks, Denzel Washington, Antonio Banderas, Jason Robards, Joanne Woodward.

125 minutos.

Não é fácil nem mesmo falar sobre amor, que dirá criar um do nada. O sentimento mais nobre do ser humano é de uma complexidade e inconstância tremendas, impossíveis de se mapear, prever ou simular. Há um certo caráter único sobre cada tipo e cada espécie de amor que torna ainda mais árdua a tarefa dos que ousam tentar defini-lo, domá-lo ou, tão freqüentemente, usá-lo para enriquecer uma obra de ficção. Talvez por causa de tamanha complicação, histórias de amor dependem de momento, de intenção, de uma concordância quase cósmica entre quem estava atrás da câmera e quem está sentado na platéia, para funcionar em uma sala de projeção. É claro, nesse processo está envolvida muita ponderação, precisão mais do que cirúrgica, e as probabilidades de todas essas barreiras ficarem para trás quando gente talentosa está envolvida são infinitamente maiores. Filadélfia é uma história de amor, mas não uma convencional. É uma história de amor fraterno, de um afeto e um envolvimento construídos aos poucos por lados aparentemente antagônicos que se juntam por uma causa e, como num passe de mágica, desfazem as próprias contradições. É uma narrativa habilidosa, cheia de camadas e de emoção verdadeira impossível de descrever, que chega ao final e faz aflorar as lágrimas sinceras que qualquer outra história romântica sempre sonhou. É um triunfo, de cinema e de realidade, que tem algo a dizer para o mundo fora de sua encenação realista, mas não perde o foco nos personagens e nos seres humanos que eles precisam se tornar para envolver a platéia da forma necessária para que a mensagem seja passada e aquela trama deixe as marcas profundas que foi feita para deixar. Sim, Filadélfia é um filme com uma causa a defender, é parte do engajado cinema-denúncia que tantas vezes os críticos desprezam como “panfletagem inútil” ou qualquer outra expressão cínica que prefiram usar. Mas é também uma jornada de emoção verdadeira e andamento tão lento quanto a deterioração da doença que todos temiam no início da década de 1990, quando o filme foi lançado e a AIDS ainda era uma praga desconhecida que provocava medo e reações irracionais. Afinal, a vida de cada um estava em jogo, e não parecia antiético, ao menos naquele momento, discriminar alguém que, você pensava, poderia te condenar a uma lenta e dolorosa morte se chegasse perto demais. Quem sofria com isso, é claro, eram os atingidos pela síndrome, que tinha que lidar com uma população pouco informada sobre o mal que temiam e acabavam jogados de lado, descartados, isolados. Discriminados. Na época, não parecia preconceito, mas hoje talvez fosse um caso fácil de se resolver na justiça. Os tempos mudaram, mas como toda verdadeira obra-prima, Filadélfia continua grandiosa e tocante, resistindo bravamente ao tempo que mudou todas as circunstâncias de sua trama, que poderia até soar banal, distante dos dias de hoje, se não tivesse seres humanos de verdade envolvidos. É por eles, e não por uma causa, que derramamos todos nós nossas lágrimas.

Concentrar narrativas em personagens capazes de envolver o público sempre foi uma estratégia infalível para criar grandes obras, e é seguindo justamente esse caminho que Filadélfia encontra seu diferencial e seu ponto de decisão entre a emoção barata e a verdadeira. É notável, porém, imaginar o quão menos envolvente a mesma narrativa poderia soar nas mãos de um roteirista menos sutil e sensível que o inconstante Ron Nyswaner (O Despertar de Uma Paixão), encontrando o pico de sua carreira na história improvável de um homem que desafia o sistema e luta pela própria liberdade em um mundo que tem medo dele próprio. Sim, porque Andrew Beckett é um pioneiro, um obstinado explorador de novos caminhos que encontra uma causa própria para dedicar sua limitada, quem sabe até curta, vida. Andrew é o jovem e talentoso advogado que se torna a estrela em ascensão de uma conservadora firma, é presenteado com os casos mais importantes e apresenta sem medo suas opiniões ousadas ao chefe, encantando com seu talento. Isso até todos descobrirem que Andrew é homossexual e, ainda mais, é portador do vírus da AIDS. A desventura motivada pelo medo e pelo preconceito leva Beckett a buscar paz em um processo contra seus ex-empregados, criando um caso na justiça que nenhum outro advogado, em sã consciência, aceitaria. É na busca por um defensor da lei que o caminho de Beckett cruza com o de Joe Miller, advogado negro conhecido do povo americano graças a suas propagandas televisivas sobre direito do consumidor, um aventureiro capaz de correr riscos que, dizem, nenhum outro em sua área aceitaria. Justamente o que Beckett precisa, ou pelo menos é isso que parece até descobrirmos que Miller, além de não ter nenhuma informação concreta sobre a AIDS, é homofóbico. É de fato um grande passo a frente para um filme com esse tipo de trama que os dois simplesmente não se unam de uma vez, contrariando os próprios princípios no que seria chamado pelos críticos mais inocentes de “ímpeto de ousadia” ou “espírito de inovação”. Aqui, as coisas acontecem em seu ritmo natural, e a habilidade de Nyswaner ao conduzir a integração dos dois protagonistas, contradições íntimas em pessoa, é notável. As cenas de tribunal, então, são demonstrações do talento de um roteirista capaz de criar diálogos memoráveis e situações marcantes sem precisar tornar os personagens dentro delas bidimensionais. Ironicamente para um roteiro que trata e se utiliza tão bem de oposição de idéias e sentimentos, não há nenhum momento em que as ações de um personagem soem falsas, precipitadas ou atípicas. Tudo corre conforme deveria. De algum modo, soa como se tivesse acontecido de verdade, e esse nível de realismo muito influi no envolvimento que Filadélfia provoca no espectador. Enfim, é por causa da liga forte do roteiro de Nyswaner que cada um dos outros talentosíssimos elementos envolvidos em Filadélfia conseguem brilhar com tamanha intensidade, sem nunca ofuscar a importante, relevante e emocionante história que se passa na tela.

A começar por Jonathan Demme, um dos mais subestimados grandes mestres do cinema americano. Em um de seus momentos de maior glória na carreira, ele seguiu o suspense O Silêncio dos Inocentes, filme que lhe rendeu a estatueta da Academia de melhor direção, com esse épico dramático e polêmico que estreou prometendo trazer uma mensagem importante em um envoltório dramático que provocava medo entre os pouco chegados a um bom drama. No final, o Filadélfia construído por ele se mostrou uma obra capaz de transpassar gêneros e gostos para soar forte na razão e na emoção de qualquer um que fosse capaz de olhar a sua volta e ver alguma coisa. Com controle narrativo irretocável e uma câmera que se despiu de modismos para simplesmente vigiar uma trama que falava por si mesma, Demme faz um trabalho memorável observando desempenhos interpretativos espetaculares e construindo uma ambientação que muito merece de mérito pelo envolvimento que Filadélfia provoca no espectador. Em especial na cena do último depoimento de Beckett em corte, uma das mais aflitivas e opressoras da história do cinema, sua câmera é elemento fundamental para a compreensão absoluta do que ocorre em tela. É vigilante, é detalhista, é inteligente, mas acima de tudo é parte indissociável do cenário que compõe. Em suma, Demme é quase como os brilhantes olhos privilegiados do espectador, e realiza um trabalho que merecia mais destaque do que teve a época do lançamento do filme. A bem da verdade, porém, uma direção tão competente foi jogada de escanteio pela causa nobre da forte impressão que os atores em cena, mais especialmente a dupla de protagonistas, provocou no público. E eles são os culpados por traduzir um roteiro complexo em emoções simples e fascinantes que transparecem não em rostos de atores, mas em rostos de personagens. A começar pelo protagonista absoluto de Tom Hanks, aqui no papel que lhe rendeu o primeiro de dois Oscar seguidos, quebrando seu próprio paradigma de ator cômico para brilhar em uma performance completa, plena em cada segundo de tela e absolutamente dominante dos momentos em que a câmera de Demme se concentra em vigiá-la. Seu Andrew Beckett é carismático, luminoso, perseverante e adorável, mas tem um toque de amargura na voz e um brilho triste nos olhos que não se traduzem em palavras porque são complexos demais, mas reluzem na interpretação de Hanks. Muito se disse sobre a cena em que seu personagem recita uma passagem da ária “Andrea Chenier”, e de fato se trata de um desempenho apaixonado, entregue, não menos do que perfeito, cheio de emoção que atinge o espectador de uma forma que poucas outras produções, cinematográficas ou não, jamais conseguiram. Ao lado dele, é claro, Denzel Washington não deixa por menos em uma das numerosas e memoráveis performances que entregou ao seu público durante o começo da década de 1990. Na pele de Joe Miller, o ator faz jus ao roteiro e cria emoções autênticas, contidas, mas especialmente retumbantes, para representar um personagem que, nas mãos de outro qualquer, poderia ficar sob a sombra da grande e carismática figura de Beckett. Não é o caso na interpretação acertadíssima do grande ator que Washington sempre foi, aqui entregando fechamento e humor a um único tempo, fazendo de Miller tão protagonista quanto Beckett, da forma como foi idealizado no roteiro. Entre os coadjuvantes, vale destacar a presença cheia de classe de Jason Robards (O Dia Seguinte) no vilanesco papel do ex-chefe de Beckett e a galhardia competente de um jovem Antonio Banderas (A Lenda do Zorro) como o namorado latino do mesmo. Virtudes menores que tem pouco tempo para brilhar em um filme que concentra sua narrativa e encontra a mais pura das emoções, do triunfo ao remorso, do começo ao fim. Afinal, não é o amor a própria contradição?

Nota: 9,0

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (15/06/2009)

A volta de Hunt. Ethan Hunt.

O primeiro filme da série Missão Impossível estreou em 1996 como o projeto arriscado e ambicioso de um diretor consagrado que não andava em seus melhores momentos. O resultado surpreendeu a todos, rendendo mais que cinco vezes o moderado orçamento de 80 milhões de dólares. A história se repetiu com um escopo maior quatro anos depois, quando John Woo assumiu o comando da franquia e concedeu o pedigree da sua direção de ação para a jornada de Ethan Hunt. Na brincadeira, a Paramount levou mais meio bilhão de dólares para o cofre. Talvez por causa de tamanho histórico, os 380 milhões do terceiro capítulo da série, lançado em 2006 e comandado por J.J. Abrams, tenham sido bem decepcionantes. É de se notar, porém, que na época Cruise andava em um momento de escândalos em sua vida pessoal, atitudes equivocadas com a imprensa e momentos de puro constrangimento, especialmente em se tratando da polêmica religião do astro, a cientologia. Agora, três anos depois do relativo fiasco, Cruise ressurgiu das próprias cinzas com o sucesso de Operação Valquíria, foi indicado ao Globo de Ouro pela ousada performance em Trovão Tropical, e anda arranjando novos projetos para manter esse status a cada semana. É claro, um astro de verdade nunca se esquece de sua franquia preferida, e era questão de tempo para Cruise decidir ressuscitar Ethan Hunt dos mortos e tocar para frente o projeto sempre vivo de continuar a franquia em um quarto episódio para os cinemas. Mas o caminho não é tão fácil quanto parece. De relações cortadas com a Paramount e com o produtor Summer Redstone desde o infame episódio da entrevista para Oprah Winfrey em 2006, o primeiro passo para trazer de volta a série foi, me perdoe o trocadilho, uma missão verdadeiramente impossível. A negociação se estendeu por nada menos que uma dezena de meses, começando em maio do ano passado para encontrar um acordo somente em março último, quando o estúdio aceitou as exigências de Cruise e resolveu dar uma segunda chance a franquia do espião high-tech. Depois de tudo acertado, o próprio Cruise começou a trabalhar no argumento da nova aventura, lançando rumores sobre uma ambientação “mais alternativa” para a nova missão de Hunt. Três meses depois dos primeiros boatos serem silenciados pelo astro, o primeiro convite oficial para integrar a equipe da seqüência foi para o diretor J.J. Abrams, recém-saído de outra ressurreição, a de Star Trek. O convite para retornar a direção da série pode ter adiado as férias que o diretor pretendia tirar para assistir ao fim de Lost, a série que ajudou a tornar um fenômeno. Segundo ele: “Estou muito lisonjeado que Tom tenha me convidado para retornar”. O diretor, porém, não confirmou se planeja aceitar o convite.

O riso dos mortos

zombieland

Zumbis são a última tendência em termos de cinema. Ou talvez não, afinal os mortos-vivos andam aparecendo por todos os lados desde que o britânico Danny Boyle os apresentou para toda uma nova e refinada geração com seu brutal Extermínio, sucesso surpreendente que já ganhou uma continuação e tem o fechamento da trilogia já a caminho. Desde então, e estamos falando de mais de sete anos, os zumbis já passaram pelas mãos brilhantes de um comediante inglês em Todo Mundo Quase Morto, pela câmera trepidante de uma dupla de cineastas italianos desconhecidos em [REC] e até levaram a fama o hoje aclamado Zack Snyder, com seu Madrugada dos Mortos. Ao que parece, a onda tende a crescer ainda mais nos próximos anos, mesmo que os projetos anunciados com o tema não sejam exatamente promessas de obras-primas. Antes de tudo, é bom falar que as próximas linhas contém uma heresia capaz de fazer os fãs de literatura clássica enfartar. Ainda aqui? Pois bem, aí vem a bomba: está sendo produzida a adaptação de Pride & Prejudice & Zombies, obra de um apresentador de talk-show americano que teve a brilhante idéia de misturar a clássica trama de Jane Austen com uma invasão inesperada de zumbis na Inglaterra vitoriana. Quer mais? O projeto ainda pegou de jeito a sumida Natalie Portman, que pode sair de uma folga de três anos desde V de Vingança para estrelar a tragédia. Enquanto, ironicamente, a heresia é disputada a tapa pelos grandes estúdios da capital do cinema, a bola da vez é da Columbia, que tem Zombieland pronto para estrear no final do ano. Marcado para dia 4 de Dezembro, o projeto vem sendo comentado desde meados do ano passado, quando Woody Harrelson, que anda reconstruindo sua carreira em papéis menores, embarcou para interpretar o caçador de zumbis da vez. No roteiro a quatro mãos da dupla Paul Wernick e Rhett Reese, responsáveis por shows de comédia como o The Joe Schomo Show e estreantes na tela de cinema, o personagem do ator se junta a um adolescente que encontrou no medo a maior ferramenta para a sobrevivência e a outros dois misteriosos andarilhos de um mundo dominados por zumbis e precisa decidir se a confiança vale a pena frente a sobrevivência. Dois meses depois de Harrelson aceitar o papel do caçador destemido, seu contra-ponto medroso foi materializado em Jesse Eisenberg (A Lula e a Baleia), que anda bastante ocupado nos últimos tempos. Dupla principal definida, os coadjuvantes foram aparecendo espontaneamente e acabaram atiçando ainda mais a curiosidade do público. Emma Stone, uma das garotas do super-sucesso Superbad, assinou para viver uma das andarilhas misteriosas, tendo a seu lado a pequena Abigail Breslin, que também ficou com a agenda cheia desde Pequena Miss Sunshine. O elenco ainda foi completado pela presença surpreendente de Bill Murray (A Cidade das Sombras), e pela participação da ucraniana Mila Kunis, vista recentemente em Max Payne. A primeira foto da trupe toda já foi liberada e figura aí em cima.

Um par de damas

Personagens de vidas duplas sempre foram um prato cheio para o cinema. Se pelo menos metade dos espiões cinematográficos devem seu charme a esse tipo peculiar de se estudar um personagem, ao menos outras dezenas de donas de casa já se revelaram muito mais interessantes ao atravessarem o batente de seus lares. Um pouco perdido na conversa? Projetos postos em questão: Lunch Lady e Secretariat. Cada um com suas peculiaridades, com suas histórias e com suas estrelas, mas unidos pelo expediente bem comum de conceder uma segunda vivência a personagens que, por uma visão simples, não seriam exatamente fascinantes. Comecemos do começo, então. Lunch Lady, como a maioria das grandes atrações futuras da grande Hollywood, é a adaptação de uma série em quadrinhos que, até agora, teve apenas seus dois primeiros exemplares lançados. A trama criada pelo autor de histórias infantis Jarrett Krosoczka foca na doce garçonete de uma cafeteria que age secretamente como uma agente do governo treinada para ajudar a polícia em suas investigações mais obscuras e misteriosas. Em suma, um filme de detetive para crianças com altas conspirações governamentais e uma estrela da comédia para os adultos. A estrela em questão, Amy Poehler, pode ter dado um grande passo rumo a consolidação de sua até então inconstante carreira cinematográfica ao aceitar o papel principal de uma produção bem mais vendável do que os quadros de humor ácido que costumava fazer no Saturday Night Live com a amiga Tina Fey, hoje estabelecida com sua 30 Rock. O roteiro também vem direto da televisão, onde a autora Emily Halpern trabalhou em episódios de The Unit e Private Practice, mas por enquanto não se sabe se o script cobrirá a trama dos quatro episódios previstos para a série no papel ou apenas a do primeiro tomo, Lunch Lady and the League of the Librarians. Em tom um pouco mais sério e com origens em uma história real, o segundo projeto que investe em uma vida paralela para sua protagonista é Secretariat, título provisório para a cinebiografia da Penny Chennery, célebre por ter se tornado a “primeira dama” da corrida de cavalos. Antes de tudo isso, Penny era uma dona de casa com uma vida aparentemente perfeita no contexto do american way of life, que viu sua vida mudar após herdar uma fazenda de seu falecido pai e se apaixonar pela bucólica paisagem do lugar, aprendendo progressivamente mais sobre as competições de cavalos. Saiu premiada e agora a Disney quer colocar essa história em película com seu clima familiar de sempre. Ponto para eles, que escalaram a talentosa Diane Lane (Noites de Tormenta) para estrelar a obra e têm Mike Rich (Encontrando Forrester) assinando o roteiro, enquanto Randall Wallace (Fomos Heróis) se encarrega da direção. Ambos os filmes devem chegar aos cinemas no início de 2011.

Direto de Marte

Dessa vez vai. Em desenvolvimento há quase meia década e experiente de pelo menos uma dupla de tentativas fracassadas, o projeto de filmar a clássica novela John Carter of Mars parece ter encontrado seu lar definitivo na Disney/Pixar. E é impossível negar a ousadia do brilhante Andrew Stanton, recém-saído da obra-prima Wall*e, em escolher um projeto tão complicado como seu primeiro filme em live-action. Afinal, o filme já passou por confusões nas mãos de Robert Rodriguez (Sin City) e Jon Favreau (Homem de Ferro), que viram os sonhos caírem pelo ralo por diversos problemas envolvendo o sindicato de cineastas americano e as exigências absurdas da Warner. Apesar da falta de segurança que o projeto ainda transpira para todos os lados, ao menos dessa vez parece que o estúdio do Mickey acertou nos cautelosos passos para levar uma obra tão cultuada para as telas do cinema. Primeiro, Stanton garantiu, enquanto desenvolvia por si próprio o roteiro, que o clima de realismo da prosa de Edgar Rice Burroughs, mais conhecido como o criador de Tarzan, seria mantida. Segundo ele, o filme “será como se a equipe do National Georaphic chegasse a uma civilização desconhecida enquanto explorava uma caverna”. Portanto, nada de exageros e pirotecnias dos arrasa-quarteirões, mesmo que as batalhas do livro prometam soar ainda mais fortes na grande tela. Em seguida, foi anunciado que o roteiro completo de Stanton passaria por uma revisão pelas mãos competentes de Michael Chabon, célebre por scripts do nível de Garotos Incríveis e Homem-Aranha 2. Dois meses depois da sábia decisão, os primeiros sinais de elenco foram surgindo como rumores pela Internet, quase despercebidos para quem não é de fato muito ligado em tudo que se passa na rede. A primeira notícia veio do lado feminino da trama, com a atriz Lynn Collins, vista recentemente como o par romântico do protagonista em Wolverine, publicando em seu Twitter a chamada “celebrando John Carter”, que levantou rumores sobre a atriz interpretando a princesa marciana Dejah Thoris. No mesmo dia, coincidentemente, primeiro anúncio oficial de escalação para o projeto veio da Disney, dando conta certa de Taylor Kitsch, outro dos coadjuvantes do filme do mutante de garras, na pele do papel-título, o de um veterano da Guerra Civil americana que é seqüestrado e levado a Marte, se tornando prisioneiro de um poderoso e maligno guerreiro. O terceiro integrante da lista veio em uma entrevista ao talk show de Jeffrey Lyons, onde o ator Thomas Haden Church (Homem-Aranha 3) confirmou estar trabalhando no projeto com a Disney e o diretor Stanton. Resta saber quantos mais astros o orçamento da toca do rato pode suportar.

Bom, gente, e por hoje é só isso mesmo… por enquanto, posso dizer que tenho uma crítica vindo por aí e estou até um pouco atrasado nas notícias, mas as provas da escola vem aí, então vai ficar meio difícil postar com tanta freqüência… mas assim que puder o farei, certo? Os melhores filmes para todos vocês e até a próxima!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (10/06/2009)

Classe A

Nada como um filme que faça jus a seu título. Ainda que não tenha a melhor das expectativas em seu encalço, o fato é que Esquadrão Classe A, vindoura adaptação da célebre série televisiva oitentista, tem escalado um time de primeira para trabalhar atrás e a frente das câmeras. Para quem não está familiarizado com o mundo das séries antigas, The A-Team estreou na NBC em 1983 como uma modesta produção sobre quatro veteranos de guerra que são acusados de um crime que não cometeram e saem pelos Estados Unidos ajudando inocentes enquanto escapam da cerrada perseguição militar. A trama prosseguiu por cinco temporadas até 1987, quando a série completou 97 episódios e saiu do ar como o maior sucesso da época e um dos maiores até hoje. O fato é que Esquadrão Classe A se tornou aquela espécie de série que acende a nostalgia nos mais velhos e ainda atiça a curiosidade das novas gerações, um verdadeiro cult duas décadas depois da transmissão de seu episódio derradeiro. Dito isso, a preocupação dos fãs é até compreensível, principalmente quando o primeiro esboço de projeto previa um diretor inexperiente, uma penca de sub-astros e um equivocado tom sério, mais próximo da ação saudosista de Missão: Impossível do que do pastiche que tornou a série o clássico que é até hoje. Foi só no começo desse ano, quase cinco depois da malfadada primeira tentativa da Fox em reviver o esquadrão, que o projeto tomou seu caminho. E talvez o grande responsável por esse novo rumo seja Joe Carnahan, que anda precisando de um sucesso de verdade depois de não cair nas graças da crítica com o estiloso A Última Cartada. Se tudo começou com o envolvimento do cineasta inglês, é inegável que a badalada dupla de roteiristas Michael Brandt e Derek Haas, versáteis responsáveis por filmes do nível de Os Indomáveis e Procurado, têm muito a ver com a intensa disputa de grandes nomes para integrar o elenco da adaptação. Os primeiros rumores após a finalização do roteiro, por exemplo, davam conta de Chris Pine, o capitão Kirk da encarnação mais recente de Star Trek, na pele de um dos coadjuvantes da série, o Capt. Murdock feito por Dwight Schultz (O Início do Fim) na encarnação original. Hoje, o nome envolvido com o personagem é o de Woody Harrelson, que aos poucos renasce na capital do cinema como coadjuvante valioso em filmes do naipe de Sete Vidas e Onde os Fracos Não Têm Vez. Ao lado dele, na pele do famoso Mr. T da série original, o rapper Common, dono de um personagem marcante em O Procurado, volta a desafiar seu próprio carisma. Enquanto isso, Bradley Cooper (Sim Senhor) assume-se como novo queridinho dos estúdios na pele do protagonista e Liam Neeson (Batman Begins) aposta no típico policial durão ao encarnar o Coronel Smith. Time de classe, temos que admitir, que deve chegar aos cinemas em 11 de Julho de 2010.

Recorde inesperado

O cinema não vive só de blockbusters, apesar de Hollywood freqüentemente tentar nos convencer do contrário. Uma enganação que não funciona mais em tempos que cinema independente se tornou um negócio lucrativo e, acima de tudo, um criador massivo de símbolos pop. Juno não custou nem 10 milhões de dólares e era o projeto pessoal de uma estreante promissora antes de se tornar o maior fenômeno cinematográfico dos últimos tempos. Pequena Miss Sunshine custou quase o mesmo, rendeu o dobro e ainda chegou ao Oscar com grande torcida por uma premiação. Cá entre nós, aliás, só não se pode prever o mesmo para The Hangover porque comédias descompromissadas e cheias de conteúdos duvidosos não são a especialidade da Academia. Mas que o filme de Todd Phillips (Starsky & Hutch) é o novo fenômeno da divulgação boca-a-boca, disso não há dúvidas. Sem nenhum grande astro no elenco, um moderado orçamento de 35 milhões e distribuição discreta da Warner Bros, o filme alcançou apenas em seu fim-de-semana de estréia a marca histórica de 44 milhões na bilheteria. Um recorde entre os filmes com classificação etária R, o que em terras americanas restringe o filme a maiores de 17 anos ou acompanhados pelos responsáveis. E a crítica também tem rasgado elogios ao filme, mais especificamente ao roteiro da dupla Jon Lucas e Scott Moore, responsáveis por outro dos hits dos últimos tempos, o romântico Surpresas do Amor. Dessa vez o foco deles foi para Las Vegas, onde quatro amigos comemoram a despedida de solteiro de um deles. Até aí nenhuma novidade, mas a confusão de verdade começa quando o quase-noivo desaparece na virada da noite e cabe ao trio remanescente reconstruir seus passos para reencontrar o amigo a tempo do casamento. O protagonista perdido é interpretado por Justin Bartha, conhecido pelos papéis coadjuvantes em filmes como A Lenda do Tesouro Perdido mas a estrela da vez é mesmo Bradley Cooper (Sim Senhor), que se junta aos amigos Ed Helms (The Office) e Jeff Galifianakis (Jogos de Amor em Las Vegas) para cumprir a missão e salvar o dia. Pelo caminho estarão animais ferozes, um bebê desconhecido, a polícia, dentes quebrados e um apartamento dos sonhos botado abaixo por uma noite que eles nem mesmo se lembram. Ah, e ainda tem Mike Tyson em uma ponta, interpretando a si mesmo, é claro. Você vai ser capaz de perder isso? The Hangover, batizado por aqui como Se Beber Não Case, deve estrear em 8 de Agosto.

Enfim, o vilão!

A Marvel anda de vento em popa, liberando novidades de seus vindouros e esperados filmes a todo o momento e atiçando a curiosidade dos fãs com revelações bem medidas para não provocar mais do que o necessário a legião de blogueiros fanáticos que já estragaram algumas das produções mais aguardadas da história. A verdade é que a expectativa talvez seja a parte mais empolgante. Por essas e por outras, não custa nada dar uma olhada nas maiores novidades direto do set de Homem de Ferro 2, continuação que deve chegar aos cinemas brasileiros quase uma semana antes de aportar nas salas americanas, em 30 de Abril do próximo ano. Desde que a primeira foto oficial de Tony Stark em seu laboratório foi liberada na rede, no começo de Maio, comentários, fotos e declarações foram o que não faltou para promover a aventura super-heróica que segue com a jornada do milionário portador de um problema do coração que veste uma armadura e relutantemente combate o crime. O roteiro de Justin Theroux (Trovão Tropical) pode provocar arrepios nos fãs de quadrinhos com a expectativa de múltiplos vilões e a forma de lidar com o reconhecimento mundial da identidade do herói. Tudo isso e mais Nick Fury, é claro. SHIELD e projetos futuros a parte, uma das mais esperadas aparições do novo filme é a de Justin Hammer, o rival de negócios de Stark e velho conhecido dos fãs de quadrinhos. Como bem assinalou Sam Rockwell (O Guia do Mochileiro das Galáxias) em entrevista a MTV, não se trata de um vilão convencional. Em suas acertadas palavras: “Justin não lutará contra Stark com um uniforme. Ele é o cérebro, não os músculos”. Seriam estes então os de Wiplash, vilão conhecido por aqui no Brasil como Chicote Negro? Se o forem, aí em cima está o primeiro aperitivo da forma de Mickey Rourke (O Lutador) em um dos papéis com maior visibilidade de sua carreira. Enquanto mistérios permanecem no ar, ao menos uma das expectativas do filme foi parcialmente descoberta pelo diretor Jon Favreau (Zathura), que retorna para comandar a segunda aventura do herói. Em entrevista a Empire, o cineasta falou sobre o conflito interno do protagonista, as conseqüências da pressão de ser um herói e um possível segundo uniformizado surgindo durante a projeção de seu filme: “É esperado que Tony seja um modelo, mas não acredito que ele esteja pronto. Ele está sob muita pressão e quando você está sob pressão você tem que achar uma válvula de escape. Esse é um dos dilemas do filme: uma coisa é falar que você é o Homem de Ferro, outra é você se transformar no Homem de Ferro. E digamos que Tony não será a única pessoa a lidar com tecnologia no filme”. Holofotes todos sobre Don Cheadle (Hotel Ruanda), o homem que assumiu o manto de James Rhodes, melhor amigo de Stark e futuro substituto do milionário quando este cai em problemas com álcool.

Super-cool

Mark Millar é um escritor de tiradas certeiras e ácidas, momentos de puro deleite pop e uma modernidade impressionante, sem comparativos no atual quadro de criadores de quadrinhos. Na ativa desde o começo da década passada, esse escocês tomou o holofote principal ao assumir o roteiro de diversos títulos da poderosa Marvel e ainda assim não deixou de lançar suas infalíveis minisséries em edições limitadas, sempre pérolas de humor e tours de force pela genialidade pop de seu autor. Kick-Ass, primeira dessas minisséries bancadas pela Marvel, não foi uma exceção. Lançada no começo do ano passado, a trama era sobre um adolescente que improvisa um traje de super-herói e sai as ruas realizando o sonho de qualquer nerd mesmo sem ter poder especial algum. Só como aperitivo para quem não conferiu: na primeira tentativa o garoto é massacrado, e na segunda vai parar no YouTube. Em seis edições, Millar foi livre para destilar sua ironia e sua observação cool e sagaz do mundo moderno ao seu redor. E de quebra ainda vendeu feito água e se tornou um dos ícones da nova geração de nerds. Agora, pouco mais de um ano depois do fechamento da trama, a única conclusão possível de se tirar é que Millar é um sujeito muito esperto. A bem da verdade, o projeto de filmar Kick-Ass surgiu quando a segunda edição ainda chegava as bancas e o badalado diretor Matthew Vaughn (Stardust) aceitou comandar a obra. De lá para cá, o hype de Kick-Ass só fez crescer e é inegável que o filme vai chegar aos cinemas nos próximos meses como um forte candidato a futuro cult. Com o roteiro a cargo do próprio Vaughn, como sempre ao lado da parceira Jane Goldman, o filme começou bem na cotação dos fãs ao escalar a revelação Chritopher Mintz-Plasse (Superbad) para interpretar o icônico vilão Red Mist, principal rival do protagonista. Para o papel principal, aliás, a produção acertou outra vez ao convocar o pouco conhecido Aaron Johnson, cujos trabalhos mais notáveis até hoje foram o protagonista do infantil O Senhor dos Ladrões e a ponta como o jovem Eisenheim em O Ilusionista. Se a confiança não é muita em relação ao garoto, ao menos ele está em boa companhia. Saído direto das filmagens apoteóticas da ficção científica Presságio e tocando o projeto ao mesmo tempo em que roda Aprendiz de Feiticeiro, Nic Cage crava outro personagem interessante na pele de um ex-policial vingativo que treina sua filha para ser uma arma mortal. De brinde, o filme ainda tem o astro em ascensão Mark Strong (RocknRolla) encarnando, só para variar, um chefão do crime nova-iorquino. Sinas a parte, as primeiras fotos empolgaram ainda mais os fãs e de uma hora para a outra Kick-Ass se tornou o filme mais esperado do ano. Ficou curioso? Quer saber mais? Vá para o Google e junte-se aos nerds.

Bom, pessoal, e por hoje é só isso mesmo… notícias boas para os fãs de quadrinhos e das comédias… e de séries antigas! Um dia cheio hoje, mas arranjei um tempo para juntar essas pequenas novidades do mundo do cinema para vocês… então vou ficando por aqui mesmo. Os melhores filmes para todos vocês e até mais!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Anjos & Demônios – Há males que vem para o bem… conspiração, superação e suspense em pleno Vaticano

Anjos & Demônios (Angels & Demons, EUA, 2009).

De: Ron Howard.

Com: Tom Hanks, Ewan McGregor, Ayelet Zurer, Armin Mueller-Stahl, Stellan Skarsgard.

138 minutos

Cinema não é feito para passar informação, apesar de não raro ter uma mensagem atrelada as suas imagens. Por mais que um filme pretenda retratar uma situação que facilmente poderia figurar na realidade ou de fato o tenha, por mais que seja a vontade de realizar uma obra realista, não são informações jogadas ao vento e ao acaso que serão o fato decisivo para envolver uma platéia, o espectador. Isso porque cinema não é, nem nunca será, realidade, por mais que as imagens em movimento possam repercutir com força nela. Informação pura e simples, nua e crua, sem nenhum contexto emocional ou uma competente ambientação de entretenimento, não passa de minutos desperdiçados para descobrir coisas que serão esquecidas minutos depois. Talvez esse tenha sido o maior erro de O Código da Vinci, adaptação cinematográfica produzida em 2006 para o mega-best-seller do americano Dan Brown. A história do simbologista Robert Langdon descobrindo um segredo milenar ao lado de uma agente do governo francês e um milionário britânico funcionava perfeitamente como leitura rápida, densa e fascinante no papel. Mas isso porque havia espaço o bastante para a quantidade mesmerizante de informações na prosa do autor e para o desenvolvimento de personagens que chegavam as últimas palavras como velhos conhecidos. Na adaptação, porém, a informação foi prezada muito acima do contexto emocional dos protagonistas, criando uma jornada orgânica que pouco conseguia instigar ou entreter com sua narrativa arrastada e congestionada de curiosidades facilmente esquecíveis. Nem mesmo o talento de um ator do nível de Tom Hanks (Náufrago) foi capaz de transformar Langdon em um homem de verdade em meio a tanta confusão e a uma jornada tão mística. De fato, muitos dos coadjuvantes terminaram mais familiares do que a dupla de protagonistas, completada por uma perdida Audrey Tatou (O Fabuloso Destino de Amélie Poulin). Pois bem, cá estamos, três anos, mais de 700 milhões de dólares em bilheteria ao redor do mundo e muita expectativa depois, para atestar mais uma vez que erros servem para alguma coisa, no final das contas. Anjos & Demônios ainda não de forma alguma um filme perfeito, mas é impossível negar que talentos renasceram das cinzas para dar uma forma muito mais acertada a essa segunda investida de Langdon nas telas. Afinal, se ainda continuamos a caminhar é porque um dia já tropeçamos. Todos nós erramos, faz parte do que nos faz cada vez melhores. Seja você cínico ou inocente, não custa nada dar uma nova chance a Ron Howard, Hanks e companhia. Mesmo que a Igreja diga o contrário.

Polêmicas, permissões de filmagem e tramas heréticas a parte, a verdade é que a adição de mais um nome na elaboração do roteiro de Anjos & Demônios talvez seja a mudança mais acertada na criação progressiva de um novo rumo para a franquia estrelada pelo professor mais famoso do nosso século. Dessa vez, temos o sempre competente Akiva Goldsman (Uma Mente Brilhante), que havia escorregado no filme anterior, em pleno domínio de sua eficiente condução de trama, levando o personagem por uma jornada que consegue ser linear, convencional, impactante e surpreendente a um único tempo. Um trabalho infinitamente superior ao predecessor, mas talvez boa parte do crédito deva ir para o versátil David Koepp (O Quarto do Pânico), que injeta suspense, energia e um andamento mais corrido a um roteiro que não se esquece de parar para contemplar aos poucos os dilemas de seu protagonista. Aqui, Langdon ganha em humanidade ao ser confrontado por um conflito interior extremo enquanto se envolve, como sempre, em uma das maiores conspirações da história da humanidade. De certa forma, trata-se de um processo inverso ao que ocorreu em Da Vinci. Em Anjos & Demônios, o foco é tão concentrado no professor de Harvard que de certa forma os coadjuvantes se tornam figuras borradas que circulam em torno de Langdon, um caçador de furacões que não tem culpa de estar presente em momentos tão cruciais. Dessa vez, os ventos fortes nos quais Langdon se perde miram seu olho para o pequeno mundo da cidade do Vaticano, sede-maior da administração da Igreja católica, um país dentro de uma cidade e, como bem observa um dos coadjuvantes no início, “um pesadelo de jurisdição”. O papa morreu, o Conclave dos cardeais para decidir o sucessor do falecido está prestes a começar e a polícia do Vaticano recebe uma ameaça sem precedentes. Os quatro prefiriti, os favoritos para serem eleitos Sumo Pontífice, foram seqüestrados pelos Illuminatti, lendários inimigos dos atrasos da Igreja Católica, e o seqüestrador promete matar um por um, em praça pública, até a meia-noite, quando uma bomba escondida em algum lugar nos raio de quilômetros consumiria toda a cidade. É aí que entram Robert Langdon, chamado por um capitão da polícia para desvendar as mensagens da ameaça, e Vittoria Vetra, uma bióloga marinha que se viu envolvida no assassinato de um físico do laboratório mais avançado no mundo, na Suíça. O local em questão, não por acaso, registrou o roubo de um tubo de antimatéria, o material mais delicado e explosivo conhecido pelo homem, produzido pela primeira vez em pequena escala pelo acelerador de partículas do local. O elemento final é o Camarlengo Patrick McKenna, ex-secretário pessoal do papa falecido que se vê no cargo de poder maior dentro da Igreja enquanto os cardeais não saírem de sua clausura. Resta ligar os pontos, tarefa que o roteiro escrito a quatro competentes mãos faz com desenvoltura impressionante para quem se lembra da confusão de Da Vinci.

Se o pecado maior do roteiro foi consertado com a simples adesão de mais um elemento para tornar a fórmula vitoriosa, a mesma sorte não teve o diretor Ron Howard, que saiu da nominação ao Oscar pelo verbal Frost/Nixon direto para uma superprodução cheia de impacto visual e estilo muito menos sutil que o equilíbrio de forças da entrevista do ex-presidente americano. A verdade é que Howard, apesar de todas as objeções dos críticos de plantão, é um bom diretor. Mesmo nas tomadas mais equivocadas de Da Vinci, sua câmera fazia o que podia para se confrontar com o roteiro apressado, imprimindo um pouco de elegância aos cortes e movimentos, ainda que o visual soasse equivocado a todo o momento. Aqui, a história é outra, mesmo porque a mudança de cenário é quase nula perto do tour pela Europa que a aventura anterior promovia. Filmando em um único ambiente e na maioria das vezes em “locações camufladas”, Howard manipula o ambiente com competência impressionante, seja ao coordenar a épica seqüencia da multidão na praça de São Pedro ou imprimindo um filtro sufocante na bem montada seqüencia em que Langdon fica preso sem oxigênio nos arquivos do Vaticano. Se controlando a ambientação Howard faz um trabalho exemplar, porém, é impossível negar que dessa vez sua câmera está menos inspirada e até repetitiva. Em alguns momentos chega a irritar e atrapalhar o envolvimento a forma como o diretor parece ter adquirido uma fascinação incurável por giros, deslizes e suportes. Até mesmo nos momentos íntimos, raros e ainda assim competentes por parte do roteiro, Howard dá a impressão de estar filmando a um mundo desabar. Não que de certa forma ele não esteja, é claro, mas tamanha convicção em apenas um estilo de direção é capaz de cansar e quebrar a concentração até do espectador mais compenetrado. Os movimentos são tão persistentes que até entram na frente dos atores de quando em quando. E não dá para negar que eles estejam bem melhores com um bom roteiro para guiá-los. Tom Hanks mostra mais uma vez que é capaz de construir uma atuação notável mesmo quando ofuscado por uma trama de escopo global. Seu Langdon aqui está mais forte do que no primeiro filme, mais definido e muito mais interessante. Crédito tanto para o roteiro quanto para a atuação concentrada e detalhista do astro. A israelense Ayelet Zurer (Ponto de Vista) pode não ser tão boa e significativa companhia quando Audrey Tatou em Da Vinci, mas faz o que pode com seu pouco tempo de tela. Também desse mal da pouca significância sofre Armin Mueller-Stahl (Senhores do Crime) na pele do cardeal mais velho, mas o veterano ainda consegue se destacar com uma interpretação a altura dos mestres a manipulação de massas. O mesmo pode se dizer do sueco Stellan Skarsgard (Piratas do Caribe) ao encarnar o comandante-maior da polícia vaticana, um suspeito a primeira vista que o ator tira de letra com a desenvoltura de sempre. A bem da verdade, porém, o show é todo de Ewan McGregor (A Ilha), um barril de pólvora manso prestes a estourar a cada cena, uma atuação que chega ao limite para nunca mais fazer o caminho de volta e uma construção de personagem no nível de atores veteranos e consagrados. Seu Camarlengo é a força, o combustível e a figura mais fascinante em um filme que, no final de seus 138 minutos, deixa na lembrança o quão fraca pode ser a índole humana. E, é claro, são duas horas de entretenimento de primeira. Cá entre nós, muito mais do que Da Vinci teve para nos oferecer.

Nota: 7,5

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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Boletim Cinéfilo – As Notícias do Dia (08/06/2009)

Célebre engenheiro

É notável o que um arrasa-quarteirões é capaz de fazer pela carreira de um ator em Hollywood. Britânico, na ativa há quase quinze anos e colecionando elogios da crítica e de um seleto público desde que seu Todo Mundo Quase Morto se tornou o besteirol queridinho dos especialistas em 2004, Simon Pegg só conseguiu mesmo escancarar as portas dos grandes estúdios quando foi escalado pelo amigo J.J. Abrams (Missão: Impossível III) para o posto principal da engenharia da renovada Enterprise que chegou aos cinemas americanos no último 08 de Maio. No papel do engenheiro Montgomery Scott, Pegg assumiu com propriedade o manto que fora do estigmatizado James Doohan, cuja carreira fora da série se resume a participações especiais em produções de segunda categoria. É claro que Pegg, sendo um cara esperto como é, não se deixaria cair no mesmo destino, e já emendou uma nova loucura pessoal para seguir a ascensão a fama. O projeto em questão, intitulado Paul, segue a linha das obras anteriores idealizadas por Pegg e seu parceiro Nick Frost (Penélope), se utilizando de uma trama tipicamente clichê para quebrar todo e qualquer paradigma do gênero em que se metem. Se terror e ação já ficaram para trás, a bola da vez para a dupla são os filmes de extra-terrestres. O personagem título é o alien que cruza o caminho de dois amigos fanáticos por quadrinhos que atravessavam o país para chegar a Comic Con, maior convenção do gênero no mundo. É claro que, aproveitando a oportunidade, Paul pede ajuda aos dois para retornar ao seu planeta natal. A sinopse promete, mas talvez sejam as novidades na trupe de Pegg que empolguem mais. Além do habitual parceiro, o inglês se juntou o badalado comediante Seth Rogen (Segurando as Pontas), que trouxe a reboque o diretor Greg Mottola, responsável pelo cultuado Superbad, assumindo seu terceiro projeto em três anos para compensar quase uma década trabalhando em episódios isolados de séries de TV de curta duração. Além de Rogen e seu parceiro cineasta, Pegg ainda reuniu para Paul os talentos de Bill Hader, conhecido por aqui como o parceiro de Will Ferrell em Escorregando Para a Glória, e Jason Bateman, que vem enfileirando uma boa série de sucessos sérios comerciais e críticos no naipe de Hancock e O Reino, mas ainda é um dos mais inteligentes comediantes em atividade. A cereja no bolo para um elenco tão excepcional? Coadjuvante de ouro da última safra de comédias americanas, Sigourney Weaver deve mais uma vez meter-se entre os maiores talentos da nova geração para participar do filme como uma antiga conhecida humana do protagonista alienígena, que será todo construído em CGI e receberá a voz de Rogen. Paul está sendo filmado no Novo México, onde se localizaria a lendária Área 51, antiga conhecida dos cinéfilos de plantão.

Refilmagem perturbadora

Os primeiros anos da década de 1990 foram um verdadeiro celeiro para filmes subversivos e quebradores de tabu se tornarem sucesso e catapultarem a carreira de seus astros e diretores. Instinto Selvagem escancarou uma sexualidade aberrante e atraente a um tempo e ainda conseguiu tempo para promover um bem-vindo retorno as tradições mais enraizadas do suspense cinematográfico. Transpoitting tratou o mundo das drogas com humor culpado, mas não se esqueceu de mostrar o poço de depressão em que vive quem se arrisca nesse degradante vício. E, só para finalizar a lista, Pulp Fiction tornou tudo isso o mais cool possível, além de um show de roteiro e bom cinema. O que pouca gente esquece é que Vício Frenético também merece seu lugar nessa trilogia de ouro aí em cima. Para quem não conhece, basta dizer que o filme foi assinado por Abel Ferrara entre a ascensão a fama com O Rei de Nova York e a ruína com Invasores de Corpos, e que tinha Harvey Keitel, hoje conhecido por papéis coadjuvantes em filmes como A Lenda do Tesouro Perdido, mas a época com toda a aura de astro, na pele do imoral protagonista, um policial corrupto e viciado que investiga o estupro de uma freira em uma Nova York distópica e futurista enquanto tenta se redimir de seus erros. Brutal e sutil a um tempo, o filme garantiu a época seu lugar ao Sol como uma espécie de cult instantâneo, mas os anos se passaram e, ao contrário de seus colegas citados no começo do texto, Vício Frenético foi esquecido. Ou ao menos pela maioria esmagadora do mundo. William Finkelstein, criador e roteirista regular de séries televisivas do calibre de NYPD Blue e Law & Order, por acaso, não faz parte dessa maioria. Sem nenhuma experiência em longas-metragens para o cinema, o premiado roteirista escreveu Bad Lieutnaut: Port of Call New Orleans, que provocou burburinho quando foi anunciado devido ao título, o mesmo do filme de Ferrara no original em inglês. Os fãs do original e o próprio diretor não demoraram a expressar sua desaprovação poucos dias depois de Werner Herzog (O Sobrevivente) aceitar materializar o roteiro para a Millenium Films e anunciar que Nicolas Cage (Presságio) como seu preferido para assumir o papel do protagonista. A polêmica esquentou depois que Herzog categoricamente afirmou que o projeto em que estava envolvido não era, de forma alguma, uma refilmagem. Segundo ele, “o protagonista e a história são completamente diferentes”. Seguindo em frente, Herzog escalou Eva Mendes (Motoqueiro Fantasma) e Val Kilmer (Déja Vu) para papéis coadjuvantes, e ainda contou com a adesão do rapper Xzibit (Arquivo X). Apesar de toda a polêmica e da sinopse guardada a sete chaves, ao que parece o mundo noir construído por Herzog tem mesmo pouco a ver com o que Ferrara fez em 1992. Bad Lieutnaut tem distribuição garantida no Brasil, mas não houve uma data definida.

Um novo conde

olaf

Eu posso não estar isento do sentimento de um fã nesse caso, mas é fato consumado pela imensa maioria dos críticos literários por aí que Desventuras em Série é o trabalho de um gênio. A série de treze livros infanto-juvenis assinados por Daniel Handler sob o misterioso e genial pseudônimo de Lemony Snicket pode ter tido seu último capítulo publicado em 2006, mas continua mais do que viva na imaginação dos fãs e, como não poderia deixar de ser, dos executivos de Hollywood. A bem da verdade, a vida sombria dos órfãos Baudelaire já ganhou uma vez a grande tela, exatamente meia década atrás, em uma superprodução comandada por um diretor testado e aprovado entre o público jovem e um nome mais forte impossível no topo do cartaz. Desventura das desventuras, o filme foi contra o que se esperava e não agradou o público em massa que não estava acostumado com o estilo irônico da série e estranhou tamanha treva e teatralidade em um filme de fantasia que, heresia, não tinha um final feliz. E talvez nunca viesse a ter. A verdade é que Desventuras, o filme, não mereceu o destino que teve. Tratava-se de uma adaptação fiel ao clima dos livros, que limava e mudava muitos detalhes mas nem por isso se acovardava em ser a espécie estranha que tanto vendeu nas prateleiras das livrarias. Tudo isso graças a direção equilibrada de Brad Silberling (Gasparzinho) e a tradução perfeita de Jim Carrey (Sim Senhor) para o repulsivo e irresistível Conde Olaf. A verdade é que Desventuras era diferente demais para a máquina comercial que se tornou o cinema. Ou ao menos naquela época. Sim, pois cinco anos mudam muita coisa no século da velocidade de informação, e não é para se subestimar anos em que tivemos a súbita glorificação do cinema independente, uma obra britânica com alma indiana vencendo o Oscar e até um filme de super-heróis, pura diversão fútil, se tornando o melhor exemplar de cinema do ano. Pois bem, o mundo está pronto para o verdadeiro Desventuras. Ainda mais estranho, ainda mais sombrio, mas cima de tudo... diferente. Foi no início do mês que o diretor Brad Silberling acendeu uma esperança nos fãs da série ao comentar pela primeira vez sobre uma continuação para o filme de 2004. E ele disse mais: “Acredito que exista a chance da continuação receber um formato completamente diferente da primeira versão. Handler e eu conversamos sobre fazer cada filme com um suporte diferente, mas são só projetos. No momento estou tentando negociar com a Paramount a possibilidade de fazer o segundo filme em stop-motion”. Resta saber se o projeto vai para frente dessa vez, e quando poderemos conferir o resultado. Que Desventuras não precise mais ser tão desventurado quanto seus protagonistas.

Em time que está ganhando...

Era mais do que óbvio que os X-Men não sobreviveram ao mar de mortes que o terceiro capítulo da trilogia mutante promoveu dentro do grupo. Ou ao menos que não voltariam as telas de cinema no mesmo formato. X-Men 4 pode ser um sonho impossível, mas como certo mutante com garras bem demonstrou há alguns meses, nada impede que o grupo retorne aos poucos para as salas de projeção. Sucesso de escala mundial, X-Men Origens: Wolverine abriu as portas para que os mutantes invadam a programação dos cinemas nos próximos anos. Afinal, a Fox não é burra o bastante para simplesmente deixar para trás a maior franquia que tem nas suas fileiras. E como a ordem é seguir forrando os cofres do estúdio, ao menos outros dois filmes baseados em alguns aspectos das aventuras do super-grupo mutante devem sair do forno ainda no próximo ano. O primeiro, como muita gente deve ter adivinhado no final da projeção do filme do mutante canadense, é o filme-solo do mercenário Deadpool, interpretado em um par de cenas decisivas por Ryan Reynolds (Três Vezes Amor). O astro anda envolvido no filme do mercenário desde 2004, quando ainda era um coadjuvante de luxo em comédias de terceira categoria prestes a subir na vida hollywoodiana. Hoje um nome consolidado e pronto para estampar o topo de qualquer cartaz, Reynolds parece mais seguro de si mesmo quanto a vontade de encarnar o personagem em uma aventura-solo. Por enquanto, o projeto não tem nem ao menos uma trama, que dirá um roteirista e menos ainda os companheiros de elenco de Reynolds para a empreitada, apesar de algumas presenças garantidas ao menos em pequenas pontas, como assinala a história do personagem que nos foi apresentada superficialmente no filme de Gavin Hood (O Suspeito). Outro projeto com mutantes poderosos que ainda está em estágio de desenvolvimento primário é X-Men: First Class, espécie de “pré-continuação” ao primeiro filme do grupo, assinado por Bryan Singer (Operação Valquíria). A trama sobre o primeiro super-grupo treinado pelo professor Xavier, ao menos, já tem um roteirista garantido na ficha técnica e alguns intérpretes da série anterior demonstrando seu interesse. O roteiro está sendo redigido por Josh Schwartz, conhecido no mundo da televisão como o criador das séries The O.C., Chuck e Gossip Girl. Já quem se mostrou interessada em reprisar o papel foi Anna Paquin, a Vampira da trilogia e atual atriz principal da série True Blood. Ambos os filmes devem chegar aos cinemas entre 2010 e 2011.

Nota de luto: David Carradine

Família pode ser algo importante dentro do jogo cruel de Hollywood, mas não é um nome famoso que vai garantir o lugar de alguém no rol de grandes atores da história do cinema. David Carradine nasceu dentro dos muros da capital do cinema, ao oitavo dia do último mês do ano de 1936, e seu pai era nada mais nada menos que um dos atores mais prestigiados e adorados de sua época. John Carradine foi muito provavelmente o homem mais versátil da história da atuação cinematográfica, coadjuvante eficiente de filmes como Ingratidão e As Aventuras de Huckleberry Finn, protagonista clássico e brilhante em encarnações lendárias de personagens shakespearianos. Foi tentando lidar com essa pesada herança que David, o filho, começou a ensaiar os primeiros passos na própria carreira cinematográfica. Chegando a trabalhar com Martin Scorsese pouco antes do ítalo-americano ascender a fama, Carradine achou mesmo seu lugar na TV, onde se tornou um ícone na pele do pacífico mestre das artes marciais Kwai Chang Caine, protagonista da série Kung Fu, um clássico de três temporadas entre 1972 e 1975. Foi apenas um ano depois de deixar para trás o personagem que o fizera uma lenda que Carradine demonstrou seu verdadeiro talento, cantando na biografia-faroeste Esta Terra é Minha Terra. Comandado por Hal Ashby (Shampoo), David acumulou prêmios da crítica e ainda saiu-se com a primeira indicação ao Globo de Ouro fora de trabalhos televisivos. A carreira prosseguiu com certo vigor até 1980, quando mais uma vez foi aclamado pela crítica por sua atuação no drama western de Walter Hill (The Warriors), A Cavalgada dos Proscritos. Três anos depois David seguiu a tendência de sua época e estreou na direção, vencendo o prêmio do público em Cannes pelo trabalho em frente e atrás das câmeras do road-movie Americana. Para a surpresa de todos os fãs, porém, Carradine acabou por cair no mesmo filão de filmes de ação de terceira categoria que outros tantos astros dos anos 1980, mas foi esperto o bastante para se garantir num terreno já conhecido e ressuscitar seu ícone em Kung Fu: A Lenda Continua, que teve quatro temporadas entre 1993 e 1997. Apesar da momentânea recuperação, o verdadeiro talento de Carradine foi visto em seu auge quando o diretor Quentin Tarantino (Pulp Fiction) o chamou para encarnar o personagem título de sua saga em duas partes Kill Bill. Em uma atuação hipnotizante, Carradine criou uma outra lenda e, mesmo que o título anunciasse o final de seu personagem, nunca houve tanta emoção no ato de ver um vilão dar seus últimos passos. Ou seria ele um herói? David, sabiamente, não nos deixou descobrir e levou a última indicação ao Globo de Ouro. O ato foi encontrado enforcado dentro de um armário de hotel em Bangkok, na Tailândia, em 03 de Junho. Deixou um trabalho não-finalizado, dois filhos com ex-mulheres e a esposa atual, que o acompanhava desde 2004. Bill tinha 72 anos.

Em memória de David Carradine *08/12/1936 +03/06/2009

Bom, pessoal, e por hoje é só isso mesmo… De fato foi um choque receber a notícia do falecimento desse grande ator que foi David Carradine… mas a vida, e o cinema, continuam e o Boletim Cinéfilo está de volta, finalmente, depois de uma boa ausência… vou tentar sempre manter a constância com as notícias, mas vocês sabem como é cansativo o dia-a-dia… enfim, os melhores filmes para todos vocês e até mais!